Na noite deste sábado, Alice Cooper estabeleceu um novo recorde no Brasil. Seu show na espaço externa do auditório Ibirapuera, encerrando a programação do penúltimo dia do Best of Blues and Rock Festival, foi apresentado 51 anos depois de sua primeira vinda ao Brasil. Em 1974, ele fez shows no Anhembi, em São Paulo, e no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro. É o maior pausa entre apresentações de um mesmo artista pop no país.
O curioso é que o Alice Cooper de 2025 não é muito dissemelhante da versão que ele exibiu há meio século, com os mesmos recursos cênicos um tanto toscos de seu teatrinho de horror, uma vez que maquiagem pesada, sangue falso, bonecos, uma guilhotina e muitos atores que entraram no palco para morrerem das formas mais bizarras. Essa repetição visual só faz sentido porque as músicas também se repetem. O melhor do show poderoso que Alice Cooper mostrou agora em São Paulo está nas canções de seus álbuns na primeira metade da dez de 1970.
A única diferença é a relevância de sua figura no cenário roqueiro. Em 1974, ele trazia na bagagem dois álbuns recentes que conquistaram o mundo, “School’s Out” e “Billion Dollar Babies”, frequentadores do topo da paragem de sucessos. Sua encenação pretensamente macabra era alguma coisa novo, praticamente um repercussão estilo Halloween do glitter que David Bowie tinha disparado na Inglaterra.
Seus hits dessa período inicial dominam a setlist da turnê atual. O público recebe com mais excitação “I’m Eighteen”, “No More Mr. Nice Guy”, “Scool’s Out”, “Under My Wheels” e “Billion Dollar Babies”, todas lançadas antes de 1974 e exemplos bem-acabados de um rock pesado e de bateria marcial. Nessa período na qual Alice Cooper era o nome da filarmónica e o cantor assumia seu verdadeiro nome, Vince Furnier, a influência maior é seu paraninfo na música, Frank Zappa.
Depois de 1975, Vince desfez a filarmónica e assumiu, no cartório, o nome Alice Cooper. Sua curso solo é vasta, mas ele cedeu demais a um som ainda pesado, mas um pouco mais mercantil, alcançável a rádios. Tanto é que dessa período sozinho ele apresenta poucas canções e concentra as eleitas em seus dois álbuns mais bem-sucedidos, “Trash” e “Hey Stoopid”. Do primeiro, ele recorre a “Poison” e “Bed of Nails”. Do seguinte, “Hey Stoopid”, “Snakebite” e “Feed My Frankestein”.
O artista faz um bom trabalho nessa escolha de repertório e deixa o show sem buracos de intensidade. Mostra esperteza ao trazer para a filarmónica a figura magnética de Nita Strauss. Com 38 anos e uma curso iniciada em uma filarmónica feminina cover do Iron Maiden, ela é uma guitarrista muito supra da média e uma mulher muito formosa. O cantor sabe uma vez que dar holofotes na direção de sua guitarrista musa.
Toda a força dos hits antigos cumpriu a missão de esquentar uma plateia que enfrentou uma noite gelada para presenciar ao veterano. E todos ali mereciam um bom show antes de voltar para morada, porque o resto do line-up do sábado no festival deixou bastante a desejar.
O dia abriu com os guitarristas Marcão Britto e Thiago Castanho apresentando hits de seu velho grupo, Charlie Brown Jr., mas não faz sentido um show da lendária filarmónica sem Chorão e Champignon, os falecidos motores criativos da coisa toda. Pura necrofilia do rock.
Depois veio um show cover de verdade, muito deslocado para um grande festival. Larissa Liveir é uma entre muitas instrumentistas que reúne seus fãs no TikTok ou no YouTube. Ela sabe tocar guitarra e faz vídeos com versões instrumentais de clássicos do hard rock e do heavy metal, uma vez que “Stairway to Heaven” ou “Smoking on the Water”. No festival, fez sua primeira apresentação com filarmónica e mostrou que toca muito, uma desumanidade.
Mas é preciso comportar: é uma vez que ver a melhor aluna da escola de guitarra tocar. E tome “Whole Lotta Love”, “Still Lovin’ You” e outros hits pesados que tocaram bastante em FM. Show de covers num festival dessa relevância não cai muito. Mas vale esperar qualquer trabalho original de Larissa.
Antes de Alice Cooper, foi a vez da fúria sonora do Black Pantera, trio que ganhou bastante exposição em pouco mais de dez anos de estrada. Seu quarto e mais recente álbum, “Perpétuo”, tem muito de thrash metal e vai atraindo atenções. Mas ainda pareceu um tanto sem força suficiente para ser uma atração noturna de um festival de primeiro time.
Na plateia, era evidente que muita gente nunca tinha ouvido a filarmónica. Seus fãs se concentraram primeiro do palco é fizeram coro para os brados contra racistas disparados nas letras. Mais ao fundo, o público dispersava.
Em sua última noite, programada para o domingo (15), o Best of Blues and Rock faz uma escalação de desconhecidos na exórdio e deixa toda a história longeva dos britânicos do Deep Purple para fechar o evento.
