
Luis Fernando Verissimo, um dos maiores escritores do Brasil, morre aos 88 anos
Artistas e escritores lamentaram neste sábado (30) a morte de Luis Fernando Verissimo, um dos maiores escritores do Brasil, aos 88 anos. Ele ficou internado por muro de três semanas na UTI do Hospital Moinhos de Vento, em razão de um princípio de pneumonia.
A obra do romancista se espalhou pela TV, cinema e teatro depois lucrar o Brasil nas páginas dos jornais e livros. O repórter teve mais de 70 títulos publicados e 5,6 milhões de cópias vendidas, entre crônicas, romances, contos e quadrinhos. (leia mais aquém)
Em entrevista à GloboNews, a escritora e jornalista Cíntia Moscovich, amiga de Verissimo, lembrou o legado do repórter. “Ele fazia questão de estar muito próximo de todos nós, que vivíamos a literatura”, disse.
“Verissimo estreitava e formava um núcleo agregador em Porto Feliz e no Brasil, que fazia com que a gente se comunicasse com os vários ‘Brasis’ que existem, em termos literários e afetivos”, acrescenta. “Luis Fernando estava sempre presente — e não era muito de falar, mas de olhar.”
Veja o relato completo:
Cíntia Moscovich fala sobre a morte de Luis Fernando Verissimo
Nas redes sociais, o cartunista Angeli prestou homenagem e manifestou solidariedade à família do repórter. “Todo paixão para Lúcia, Fernanda, Mariana, Pedro e família. Incontável é ‘o pai'”, escreveu.
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Verissimo tinha Parkinson e problemas cardíacos – em 2016, implantou um marcapasso. Em 2021, o repórter sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e, segundo a família, enfrentava dificuldades motoras e de informação.
O repórter deixou a mulher, Lúcia Helena Tamanho, três filhos e dois netos.
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Informalidade herdada do pai
Veríssimo nasceu em Porto Feliz, em 26 de setembro de 1936. Viveu secção da puerícia nos Estados Unidos porque o pai, o repórter Erico Verissimo, um dos maiores nomes da literatura vernáculo, responsável de obras uma vez que “O Tempo e o Vento”, dava aulas de literatura brasileira nas universidades de Berkeley e de Oakland.
“Meu pai foi um dos primeiros escritores brasileiros a grafar de uma maneira mais informal. E eu acho que herdei um pouco isso. Essa informalidade na maneira de grafar”, disse.
5,6 milhões de livros vendidos
A curso começou no jornal Zero Hora, de Porto Feliz, onde começou uma vez que revisor em 1966. No Rio de Janeiro, trabalhou uma vez que tradutor.
O primeiro livro, “O Popular”, foi publicado em 1973. Ao todo, Verissimo teve mais de 70 livros publicados e 5,6 milhões de cópias vendidas, entre crônicas, romances, contos e quadrinhos.
O repórter também escrevia colunas para os jornais “O Estado de S.Paulo”, “O Mundo” e “Zero Hora”.
Modesto nos hábitos e nas declarações, Verissimo ainda vivia na lar onde cresceu depois do retorno ao Brasil. O imóvel no Bairro Petrópolis, em Porto Feliz, foi comprado em 1941 pelo pai.
O escritório onde Erico trabalhava é conservado virgem pela família. Circunvalado de livros, Luis Fernando tinha o hábito de grafar em outro cômodo da lar, onde também guardava o saxofone e dezenas de discos e CDs de jazz.
Metódico, só interrompia o trabalho quando a mulher, Lúcia, o chamava para o almoço. Já à noite, parava para presenciar ao Jornal Vernáculo. Quando queria curtir seu estilo de música preposto, o fazia sem distrações. “Música é sentar e ouvir”, disse em entrevista em 2012.
‘Ed Mort’, ‘comentador de Bagé’ e outros personagens
O humor de contos e crônicas marcou sua obra. Entre os personagens mais conhecidos criados por ele estão os de “Ed Mort e outras histórias”, de 1979, “O comentador de Bagé”, de 1981 e “A velhinha de Taubaté”, de 1983.
Também criou a tirinha “As cobras”, publicada na “Folha da Manhã”, nos anos 70. “Comédias da vida privada”, de 1994, deu origem à série da Rede Mundo produzida durante os três anos seguintes.
“Um duelo porque o humor de televisão, ao contrário do que possa parecer, é mais difícil de fazer que o humor impresso, o humor gráfico, vamos expor assim (…) Não tenho uma vocação humorística, mas consigo eventualmente produzir humor. Mas é uma coisa mais deliberada, mais pensada, do que espontânea, no meu caso”, disse em entrevista na estação.
No final da dez de 80, foi um dos roteiristas do programa de humor “TV Pirata”. Entre sucessos comerciais também estão “Comédias para se ler na escola” e “As mentiras que os homens contam”, de 2000.
Um repórter e músico tímido
Quando morou nos Estados Unidos, Veríssimo estudou no Roosevelt High School, em Washington. Foi lá que desenvolveu o sabor pelo Jazz e teve aulas de saxofone. Mas, por trás do saxofone e das páginas dos livros, se escondia um rostro tímido.
“Minha timidez é… Por exemplo: tenho horror de fazer isso que estou fazendo agora: dar entrevista, falar em público e tal. Eu sempre digo que não dominei a arte de falar e grafar ao mesmo tempo, são duas coisas que se excluem, logo é nesse sentido é que se manifesta a minha timidez”, disse à RBS TV.
Mas, a economia nas palavras não se aplicava às máquinas de grafar e, depois, aos computadores. O responsável tímido tinha muita coisa para falar. “Essa é uma das vantagens da crônica. A gente pode ser o que quiser escrevendo uma crônica”.
A cada homenagem que recebia, uma vez que quando fez 80 anos, mais provas de que não precisava de longas conversas para arrancar uma risada. “Têm sido tão agradáveis as homenagens, inclusive da família, que eu tô pensando em fazer 80 anos mais vezes”, brincou.
Em entrevista ao programa “GloboNews literatura”, em 2012, ele falou sobre o seu sabido comportamento introspectivo. Publicado por respostas concisas em entrevistas, Luis Fernando Verissimo negou que fosse uma pessoa calada. “Não sou eu que falo pouco, os outros é que falam muito”.
Paixão pelo futebol e pelo Inter
Além do jazz e da literatura, o futebol era outra das paixões de Luis Fernando Verissimo. Mais especificamente o Inter, time ao qual declarou fidelidade em diversas oportunidades e que foi tema do livro “Internacional, Autobiografia de uma Paixão”. Em entrevista em abril de 2012, lembrou de seu jogo inolvidável, um clássico Gre-Nal, que também foi sua primeira partida em um estádio de futebol.
“Lembro a emoção de estar em campo. Só ouvia futebol pelo rádio. Ali, uma muro nos separava dos jogadores. Dava para ver as feições, sentir a respiração deles. Eu estava vendo as cores do jogo, uma sensação completamente dissemelhante. Nunca vou me olvidar também do cheiro de grama”, contou, sobre o Estádio dos Eucaliptos, antiga lar do Inter.
Cobriu Copas do Mundo desde 1986, edição em que lamentou a eliminação do Brasil nos pênaltis diante da França nas quartas de final – mais uma partida marcante, revela. Pelo Inter, listou outras tantas. Falava com satisfação da final do Brasileirão de 1975 e do tricampeonato invicto em 1979.
Sobre o título do Mundial de Clubes de 2006, vencido pelo Inter, escreveu a crônica “Não me acordem”, celebrada por colorados. “Vejo uma vez que o triunfo do Gabiru (responsável do gol), o grande herói que era criticado. Alguma coisa meio melodramático. Foi um momento de sonho. Antes do jogo, o sentimento era: ‘Se perder de pouco, está bom’”, recordava.
Repórter brasílico Luis Fernando Verissimo
Mateus Bruxel/ Filial RBS
Fonte G1
