Arquitetura e modo de vida de comunidades africanas inspiram artistas

Arquitetura e modo de vida de comunidades africanas inspiram artistas

Brasil

Construções sustentáveis e que respeitam o meio envolvente, modos de vida integrados à natureza e organização coletiva, buscando o bem-estar de todos, são algumas das heranças africanas que inspiram a vida e as obras de artistas e pesquisadores que participam da 14ª edição do Festival Artes Vertentes, em Tiradentes,Minas Gerais.

A poeta, fotógrafa e colagista Wendie Zahibo é uma delas. Ela pesquisa as heranças espirituais e arquitetônicas dos povos africanos e da diáspora, no Brasil, Estados Unidos, Costa do Marfim e Guadalupe (Caribe). Para ela, a forma uma vez que essas populações habitam os territórios são uma prelecção e talvez uma resposta para contornar a crise climática e prometer a sobrevivência da humanidade. 

A artista nasceu em Marselha, na França, de pai da Costa do Marfim e de mãe da República Meio-Africana. Estudou na Harrington College de Design, em Chicago, nos Estados Unidos, e na Sorbonne, em Paris. Atualmente, vive e trabalha em Guadalupe, no Caribe.


Tiradentes (MG), 14/09/2025 – Mesa debate Entre as margens do Atlântico, no Festival Artes Vertentes, no centro de Tiradentes (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Tiradentes (MG), 14/09/2025 – Mesa debate Entre as margens do Atlântico, no Festival Artes Vertentes, no centro de Tiradentes (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Mesa de debate Entre as margens do Atlântico, no Festival Artes Vertentes – Foto: Tomaz Silva/Sucursal Brasil

Foi buscando entender os diversos territórios aos quais pertence e as muitas experiências de ser mulher negra no mundo que Zahibo construiu a trajetória artística, que começou há 11 anos. Foi em 2022, no entanto, que ela começou o projeto masonn, de transmídia, que envolve também outros artistas, performances, colagens, instalações e artes visuais.

>> Siga o conduto da Sucursal Brasil no WhatsApp

O objetivo é reunir heranças espirituais e características arquitetônicas específicas de diferentes áreas geoculturais. A pesquisa a fez refletir sobre as diversas formas de vida mais sustentáveis e mais integradas ao meio envolvente e sobre o que se pode aprender com elas

“Para mim, a questão era uma vez que invocar o conhecimento avito, o know-how avito do meu povo, mas também dos povos indígenas, para gerar essa conversa. Porque antes da colonização, a maneira uma vez que os povos indígenas tratavam a Terreno e também a maneira uma vez que as pessoas na África tratavam a Terreno era realmente saudável. O capitalismo chegou e destruiu todo esse sistema ecológico”, avalia. 

“Masonn é uma vez que podemos voltar e pegar segmento desse conhecimento e colocá-lo no mundo de hoje, a término de gerar um novo espaço, uma novidade maneira de fazer arquitetura”, acrescenta.

Em entrevista à Sucursal Brasil, a artista, a partir do estudo e obras realizadas, defende que espaços uma vez que a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP 30, que será sediada pelo Brasil, em novembro, podem servir para que outros modelos de vida possam lucrar maior projeção.

“Se falamos de globalização, isso significa que podemos ter uma conversa conjunta para pensar em um horizonte melhor para nascente planeta. Mas também precisamos entender que as políticas que temos até agora talvez não sejam as melhores. Mesmo assim, essa discussão segue sendo feita pelas mesmas pessoas, pela escol, mormente os homens brancos. Que lugar podemos dar às mulheres? Que lugar podemos dar às mulheres negras, indígenas, imigrantes? Que lugar podemos dar também à classe trabalhadora?”, provoca.

“Talvez precisemos colocar todos à mesa para termos uma conversa melhor”, defende. 

Imaginação

Zahibo defende ainda que todos possam ter aproximação ao fazer artístico, que sejam estimulados desde crianças, nas escolas e em outros espaços onde possam fazer e pensar arte.

“Eu realmente acho que toda moço, desde pequena, deveria ter um espaço onde pudesse sentir que tem qualquer poder, onde pudesse pensar em um pouco e expressar um pouco. Para mim, isso tem um impacto em uma vez que ser um cidadão no mundo. Você se torna mais empoderada sobre a sua vida, mais empoderada sobre si mesma”, acredita. 


Tiradentes (MG), 14/09/2025 – A artista visual, Wendie Zahibo durante mesa debate Entre as margens do Atlântico, no Festival Artes Vertentes, no centro de Tiradentes (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Tiradentes (MG), 14/09/2025 – A artista visual, Wendie Zahibo durante mesa debate Entre as margens do Atlântico, no Festival Artes Vertentes, no centro de Tiradentes (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Artista visual Wendie Zahibo revela no Festival Artes Vertentes, que visitante ao Museu Afro Brasil, em São Paulo, a levou para a arte – Foto: Tomaz Silva/Sucursal Brasil

Para ela, a arte também tem o poder de gerar espaços de sonho. 

“Também acho que nós temos o recta de sonhar. Em um mundo tão multíplice e violento, ter um pequeno espaço de liberdade onde você possa se sentir livre”, afirma.

Segundo Zahibo, a imaginação é uma vez que um músculo, que precisa ser treinado. 

“Por que pessoas que têm privilégios econômicos colocam as crianças em aulas de música, de pintura, etc? Porque também ajuda a desenvolver a imaginação, para que elas se sintam poderosas”, observa.

O aproximação à arte e a presença diversa nesse campo também contribui para que haja representatividade e para que todos sintam que esse saber e mesmo essa curso podem ser seguidos, diz. 

Zahibo revela que foi unicamente há 11 anos, quando visitou São Paulo, que entendeu que poderia ser artista.

“Onze anos detrás, quando vim ao Brasil pela primeira vez, descobri o Museu Afro Brasil, em São Paulo. Para mim, foi uma vez que uma explosão de emoções, porque foi a primeira vez que vi que a minha história, a história de pessoas que se parecem comigo, poderia estar no museu e ter um espaço devotado à nossa narrativa, à nossa vida, à nossa história. São Paulo teve um impacto artístico muito bom em mim, porque a arte está em todo lugar, a arte de rua está em todo lugar, e eu pensei ‘ok, eu realmente quero fazer segmento disso’”, lembra.


Tiradentes (MG), 14/09/2025 – O artista visual, Dinho Araújo durante mesa debate Entre as margens do Atlântico, no Festival Artes Vertentes, no centro de Tiradentes (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Tiradentes (MG), 14/09/2025 – O artista visual, Dinho Araújo durante mesa debate Entre as margens do Atlântico, no Festival Artes Vertentes, no centro de Tiradentes (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Artista visual Dinho Araújo durante a mesa de debate Entre as margens do Atlântico, no Festival Artes Vertentes – Foto: Tomaz Silva/Sucursal Brasil

Atuação em conjunto 

A influência da espiritualidade, das manifestações culturais e sobretudo da forma de organização coletiva, foram também aspectos das heranças africanas ressaltadas por artistas durante o festival. 

Para o artista e educador maranhense Dinho Araújo, a atuação conjunta de artistas e comunidade, por meio de espaços coletivos e outras estratégias, é um pouco mediano. 

“Quando a gente pensa nas nossas manifestações, nas nossas danças, tudo isso é, talvez, o principal legado para os nossos trabalhos também. Esse lugar do coletivo é um lugar de coligação fundamental. A gente está sempre pensando nesse paisagem político e o coletivo é mediano”, defende o artista e educador, ao participar da mesa de debate Entre as margens do Atlântico. 

Araújo é gestor cultural do Pavimento, espaço independente em São Luís, que proporciona a pronunciação política de agentes da universidade, de artistas e dos ateliês do entorno do núcleo histórico da cidade. 

“Esse lugar do coletivo é o que nos firma e é o que nos faz também nos conectar com uma memória avito, com a memória dos nossos”, diz.

Também voltado para o coletivo, o pesquisador, curador e jornalista Deri Andrade, destacou, no debate, a prestígio de se increver e vulgarizar artistas negros. Ele é um dos responsáveis pela plataforma Projeto Afro, que mapeia os artistas negros no Brasil.

“O Projeto Afro acaba sendo esse espaço que vai aglutinar, organizar esse coletivo de alguma maneira, mostrar, apresentar essas pessoas”, diz. 


Tiradentes (MG), 14/09/2025 – O curador Deri Andrade, durante mesa debate Entre as margens do Atlântico, no Festival Artes Vertentes, no centro de Tiradentes (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Tiradentes (MG), 14/09/2025 – O curador Deri Andrade, durante mesa debate Entre as margens do Atlântico, no Festival Artes Vertentes, no centro de Tiradentes (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Curador Deri Andrade, na mesa debate Entre as margens do Atlântico, no Festival Artes Vertentes – Foto: Tomaz Silva/Sucursal Brasil

Festival

A 14ª edição do Festival Artes Vertentes tem uma vez que tema Entre as margens do Atlântico, propondo um diálogo entre três continentes intimamente ligados pela história: América, África e Europa. A programação deste ano também faz segmento da Temporada França-Brasil, que ocorre até o final do ano em 15 cidades brasileiras e tem uma vez que objetivo aproximar, por meio da cultura, os dois países.

A programação do festival segue até o dia 21, majoritariamente na cidade de Tiradentes, mas também com atividades previstas em São João del Rei e Bichinho, onde haverá vestígios de cinema que discutem memória, ancestralidade e resistência. 

A maior segmento da programação é gratuita.

* A repórter e o fotógrafo da Sucursal Brasil viajaram a invitação do Festival Artes e Vertentes

Fonte EBC

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *