Arte de Rock Hudson, 100, foi a de não mostrar

Arte de Rock Hudson, 100, foi a de não mostrar o que era – 17/11/2025 – Ilustrada

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Não era fácil ser gay em Hollywood nos anos 1950. Estávamos na era Rock Hudson, é verdade, mas também na era macarthista. O senador Joseph McCarthy e sua percentagem estavam mais preocupados em perseguir comunistas ou um tanto assim. Mas a prensa também tinha a quem perseguir. E Rock, dos quais centenário é lembrado nesta segunda (17), era gay proferido, mas era preciso que o indumentária ficasse secreto. Um boato seria capaz de arruinar sua curso.

Ele tinha a seu obséquio seu agente, o estranho personagem Henry Wilson —era alcoólico, inescrupuloso, perseguido, ligado à máfia, mas sabia porquê obter informações sigilosas e porquê usá-las contra os inimigos. Wilson não era só chantagista, mas também homossexual e abrigava em seu escritório outros jovens atores gays. Mais que tudo, sabia o que a América queria ver em um patente tipo de galã.

E Rock Hudson era elevado, bonito, musculoso. Faltavam alguns acertos —nos dentes, por exemplo, no vestuário, mas sobretudo na postura. Wilson o ensinou a não desmunhecar, a andejar sem nutar os quadris. Wilson deu-lhe também o nome artístico.

Com isso, começou em “Sangue, Suor e Lágrimas”, de 1948, uma curso onde sua formosura era o que mais se impunha. Em 1952, já fazia o segundo papel masculino em “E o Sangue Semeou a Terreno”, de Anthony Mann. Mas ali ainda era James Stewart quem comandava o show.

As coisas começaram a mudar de indumentária quando fez o melodrama “Sublime Preocupação”, de 1954. Já havia se oferecido muito com Douglas Sirk, o diretor, com quem já havia trabalhado na comédia “Sinfonia Prateada”, dois anos antes. Sirk, gostou dele, e seria seu parceiro em mais sete filmes, inclusive “Tudo que o Firmamento Permite” e “Almas Maculadas”.

Sirk não lhe dava os papéis mais dramáticos. A reverência de “Palavras ao Vento” disse que Rock tinha um “talento mediano”, de maneira que as partes mais dramáticas iam para o segundo ator, Robert Stack. No entanto, era Rock quem chamava o público.

Mas foi “Assim Caminha a Humanidade”, de 1956, de George Stevens, em que teve a companhia de James Dean e Elizabeth Taylor, que o tornou uma notoriedade mundial. Com Taylor, iniciou ali uma amizade que seguiria até sua morte, em 1985. Com Dean, uma inimizade tão profunda que, quando ele morreu num sinistro automobilístico, em 1955, Rock sentiu-se profundamente afetado, pois, admitiu, desejava a morte dele intensamente desde que filmaram juntos.

Com a notoriedade, o cerco da prensa se fechou sobre ele. Por que não se casava?, perguntava a prensa. E se não casava devia que se explicar sobre isso. Nessa hora, foi seu agente quem providenciou uma união de frente com a secretária dele para resolver o caso. E, para enterrá-lo de vez, não hesitou em providenciar entrevistas do planeta com Hedda Hopper e Louella Parsons, duas célebres línguas de trapo da prensa da era.

A segunda tempo da notoriedade veio com a série de comédias românticas que interpretou ao lado de Doris Day, começando por “Confidências à Meia-Noite”, de 1959, produzido por Ross Hunter, o mesmo que o lançara nos melodramas de Sirk.

Desde portanto, ficou marcado por comédias e melodramas, porquê “Quando Setembro Vier”, de 1961, e “Labirintos de Paixões”, de 1962, de Robert Mulligan. Impôs-se porquê ator dramático em “O Segundo Rosto”, de 1966, de John Frankenheimer, e, graças a sua capacidade de esconder a homossexualidade, coube muito até em “Garotas Lindas aos Montes”, de 1971, de Roger Vadim.

Com a novidade notoriedade veio o assédio dos produtores. Mas também o das adolescentes; portanto, mais um motivo para que sua vida dupla fosse mantida em sigilo. Para fora de Hollywood, muito entendido. Mas Wilson trabalhava com força para que as festas gay que promovia em sua mansão fossem célebres exclusivamente em Hollywood.

A personalidade de Rock ajudava nesta tarefa. Quando fez “Não Foram Vencidos”, de 1969, ao lado de John Wayne, a primeira sensação do veterano caubói foi, evidentemente, de estranhamento. Mas os modos afáveis de Rock quebraram o gelo, e eles se tornaram parceiros no jogo de xadrez. Ao final, quando perguntado sobre a sexualidade do parceiro, Wayne desconversava e respondia um tanto porquê “isso não tem preço, o que vale é que ele joga xadrez muito muito.”

Ainda assim, talvez não seja por eventualidade que ele criticou Marlon Frouxo por não ter comparecido à entrega do Oscar por “O Poderoso Chefão”. “Atores podem subir em um varanda, mas acho que muitas vezes é mais grandiloquente permanecer em silêncio”, disse na era.

Sim, a arte de Rock Hudson, desde a puerícia, foi em boa secção a de embuçar, não mostrar o que era. Isso o tornou uma espécie de ator em tempo integral —nas filmagens e fora delas. Sua mana adotiva, Alice Wagner, comentou que ele tentava deleitar a todos o tempo todo, menos a si mesmo.

O legado de Rock Hudson não se limita aos filmes. Passa, enfim, pela obrigação que teve de levar uma vida marcada pelo instinto de sobrevivência desde que o pai abandonou a família quando ele tinha seis anos, e sua mãe teve o segundo casório com um varão que batia nela e no rebento regularmente.

Ambos se refugiavam no cinema, onde passavam horas felizes assistindo aos filmes que chegavam a Winnerka, no estado americano de Illinois, onde nasceu com o nome de Roy Harold Scherer Jr. em 17 de novembro de 1925. Desde portanto, pensou “quando crescer, vou ser ator”.

Pensava, mas mantinha a teoria em sigilo. Em Winnerka, ser ator já era coisa “de mulherzinha”; varão mesmo devia ser policial ou bombeiro.

Estranhamente, foi a revelação da Aids que o libertou da angústia de fingir todo o tempo ser alguém que não era. Foi também a doença, a morte e a exposição, enfim, que ajudaram a fortalecer o movimento gay, não só nos Estados Unidos —o igual e o dissemelhante não eram tão diferentes assim, e nenhuma pessoa poderia ser julgada por sua orientação sexual.

Folha

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