Acidente com balão revela falta de fiscalização 18/06/2025

Acidente com balão revela falta de fiscalização – 18/06/2025 – É Logo Ali

Esporte

A notícia do acidente de um balão superlotado que matou uma mulher no domingo (15) em Capela do Cimeira (SP), depois de trespassar de Iperó (SP), a 130 quilômetros da capital paulista, é mais uma daquelas tragédias anunciadas, diretamente ligadas à informalidade, ao improviso e a irresponsabilidade que permeiam muitos autodenominados empresários do esporte de proeza. Carregando 35 pessoas num cesto que comportaria, no supremo, 24, o condutor foi recluso em flagrante e indiciado por homicídio culposo agravado pelo treino irregular da atividade e por operar equipamento alheado sem certificação adequada.

Linguajar jurídico à segmento, o resumo da história seria, pelo que se sabe até agora: o cidadão assumiu o risco de matar aqueles passageiros que não tinham obrigação de saber que sua habilitação estava vencida, uma vez que informou à Folha o presidente da Confederação Brasileira de Balonismo, Johnny Silva. Nem de imaginar que ele acumulava quatro notificações por descumprimento das normas sanitárias vigentes durante a pandemia de Covid-19 (quando o aumento da procura por esportes de natureza teve incremento exponencial, mas não vasqueiro às margens da legitimidade). E o mais importante: que não tinha autorização para levar passageiros em seu equipamento, mas somente para fazer voos individuais —uma vez que se alguém tivesse um trambolho daquele tamanho guardado no quintal para subir sozinho aos ares.

É ingenuidade que labareda? Ou fanatismo deliberada de quem deveria inspeccionar?

Tão logo o acidente foi divulgado, a Prefeitura de Boituva (SP), cidade vizinha ao acidente que naquele termo de semana recebia um campeonato de balonismo, anunciou que estava determinando uma série de “medidas administrativas para prevenir acidentes futuros”. Entre elas, “a notificação de todas as empresas de balonismo para que enviem documentos atualizados, a publicação de uma minuta que regula o aeroturismo no município” e a exórdio de um portal de consulta pública, “que disponibilizará as empresas cadastradas e a previsão do tempo”.

Também estão previstos, uma vez que a Folha noticiou, “um projeto de lei municipal para regulamentar o aeroturismo em Boituva, a geração de um portal online com a lista solene das empresas de balonismo autorizadas e um padrão de previsão meteorológica com sistema de bandeiras para averiguar as condições e permissões para voo”.

Seria de imaginar que essas medidas já fossem um pouco ostensivo para quem faz questão de ostentar o título de Capital Pátrio do Paraquedismo e Balonismo Turístico, não? Se, uma vez que diz o ditado, antes tarde do que nunca, isso serve de pouco consolo à família da vítima, Juliana Alves Prado, que morreu aos 27 anos sem saber que deveria cobrar a habilitação do piloto e checar o registro do equipamento tal qual voo era oferecido claramente ao primeiro incauto que aparecesse. É difícil imaginar que um artefato daquele tamanho, lindamente cromatizado e sobrevoando os céus não de um esquina remoto do país, mas do interno paulista, passasse despercebido aos responsáveis.

“O acidente evidencia um problema macróbio no turismo de proeza no Brasil: a combinação de informalidade, ilegalidade e baixa qualificação, que coloca vidas em risco”, avalia Luiz Del Vigna, diretor-executivo da Abeta (Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Proeza). “Atividades uma vez que voos de balão são seguras somente quando seguem rigorosamente as normas e a legislação, mas muitos prestadores ignoram regras básicas e operam sem sistema de gestão de segurança”, completa.

O alerta de Del Vigna não vem de hoje. Há anos a associação bate na tecla da relevância de se buscar profissionalização e qualificação técnica responsável dos profissionais envolvidos em todas as áreas do turismo de proeza.

“A expectativa para o fechamento de 2025 no setor de turismo é positiva, projetando subida de 3,8%, e um faturamento de R$ 211 bilhões segundo o Parecer de Turismo da Federação do Negócio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo”, ressalta Del Vigna. Mas, paralelamente, ele cita a avaliação do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), de que a taxa de informalidade, no setor de economia criativa, onde se encaixa o turismo, chegou a impressionantes 42,2% em 2024.

“A informalidade pode resolver um problema inesperado de geração de renda, mas não cria uma estrutura empresarial de desenvolvimento que sustente o setor, levando à ilegalidade e à pobre formação técnica”, diz o executivo.

Com a informalidade dos que se querem empreendedores numa terreno sem lei, faltou sustentabilidade ao balão de Iperó.


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Folha

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