Acordo UE Mercosul pode beneficiar algodão do Brasil 28/01/2026

Acordo UE-Mercosul pode beneficiar algodão do Brasil – 28/01/2026 – Ilustrada

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Muita coisa ainda está no campo das ideias, mas a indústria têxtil brasileira está atenta ao recém-aprovado contrato mercantil entre a União Europeia e o Mercosul. Isto porque, quando o pacto iniciar a valer, o algodão pátrio —e peças de roupa feitas com a matéria-prima, que tem o Brasil porquê terceiro maior produtor mundial— podem passar a fluir mais livremente para o velho continente.

É esta a expectativa de Marcio Portocarrero, diretor-executivo da Abrapa, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão, entidade que regula as relações entre plantadores de dez estados brasileiros e a indústria que transforma a fibrilha no tecido que depois vai para as máquinas de costura dos designers de tendência.

Segundo Portocarrero, com a isenção de tarifas sobre o algodão prevista pelo contrato, os países do conjunto europeu poderiam passar a comprar mais tecido feito no Brasil, oferecido que a importação ficaria mais barata em relação a hoje. Tecidos de algodão brasiliano pagam 8% de imposto ao entrarem na União Europeia, mas o tratado deve expulsar gradualmente esta taxa.

Ainda de contrato com Portocarrero, os europeus poderiam se interessar em comprar roupas prontas do Brasil, “mas a tendência em si teria que se adequar”, afirma. “O design, as tendências precisariam falar a mesma língua dos europeus para poder colocar o nosso resultado lá. Que não seja uma coisa meio tropicalista, mas que seja adequada ao que eles consomem no dia a dia.”

Um grande entrave para isso intercorrer é que o Brasil não tem marcas de tendência reconhecidas no mercado europeu —à exceção das Havaianas, que produz majoritariamente calçados e não roupas. Contatada, a marca não quis falar com a reportagem.

Lojas de departamento importantes da Europa porquê a Rinasciente, na Itália, e as Galeries Lafayette, na França, não vendem criadores de tendência brasileiros, embora ao menos um deles esteja no radar dos formadores de opinão —Airon Martin, da Misci, reconhecido porquê uma das 500 pessoas mais importantes da tendência global no ano pretérito pelo site de referência Business of Fashion.

Afora isso, turista qualquer vai para a Europa fazer compras detrás de tendência com design brasiliano. Marcas francesas e italianas dominam o mercado, seguidas pelas britânicas, belgas e japonesas. Outro atrativo é a isenção de taxas no vestuário que o continente dá a quem não mora lá, o que torna mais barato comprar aquela blusa Louis Vuitton em Paris em relação a praticamente qualquer outro lugar do mundo.

“Os europeus têm uma coisa que nós não temos —eles têm design, têm marca muito potente, que influencia a tomada de decisão de consumo no mundo todo. Isso é intangível, é um valor que eles construíram ao longo de séculos. E vai continuar. Nós podemos entrar nisso”, diz Portocarrero.

Hoje, quando qualquer país do conjunto europeu importa do Brasil itens de vestuário porquê casacos, shorts, jaquetas ou camisas, eles pagam 12% de imposto. De lá para cá, a taxa é de 35%.

Uma vez que ambas as taxas devem ser eliminadas nos próximos anos, há a possibilidade daquela roupa de marca importada chegar às araras nacionais mais barata, segundo Fernando Valente Pimentel, diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção. “Produtos que hoje não são competitivos passarão a ser competitivos”, ele diz.

Pimentel prevê um longo prazo, em torno de oito anos, para que os efeitos do contrato mercantil sejam sentidos lá e cá. O pacto, que ainda não entrou em vigor, prevê que o Mercosul elimine tarifas sobre 91% das exportações à União Europeia ao longo de um período de 15 anos. O conjunto europeu, por seu vez, eliminará progressivamente os impostos sobre 92% das exportações ao Mercosul ao longo de dez anos.

Pimentel lembra que a União Europeia é um mercado grande e de subida renda e que o contrato é importante para o Mercosul, que ficou “anos ensimesmado ou mais vinculado cá à nossa vizinhança”. Todavia, o pacto em si “não vai fazer o resultado brasiliano ser vendido na Europa”, ele acrescenta.

“Os empresários vão ter que se interessar em vender mais, as reformas cá dentro do Brasil vão ter que continuar acontecendo. A redução do dispêndio Brasil é fator primordial para aumentar a produtividade e competitividade do setor”, afirma.

Folha

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