No rastro da saudação de títulos brasileiros porquê “Ainda Estou Cá” e “O Agente Secreto” —que enfrenta uma jornada difícil rumo ao Oscar em 2026—, além de tramas originais porquê “Pecadores” e “A Hora do Mal”, profissionais do audiovisual terminam 2025 em alerta. Isso porque a compra da Warner Bros. pela Netflix, que aguarda aprovação do governo americano, pode modificar bastante a sétima arte.
A fusão pode, primeiro, dar à Netflix aproximação a um vasto repertório de franquias, útil a um serviço que se despede, nesta viradela, do fenômeno “Stranger Things”. A Netflix não tem um substituto evidente para sua maior franquia original, mas a solução pode estar do outro lado —neste ano, a Warner fez sucesso com um seriado do universo de “It: A Coisa”, em que crianças também enfrentam o sobrenatural.
Isso não quer expor que Vecna e o palhaço Pennywise, os vilões dessas duas histórias, trabalharão juntos, mas que, com emissoras e estúdios que evitam decorrer riscos, a fusão deve substanciar o apego a continuações e séries baseadas em títulos pré-existentes.
Não por casualidade, a HBO Max, que pertence a Warner, terá um ano fundamentado em derivados de “Game of Thrones”, com a inédita “O Cavaleiro dos Sete Reinos” e a volta de “A Moradia do Dragão”. Na seara do cinema, há ainda o terceiro “Duna”, que deve concorrer com “Vingadores”, que vai testar as forças de uma Marvel tomada por decepções sucessivas nas bilheterias.
Mesmo histórias novas, porquê as dos novos filmes de Christopher Nolan e Steven Spielberg previstos para o ano, podem ser vítimas da proximidade entre o audiovisual e o governo de Donald Trump. O cancelamento recente de “Boots”, série da Netflix sobre um militar gay que ganhou o público e a sátira, pode indicar que a plataforma se curvará ao conservadorismo para ratificar a fusão e outras medidas.
Depois de um ano que enterrou os super-heróis, que hoje dificilmente arrecadam bilhões, porquê atestaram “Quarteto Fantástico” e “Superman”, a Netflix pode ainda reduzir o tempo de exibição dos títulos da Warner em salas de cinema. Embora o CEO da plataforma, Ted Sarandos, tenha dito não ter planos para isso, a fusão deve fortalecer o chamado consumo domiciliar de filmes.
Já no Brasil, se depender da Orbe, os celulares, dentro ou fora de morada, vão se equiparar aos televisores. As novelas verticais, derivadas de experimentos em redes porquê a chinesa Kwai, fizeram sucesso em 2025. A proximidade entre canais abertos e a internet, aliás, deve ser maior, e o Globoplay se prepara para exibir uma espécie de dorama, porquê são chamados os dramas sul-coreanos, escrito por Walcyr Carrasco.
Enquanto isso, o SBT seguirá colhendo frutos da boa audiência de influenciadores porquê Virgínia Fonseca. O via criado por Silvio Santos tenta se restabelecer de uma dança das cadeiras que gerou poucos resultados e, mais recentemente, de uma polêmica que surgiu no lançamento do SBT News, devido à presença de Lula no evento, às vésperas deste ano eleitoral.
O universo político, aliás, também será importante. No Senado, haverá novas discussões sobre a lucidez sintético, que trouxe à tona uma série de atritos na indústria criativa, e sobre o PL de regularização do streaming, que não alcançou um ponto final em 2025.
Outro imbróglio terá porquê palco o Theatro Municipal, em São Paulo, que teve seu recente edital para a seleção de uma novidade empresa gestora anulado. O duelo entre a esquerda e a direita ao volta da instituição deve seguir em 2026 e rondar uma agenda com óperas porquê “Intolerranza”, de Luigi Nono, e “Tristão e Isolda”, de Richard Wagner.
As artes cênicas também têm impasses a resolver com a 11ª Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, prevista para suceder no início de março. Em 2025, ao completar uma dez, o evento teve o seu orçamento reduzido, o que levou a uma edição menor do que o previsto.
O ano também terá estreias de vulto, entre elas “Medea”, reimaginação da tragédia de Eurípides por Gabriel Villela, um solilóquio com Chay Suede, galã que caiu nas graças da internet, além de musicais sobre Gal Costa e Gilberto Gil e uma novidade e grandiosa versão da “Ópera do Malandro”, de Chico Buarque.
Já nos shows, dos quais Gil se despede, o sucesso de artistas fora do eixo anglófono deve continuar. Bad Bunny, grande símbolo dessa vaga, disputará o Grammy depois vencer o Grammy Latino, se apresentará no Super Bowl e já esgotou os ingressos de seus dois shows em São Paulo, feito vasqueiro no Brasil para quem canta em espanhol.
Rosalía, por sua vez, leva a “Lux Tour”, sua turnê mais recente, ao Rio de Janeiro, com um show em agosto. A capital fluminense ainda receberá Elton John, que trará ao Brasil seu show de despedida, no Rock in Rio —que recebe ainda o k-pop pela primeira vez no festival, com a orquestra Stray Kids. O AC/DC volta ainda para aquele que pode ser o seu último show ao vivo no país.
O BTS, sucesso do k-pop que domina as redes, realizará uma grande turnê mundial depois o hiato de anos causado pelo serviço militar imposto aos seus membros. Ainda não há paragem confirmada no Brasil, mas a expectativa dos fãs é grande. Incerto também é o próximo megashow gratuito em Copacabana, já confirmado, mas ainda sem anfitrião revelado, depois do sucesso de Lady Gaga e Madonna nos dois últimos anos.
No mundo pop, por término, o Lollapalooza, em São Paulo, reúne em março divas novinhas, porquê Sabrina Carpenter e Chappell Roan.
A seara músico seguirá atenta aos avanços da lucidez sintético, assim porquê o mercado de livros, agora que empresas de tecnologia fogem de disputas judiciais com autores e editoras pelo mundo afora, no rastro de uma pilhagem histórica de obras brasileiras bastante relevantes.
No campo educacional, a mudança na lista de leituras da Fuvest para o vestibular de 2026, formada exclusivamente por mulheres, reacende discussões sobre formação de leitores. Enquanto isso, o calendário brasílio se prepara para as próximas edições da Flip, em Paraty, a Feira do Livro e a Bienal do Livro, as duas em São Paulo, que podem substanciar a influência das redes sociais sobre critérios de curadoria e planejamento.
Novos livros de autores porquê Patti Smith, Thomas Pynchon e Mariana Enriquez, além dos centenários de Autran Dourado e Carlos Heitor Cony e da queda de Thomas Mann em domínio público, devem movimentar ainda o mercado editorial.
Nas artes plásticas, que oriente ano também debateram os limites da autoria frente ao progressão da IA, o grande destaque será a 61ª Bienal de Veneza. O pavilhão do Brasil apresenta o projeto “Comigo Ninguém Pode”, de artistas Adriana Varejão e Rosana Paulino. A mostra principal, por sua vez, executa de maneira póstuma o projeto da camaronesa Koyo Kouoh, morta de forma repentina em maio pretérito.
No Brasil, 2026 terá aniversários e retrospectivas de peso. O Instituto Inhotim celebra 20 anos com exposições de Dalton Paula e Davi de Jesus do Promanação, o MASP terá porquê destaque artistas latino-americanos, porquê a peruana Sandra Gamarra Heshiki e o venezuelano Jesús Rafael Soto, e a Pinacoteca faz uma sarau no Carnaval.
O mercado de arte segue em alerta no novo ano. Depois de uma crise aguda no pós-pandemia e ligeiros sinais de recuperação nos últimos leilões em Novidade York, resta ver porquê grandes galerias vão resistir, da mesma forma que as feiras, setor que neste ano verá surgir uma versão da Art Basel em Doha e uma edição da Frieze em Abu Dhabi.
Também no horizonte, veremos os desdobramentos da investigação do roubo das joias do Louvre e de Henri Matisse e Candido Portinari na Livraria Mário de Andrade. As disputas envolvendo herdeiros de Alfredo Volpi e Tarsila do Amaral também prometem seguir nas manchetes, o que pode manchar o legado dos artistas.
