A inusitada origem do orelhão, que virou 'estrela' em 'O

A inusitada origem do orelhão, que virou 'estrela' em 'O Agente Secreto'

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Orelhão foi usado em diversas cenas do filme O Agente Secreto para ajudar a recriar o cenário da dezena de 1970
Divulgação
Um elemento geral a muitos brasileiros ajudou a recriar o cenário da dezena de 1970 do filme O Agente Secreto — indicado pelo Brasil para concorrer ao Oscar 2026 — e se tornou um dos símbolos da produção. Trata-se do orelhão, o telefone público que por décadas ocupou as ruas do país.
A imagem de Marcelo (interpretado por Wagner Moura) usando um orelhão passou a simbolizar o filme pelo mundo e é hoje marca registrada da produção.
Essa icônica cabine telefônica em formato de ovo, que chegou a ter mais de 50 milénio unidades espalhadas pelo país, foi projetada por uma arquiteta que nasceu na China, mas viveu a maior secção da vida no Brasil: Chu Ming Silveira.
Seu design fez tanto sucesso que outros países também decidiram adotá-lo.
Em entrevista ao podcast Witness History, da BBC World Service, Alan Chu, fruto de Chu Ming, compartilhou lembranças de sua mãe e de seu legado, que se tornou símbolo do Brasil.
“Eu lembro se sentir orgulho dela, porque ela tinha projetado um pouco que estava em todo lugar nas ruas, uma vez que as cabines de telefone em Londres, que se tornaram um símbolo do país, o mesmo aconteceu no Brasil com os orelhões”, diz Alan, que é arquiteto e mora em Brasília.
“E é muito interessante porque normalmente a gente importa esse tipo de coisa, as ideias, os designs. Mas o orelhão é uma geração pátrio, é uma invenção brasileira. É o símbolo da nossa originalidade e design.”
Em 2014, Pelé autografou a cabine de um Orelhão na Avenida Paulista uma vez que secção de uma campanha para companhia telefônica
AFP via Getty Images
Da China para o Brasil
Chu Ming Silveira nasceu em uma família rica na cidade de Xangai, na China, em 1941. Seu avô foi ministro do último imperador chinês, Puyi.
“Eles eram considerados uma família sublime e tinham costumes ocidentais, uma vez que jogar tênis e encaminhar carros”, conta Alan.
Seu pai serviu no tropa durante a Guerra Social Chinesa, mas depois a vitória comunista em 1949, Chu, na idade com 7 anos, e o resto da família foram forçados a deixar o país.
Inicialmente, a família queria se mudar para os Estados Unidos, mas Alan conta que seu avô era fascinado pela teoria de ter uma herdade no Brasil.
“Eu soube que meus avós escutaram falar sobre a Amazônia e ficaram interessados. E também tinha a questão da intervalo, eles queriam viver em qualquer lugar distante. Mas eu acho que foi mais por desculpa da Amazônia que eles vieram”.
Depois de três meses viajando em um navio, a família chegou ao Rio de Janeiro. Logo se mudaram para São Paulo, onde se juntaram a uma crescente comunidade chinesa e japonesa no bairro de Pinheiros.
Chu estudou arquitetura na universidade e não demorou para conseguir um tarefa na companhia telefônica brasileira.
A origem do Orelhão
Foi durante o período em que Chu trabalhava na companhia telefônica, em 1971, que ela criou um projeto que mudaria para sempre a informação no Brasil.
Alan lembra que, naquela idade, não havia telefones públicos no Brasil. “Eles ficavam dentro das farmácias ou dos postos de gasolina e não tinha uma cabine para proteger o telefone.”
Antes de Chu surgir, poucas famílias brasileiras tinham condições de comprar um telefone.
Tentativas anteriores de edificar telefones públicos tinham causado problemas enormes. Cabines grandes foram vandalizadas, eram caras de se fazer e tomavam muito espaço.
Logo, o trabalho de Chu foi encontrar uma solução barata, resistente a danos e visualmente deleitável. E foi mal surgiu o Orelhão.
“Nós tínhamos um na nossa morada. Era o protótipo, o primeiro. Ele era branco e ficava no nosso jardim”, lembra Alan.
O Brasil chegou a ter mais de 50 milénio orelhões espalhados pelas cidades
AFP via Getty Images
Quando foi lançado, a cabine tinha outros nomes uma vez que Chu I e Tulipa. Mas foi por Orelhão que o telefone ficou espargido pelo público.
Ele era ligeiro e bonito visualmente, fornecia abrigo para o calor do Brasil e, mais importante: tinha o formato de um ovo.
“Foi um pouco inovador nesse sentido, porque era um projeto pátrio. Foi projetado para o nosso país, para o nosso clima”, diz Alan.
O formato foi escolhido por desculpa da qualidade acústica. A teoria do design era que o sonido que entrasse na cabine fosse refletido para um ponto fora dela.
Isso protegia as pessoas do fragor e ajudava a fazer uma relação sem muito sonido.
O orelhão foi um grande sucesso e mais de 50 milénio foram construídos nas principais cidades do Brasil.
O sucesso foi tanto que adaptações do projeto foram instaladas em países ao volta do mundo, incluindo Peru, Colômbia, Paraguai, Angola, Moçambique e até mesmo na China.
Para Alan, o vestuário de ser um pouco incomum, chamava atenção das pessoas.
“Acho que há um componente de humor no objeto. É criativo, dissemelhante.”
Reconhecimento
Pouco tempo depois, Chun deixou a companhia telefônica e foi trabalhar no setor imobiliário.
Mas foi só depois a sua morte, em 1997, que as pessoas começaram a reconhecer seu trabalho.
E isso se deve, em grande secção, ao marido de Chu, Clóvis, que lançou um site com o nome dela.
“Percebemos que seria importante, no início dessa revolução da informação, organizar tudo isso para que se espalhasse da maneira certa, organizar documentos, fotografias e informações”, afirma Alan.
Em 2017, graças ao trabalho de Clóvis para promover o design de Chu, o Google fez uma homenagem a ela criando um doodle.
Alan diz que se sentiu honrado ao ver o estampa da mãe na página inicial do buscador.
Hoje, os orelhões já não são mais usados no Brasil, devido ao surgimento dos celulares. Mas eles permanecem uma vez que um símbolo da originalidade e inovação brasileira.
“Era muito geral para nós, para minha geração, um objeto oriundo na cidade porque não havia celulares. A gente usava muito. É secção da nossa memória.”
Na história do design brasílico, Chu Ming tem seu lugar porque o orelhão foi um pouco muito único e importante.
Ou por outra, o vestuário de ser uma mulher adiante desse design, em uma idade que eram poucas arquitetas, também é um pouco relevante para a história.

Fonte G1

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