Em meio à névoa da guerra, alguns dos cineastas iranianos mais renomados foram recentemente a público para comemorar o homicídio do aiatolá Ali Khamenei. O líder supremo, contra quem muitos deles se opunham, foi morto por bombardeios de Israel e dos Estados Unidos no último dia 28.
Foi o caso de Mohammad Rasoulof, do qual “A Semente do Fruto Sagrado” concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2025. Antes disso, no Festival de Cannes do ano anterior, ele apareceu de surpresa depois uma fuga cinematográfica, a pé, pelas montanhas —ele recebeu uma sentença de oito anos de prisão sob a querela de reparar contra a segurança do Irã.
Exilado na Alemanha, Rasoulof publicou uma imagem de Khamenei em uma rede social, descrevendo o aiatolá porquê “a figura mais odiada na história contemporânea do Irã”. O premiado cineasta também disse que o recta do povo iraniano de deliberar seu orientação “não pode mais ser suprimido”.
Jafar Panahi, diretor do longa “Foi Unicamente Um Acidente”, possante candidato ao Oscar neste ano, também comemorou —apesar de ter suas ressalvas. “Uma vez que muitas outras pessoas que sofreram neste período, escutar esta notícia me deixou tanto feliz quanto triste”, afirmou Panahi à rede americana NBC. O diretor lamentou que o aiatolá Khamenei não tenha sido recluso e julgado no Irã, por iranianos, porquê queria a oposição.
Nas últimas décadas, artistas iranianos tomaram a risco de frente da dissidência, posicionando-se contra o regime conservador dos aiatolás. Foram vozes altas e claras no debate público, articulando, muitas vezes a partir do exterior, seu insatisfação —por exemplo, com a obrigação do véu que cobre o cabelo das mulheres.
Nas artes plásticas e na retrato, destacou-se Shirin Neshat, com trabalhos premiados nas principais feiras internacionais. A oposição ao regime e a resguardo dos direitos humanos pautou sua obra, assim porquê suas falas. Nos últimos anos, exilada em Novidade York, ela assinou cartas abertas em base aos protestos nas ruas do Irã e pediu o termo do regime de Khamenei. Até a publicação deste texto, não havia informações de porquê reagiu à morte de Khamenei.
Foi o cinema, porém, que se consagrou porquê espaço privilegiado para a sátira social. Alguns cineastas, a partir do exílio, filmaram duras críticas aos aiatolás. Outros se arriscaram a gravar dentro do país, desafiando os censores. Foram perseguidos, coagidos e detidos.
Basta ver os exemplos de Rasoulof e Panahi, que estiveram no cenário internacional dos últimos dois anos. “A Semente do Fruto Sagrado” narra a história de um juiz iraniano em meio aos protestos contra o regime. O filme retrata a violência e a prevaricação do sistema político e celebra as mulheres que se revoltaram contra as normas de vestimenta.
Já o filme de Panahi, “Foi Unicamente um Acidente”, rival de “O Agente Secreto” na premiação deste ano, acompanha um grupo de vítimas de tortura. Eles capturam um varão que parece ser um dos líderes das forças de segurança e precisam deliberar se, e de que maneira, vão puni-lo.
O filme é inspirado, em secção, no período que Panahi passou na prisão. A filmagem clandestina, em locais secretos, contou com uma equipe pequena e durou menos de um mês. Desafiando as normas do regime, as atrizes não cobriram o cabelo com o véu —um gesto aventuroso no país.
Em 2025, “Foi Unicamente um Acidente” ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes. O Irã condenou Panahi a mais um ano de prisão por “propaganda contra o regime”, mas o cineasta estava fora do país promovendo o longa. Agora, diz que planeja retornar. Quando verosímil.
Os diretores conhecidos fora do país, vale expor, não representam toda a variedade do cinema iraniano. “Os filmes aclamados no exterior são somente uma pequena porção dos que são produzidos todo ano”, diz Blake Atwood, professor da Universidade Americana de Beirute e responsável do livro “Reform Cinema in Iran” (cinema de reforma no Irã, em inglês). Em alguns anos, afirma, o país chega a produzir até centena longas.
Há os famosos filmes de arte do comemorado Abbas Kiarostami, porquê “Sabor de Cereja” (1997). Existem também melodramas, comédias e longas de ação que não são críticos ao regime e até o defendem. Desde a revolução de 1979, o governo fez grandes esforços “para transformar a indústria de contrato com sua lógica, valores e prioridades”, diz Atwood.
O regime criou regras e instituiu a repreensão. Por outro lado, também deu base, subvenção e treinamento àqueles alinhados à sua mensagem. Os filmes passaram a fazer secção da máquina estatal —ou a tentar evadir dela. Um momento importante foi o chamado “cinema de sagrada resguardo”, produzido nos anos 1980 durante a guerra entre o Irã e o Iraque. Mas mesmo o cinema desempenado ao regime desafia as generalizações, já que as posições do governo e da oposição mudaram ao longo do tempo.
“O cinema, em universal, desempenha um papel importante no debate público”, diz Atwood. Uma grande secção disso tem a ver com o impacto que os filmes tiveram no exterior e com os prêmios que receberam. “Virou um motivo de orgulho pátrio para muitos iranianos”, afirma.
Nessa complexa história, resta ver o que vai sobrevir nas próximas semanas. A prolongação da guerra e uma verosímil queda do regime reorganizariam essas dinâmicas. Se os aiatolás seguirem no poder, por outro lado, podem recrudescer a vigilância e a punição dos artistas que ainda vivem no país.
Nesse sentido, Panahi disse à rede NBC que tentará usar o cinema para digerir os acontecimentos, no seu tempo. “Terá, é simples, um efeito em mim”, afirmou. “Um dia, isso se revelará em um de meus filmes.”
