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Ação no RJ é cortina de fumaça e expõe população, dizem especialistas| Agência Brasil

Brasil

Um dia de terror para os mais de 150 milénio habitantes dos complexos da Penha e do Teuto, que passaram horas por baixo de tiros e explosões em uma operação policial que afetou também todos aqueles que precisaram transitar pelas principais vias da cidade, em diversos bairros da capital fluminense, que ainda não acabou.

A Operação Contenção que se estendeu por toda esta terça-feira (28), deixou pelo menos 64 pessoas mortas – incluindo quatro policiais -, interrompeu o trânsito das principais vias da cidade, fechou escolas, postos de saúde e estabelecimentos comerciais. Segundo o governo do estado, 81 pessoas foram presas e 93 fuzis apreendidos, além de pistolas e granadas. Trata-se da maior operação dos últimos 15 anos e também da mais mortífero de toda a história do estado.

Para especialistas, a operação gerou um grande impacto na capital fluminense e não atingiu o objetivo de sustar o delito organizado, pelo contrário, ações uma vez que esta exclusivamente fortalecem a violência.

“Essa lógica de medir força armada bélica com estruturas do tráfico sempre resultaram em mortes cada vez maiores, em sofrimento cada vez mais intenso, perda de entrada a serviços públicos, perda de mobilidade urbana, os mais frágeis sempre vão suportar muito mais. A economia é afetada diretamente e o problema nunca foi sequer arranhado”, diz o professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federalista Rústico do Rio de Janeiro (UFRRJ), José Cláudio Souza Alves.

Segundo o professor, combater o delito organizado exige outras estratégias, inclusive oferecer oportunidades e qualidade de vida a população em situação de vulnerabilidade.

“Fabricar novas formas de interceptar, de investigar, de seguir verba, de prender pessoas, de colocar limitações nesse funcionamento, de dar escolha real para essa população. Você tem que disputar palma a palmo nesses territórios, essas populações que são facilmente convencidas pela grana da droga, da arma, pela grana dos ilegalismos, dos golpes. Se não pensarmos isso, a gente está absolutamente comprometido, não vamos conseguir”, defende.  

“Isso tudo que vocês estão vendo aí hoje, arrebentando no Rio de Janeiro todo, é exclusivamente uma imensa e gigantesca cortinado de fumaça, um rolo gigantesco de fumaça cegando a todos”, diz, Alves. 

Lambança político-operacional

Em entrevista ao programa Revista Rio, da Rádio Pátrio do Rio de Janeiro, a professora do Departamento de Segurança Pública da Universidade Federalista Fluminense (UFF), Jacqueline Muniz, classificou a operação uma vez que amadora e uma “lambança político-operacional”.

Segundo ela, foram cometidos erros táticos que vão ao encontro do que está previsto nas próprias instruções normativas de segurança pública.

“Para colocar 2,5 milénio policiais, tem que fazer uma previsão de 7,5 milénio a 10 milénio policiais, porque tem três turnos de trabalho e graduação. Isso quer expor que para fazer esta operação, que eu chamei de uma lambança político-operacional do governador Castro, teve que se retirar o policiamento de 3 milhões a 5 milhões de pessoas na região metropolitana”, diz. “De um lado, esquentou-se a placa numa dimensão sátira, não reduziu a capacidade operacional do delito, por outro, viabilizou a morte de policiais, o ferimento de policiais, de cidadãos sem que isso significasse um progressão sobre o delito organizado”.

Ela acrescenta:

“Isso é muito sério porque põe em risco a vida dos policiais, põe em risco a vida da população, inviabiliza a circulação de pessoas, de mercadorias. Nós estamos produzindo fechamento da Risca Amarela, da Risca Vermelha, da Avenida Brasil, dando um nó em toda a região metropolitana. Ou seja, esquentando a placa e multiplicando a instabilidade”, diz.

 

Ela explicou que a operação tinha razão para viver, mas foi mal concebida. “A finalidade dela foi politiqueira, pondo em risco a vida dos agentes da lei, da população, com resultados que não se sustentam diante da ensinamento de operações policiais, que fique simples, porque há critérios técnicos sim, polícia não é amadorismo, a polícia é profissão”.

Progressão do delito organizado

O objetivo da operação, de contrato com o governo do estado era executar mandados de prisão e sustar a expansão territorial do Comando Vermelho. A ação conjunta mobilizou 2,5 milénio policiais civis e militares, com a participação do Ministério Público.

Segundo pesquisa divulgada no ano pretérito pelo Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federalista Fluminense (Geni/UFF) e pelo Instituto Queima Cruzado, o Comando Vermelho foi a única partido criminosa a expandir seu controle territorial de 2022 para 2023, no Grande Rio. Com o aumento de 8,4%, a organização ultrapassou as milícias e passou a responder por 51,9% das áreas controladas por criminosos na região. 

A pesquisa mostrou que o Comando Vermelho retomou a liderança de 242 km² que tinham sido perdidos para as milícias em 2021. Naquele ano, 46,5% das áreas sob controle criminoso pertenciam às milícias e 42,9% ao Comando Vermelho.

População na risco de tiro

Para o Instituto Queima Cruzado, instituição que produz dados e informações sobre violência armada, e que copilou informações sobre a Operação Contenção, ações uma vez que esta não combatem de vestuário o delito organizado.

“Combater o delito organizado exige outra lógica. É preciso testilhar fluxos financeiros, investigar lavagem de verba, fortalecer corregedorias independentes e combater a prevaricação dentro do Estado. Tudo que o Rio de Janeiro não faz há décadas”, afirmou em nota.

 

“As polícias do Rio começaram o dia com a Operação Contenção e o que se viu foi segmento expressiva da população na risco de tiro e uma cidade inteira paragem. Nascente é o planejamento do governo do estado? Operações uma vez que essa mostram a incapacidade do governo estadual de fazer política pública de segurança pública”, explicou a organização.

 O Instituto reforça que esta é a maior chacina policial já registrada na história do estado do Rio de Janeiro, superando as tragédias do Jacarezinho (2021) com 28 mortos, e da Vila Cruzeiro (2022) com 24 mortos, chacinas policiais que também ocorreram no governo de Cláudio Castro. 

 

Fonte EBC

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