“A Prometida de Frankenstein”, de 1935, sequência do clássico “Frankenstein” (1931), com Boris Karloff, é uma das obras mais cultuadas do gênero de terror e já foi recriada de diferentes formas ao longo dos anos.
Mas provavelmente nenhuma delas foi feita de maneira tão inusitada ou intensa quanto “A Prometida!”, que estreia nos cinemas nesta quinta-feira (5).
A produção procura trazer uma releitura muito radical da história, inserindo questões e reflexões bastante atuais sobre o papel das mulheres na sociedade, além de prestar homenagens ao cinema com citações de obras clássicas de diversos gêneros.
Tudo isso com uma direção afiada e um elenco sensacional, com atores que seguram muito a ousada proposta.
Ambientada na dezena de 1930, a trama mostra a pessoa de Frankenstein (Christian Bale), ou Frank, porquê gosta de ser chamado, chegando a Chicago para encontrar a Dra. Euphronious (Annette Bening). Ele deseja que a pesquisador realize o mesmo procedimento que o criou para lhe dar uma companheira, já que ele está cansado de viver sozinho.
Os dois encontram o corpo de uma mulher assassinada e ela ressuscita porquê “a prometida” (Jessie Buckley, de “Hamnet”).
Assista ao trailer do filme “A Prometida!”
A moça desperta sem se lembrar de quem é, mas logo mostra um temperamento explosivo e inquieto. Ao lado de Frank, ela passa por diversas situações que logo chamam a atenção da polícia e de pessoas que podem estar ligadas ao seu pretérito.
Enquanto vive um romance intenso ao lado de seu parceiro, ela procura respostas, ao mesmo tempo que inspira outras mulheres a iniciar um movimento para invadir mais reverência na sociedade.
Poder feminino
“A Prometida!” não é, ao contrário do filme que a inspirou, uma obra de terror. Ela bebe mais em outros gêneros porquê drama, o thriller policial e até mesmo nos musicais antigos.
O longa tem muita experimentação para um filme produzido por um grande estúdio. Assim, temos cenas em preto e branco misturadas com sequências coloridas, diálogos longos e profundos, uma violência perturbadora e personagens bastante densos.
O préstimo de tudo isso é de Maggie Gyllenhaal. Mais conhecida por seus papéis porquê atriz em filmes porquê “Batman: O Cavaleiro das Trevas” (2008) e “Coração Louco” (2009), Gyllenhaal estreou na direção com “A Filha Perdida” (2021) e “A Prometida!” é seu segundo trabalho porquê cineasta.
Ela demonstra firmeza ao guiar e redigir o roteiro de seu longa, causando impacto não somente com suas imagens fortes, mas também ao levar o público a refletir sobre porquê as mulheres são tratadas, seja no pretérito ou no presente.
A Prometida (Jessie Buckley) aponta uma arma durante uma confusão no filme “A Prometida!”
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Um bom exemplo disso é porquê a protagonista procura encontrar justiça para si mesma e para outras mulheres em diversos momentos do filme.
Ela chega até a reportar, no meio de uma cena tensa, o movimento “Me Too”, que surgiu nos Estados Unidos quando estourou o escândalo envolvendo o produtor de cinema Harvey Weinstein, que abusou de diversas atrizes.
Aliás, é interessante porquê Gyllenhaal trabalha o machismo através da personagem de Penélope Cruz, que vive Myrna Mallow, uma investigadora que fica no peugada do parelha principal.
Embora inteligente, Myrna é sempre ignorada ou rebaixada por outros homens, porquê seu parceiro, o policial Jake Wiles (Peter Sarsgaard), e tem que mostrar sempre seu valor para ser considerada. Alguma coisa que ainda acontece hoje, infelizmente.
Romance teratológico
Mas “A Prometida!” não é somente um filme que procura discutir questões femininas. A obra também homenageia produções que marcaram o cinema, porquê os musicais de Fred Astaire (que inspira o personagem interpretado pelo irmão da diretora, Jake Gyllenhaal), o filme de assalto “Bonnie e Clyde: Uma Rajada de Balas” (1967) e até mesmo “O Jovem Frankenstein” (1974).
A comédia de Mel Brooks, aliás, inspira o momento mais recreativo do filme. O testemunha mais sisudo vai perceber as referências.
Christian Bale e Jessie Buckley estrelam o filme ‘A Prometida!’
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Outro elemento de destaque no filme é porquê a diretora conta a história dos protagonistas. Ao contrário de outras versões da pessoa de Frankenstein e sua prometida, cá há uma preocupação em desenvolver a relação dos dois, que começam com notório estranhamento e que vão mudando seus sentimentos à medida que a trama avança.
Assim, o público compra a teoria de que o romance que surge entre eles é verdadeiro.
É nessa secção que se destaca o talento de Christian Bale. O ator, que já tinha contracenado com Gyllenhaal em “Batman: O Cavaleiro das Trevas”, convence porquê uma pessoa que se descobre enamorado pela sua companheira e disposto a tudo para viver esse paixão.
Sob uma pesada e suasivo maquiagem, Bale transmite de forma réplica os sentimentos que vão além do que esperava sentir pela Prometida.
Mas não é só Bale que brilha em termos de atuação no filme. Jessie Buckley, com um visual bastante inusitado, mostra que está numa ótima tempo de sua curso e, em seguida emocionar o mundo porquê a Agnes Shakespeare de “Hamnet”, impressiona com um papel totalmente inverso.
Ela demonstra ter grande vigor em interpretar não só a personagem-título, porquê Mary Shelley, que escreveu o livro “Frankenstein”, e que intervém em alguns momentos da história.
Frank (Christian Bale) e A Prometida (Jessie Buckley) dançam numa cena de ‘A Prometida!’
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Buckley também labareda a atenção por dar conta de textos bastante longos e densos ditos por sua personagem em várias cenas.
Além de emocionar nas cenas mais emotivas, em próprio no terço final do filme. Já Annette Bening e Peter Sarsgaard estão funcionais no seu papéis e Penélope Cruz volta a esbanjar carisma.
Com uma boa retrato assinada por Lawrence Sher e uma interessante trilha sonora de Hildur Gudnadóttir (ambos de “Coringa”), “A Prometida!” pode até desgostar secção do público porque sua proposta, além de ousada, nem sempre é fácil de compreender.
Mas quem conseguir se envolver com essa experiência pode se sentir recompensado ao final da sessão. Enfim, porquê diz a própria Mary Shelley numa cena do filme, mais assustadora que uma história de terror pode ser uma história de paixão.
Atenção para uma cena que rola durante os créditos. Quem permanecer para observar não vai se arrepender.
Cartela resenha sátira g1
Arte/g1
Fonte G1
