Artistas do Theatro Municipal protestam contra gestora 07/11/2025

Artistas do Theatro Municipal protestam contra gestora – 07/11/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

O público que esperava a récita da ópera “Macbeth”, na noite desta sexta-feira (7), no Theatro Municipal de São Paulo, foi surpreendido por um protesto dos corpos artísticos da mansão depois o isolamento do contrabaixista Brian Fountain, que criticou, em suas redes sociais, a atual montagem.

Minutos antes dos vídeos que antecedem a apresentação, músicos da Orquestra Sinfônica Municipal —organizados na Associação dos Músicos do Theatro Municipal, a Amithem—, membros do Coro Lírico —caracterizados uma vez que os personagens da noite— e técnicos da mansão subiram ao palco.

Todos tampavam suas bocas com as próprias mãos em sinal de protesto, enquanto o inferior Claudo Guimarães, representante do coro, lia um oração de muro de dois minutos, repudiando o isolamento de Fountain, criticando a gestão da Sustenidos, gestora do teatro, e defendendo a liberdade de frase.

O grupo condenou a suposta repreensão que estaria sendo realizada pela organização social e que vem recebendo uma série de críticas nos últimos tempos por ditas falhas na gestão.

“Estamos em oposição à gestão da Sustenidos e à atual diretoria da Instauração Theatro Municipal”, disse Guimarães. “Declaramos que ninguém que chega e passa nos fará silenciar. Somos os artistas do Theatro Municipal de São Paulo, patrimônio impalpável dessa cidade. Honramos nossa história e protegeremos essa mansão, que é também a mansão de vocês.”

“Entendam que tudo que queremos é trabalhar em silêncio. E demandamos dos nossos gestores o mesmo que demandam de nós: cultura, dedicação e moral. Necessitamos de ajuda neste momento difícil para que o teatro volte a ocupar o coração da cidade.”

Depois isso, gritaram “pela liberdade de frase” e “não à vexação”, enquanto a plateia aplaudia.

Com direção cênica de Elisa Ohtake e regida pelo maestro Roberto Minczuk, a atual montagem despertou os ânimos desde a sua estreia, na sexta-feira passada (31), quando segmento do público vaiou a produção no momento em que se exibe um vídeo dos protagonistas —Macbeth e Lady Macbeth— indo nos camarins ou fora do teatro, enquanto o cenário é trocada para a cena de um boda.

Na récita desta sexta, isso se repetiu, com segmento do público gritando durante essa transição. Era verosímil ouvir reclamações uma vez que “vergonha de direção”, “desrespeito à ópera”, “uma vez que se aceita um negócio desse?”, enquanto segmento do público pedia silêncio.

Nesta noite, a Orquestra Sinfônica Municipal já havia divulgado, em suas redes socais, uma nota repudiando a medida disciplinar contra Fountain.

Procurada na última quinta (6), a Sustenidos afirmou que não comenta procedimentos internos de gestão de pessoas, “com o intuito de preservar os colaboradores”.

Em suas redes sociais, Fountain chamou a montagem de “Macbeth” de “devastação da ópera e da música clássica no TMSP.”

Segundo o documento de suspensão disciplinar —por um período de um mês, sem recta a salário—, as publicações no Instagram têm “teor ofensivo e calunioso contra o empregador”. Outrossim, segundo o texto, representa falta grave, conforme a legislação trabalhista brasileira.

“Labareda atenção o prazo da penalidade de 30 dias, porque é o sumo permitido pela CLT”, diz o jurisconsulto do músico, Gabriel Franco. “Medidas disciplinares dessa duração são extremamente raras, sendo cabíveis somente em situações de gravíssima conduta funcional, o que não se verifica no caso.” Para o jurisconsulto, os posts de Fountain se encaixam uma vez que liberdade de frase.

O incidente acontece em meio a uma guerra ideológica que foi conflagrada, nos últimos quatro anos, nesse que é um dos palcos mais importantes do país. De um lado, a Sustenidos é acusada de ter direção artística orientada por pautas ligadas à esquerda, envolvendo a procura por mais volubilidade e a desconstrução da ópera, da música clássica e da dança contemporânea.

Do outro, vereadores conservadores, aliados a Ricardo Nunes (MDB), se posicionaram contra a gestora, por uma suposta doutrinação ideológica no teatro.

No mês pretérito, o prefeito Ricardo Nunes pediu a rescisão do contrato da administradora Sustenidos com o teatro. Isso aconteceu depois o diretor de elenco do Municipal, Pedro Guida, ter compartilhado um vídeo visto por segmento dos espectadores uma vez que uma comemoração do homicídio do influenciador trumpista Charlie Kirk.

Folha

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