Bad Bunny é o artista internacional mais ouvido no Brasil

Bad Bunny é o artista internacional mais ouvido no Brasil – 21/02/2026 – Ilustrada

Celebridades Cultura

No rastro de uma apresentação histórica no Super Bowl e de shows em São Paulo na sexta-feira (20/2) e no sábado (21/2), Bad Bunny vem surfando uma vaga de popularidade inédita e repentina no Brasil.

O porto-riquenho, que nunca havia tropológico entre os 50 cantores mais tocados do Spotify no país desde que começou a trovar, há quase uma dezena, agora frequenta o topo do serviço de streaming de música mais popular entre brasileiros.

Na semana que sucedeu a final da National Football League (NFL), principal liga de futebol americano, ele chegou à 12ª posição. Nesta semana, caiu para a 24ª. Mas em ambas foi o estrangeiro mais tocado do país, detrás unicamente de estrelas do funk e do sertanejo.

No YouTube, outra das principais plataformas de consumo músico no Brasil, ele também é o artista internacional mais popular do momento, ocupando a 76ª colocação na lista dos mais ouvidos.

Em um mercado competitivo porquê o do Brasil, o país que mais ouve sua própria música no mundo, oriente é um feito não unicamente para ele, mas para qualquer artista internacional.

O exemplo de Taylor Swift ilustra muito isso. Apesar de ser a estrangeira mais muito posicionada no ranking desta semana depois de Bad Bunny, ela ficou unicamente na 59ª colocação.

“DtMF”, a principal filete do comemorado álbum “Debí Tirar Más Fotos”, do porto-riquenho, ocupou o 14º lugar no Spotify na semana passada, muito avante da segunda música estrangeira mais tocada —”The Fate of Ophelia”, de Swift, com o 66º. Ambas acabaram de desabar, mas continuam na liderança entre os gringos.

Mas esse sucesso recente de Bad Bunny pode estar mais relacionado à sua performance no Super Bowl do que à sua música, impulsionada pela televisão e a internet, que levaram os brasileiros a se encantarem pelos símbolos latinos que o artista propagou na apresentação. É o que dizem especialistas ouvidos pela BBC News Brasil.

A vitrine da Orbe e da internet

O show de Bad Bunny no pausa do Super Bowl durou menos de 15 minutos, mas repercutiu para muito além do campo de futebol nos periferia de Los Angeles.

Embora seja uma tradição nos Estados Unidos há décadas, esta foi a primeira vez em que a apresentação foi transmitida no Brasil pela televisão oportunidade. A Orbe exibiu, depois do Big Brother Brasil (BBB), os melhores trechos do show e da partida em si. O concerto na íntegra foi exibido no Multishow, e o jogo, no SporTV.

Somando todas as suas plataformas, que incluem ainda o GE TV, na internet, a Orbe atingiu 12,9 milhões de pessoas com a cobertura do evento.

Foi um canhão de audiência não só na televisão, mas também na internet, onde trechos da apresentação foram reproduzidos milhões de vezes no país, diz Breno Soutto, diretor de análises do Buzzmonitor, uma multinacional especializada na coleta e na avaliação de dados de redes sociais.

O nome do cantor apareceu em 218,5 milénio publicações na segunda-feira depois o Super Bowl, muito menos do que a média de 2025, de 486 menções diárias.

Ao longo da semana, ele foi ainda o terceiro tema mais comentado na rede social X, detrás —por pouco— de campanhas dos internautas contra dois participantes emparedados do BBB.

No Instagram, a apresentação viralizou porquê um todo, mas um trecho em específico chamou atenção: aquele em que o cantor pede que “Deus abençoe a América” —mas não unicamente os Estados Unidos, país que em inglês se autodenomina “America”, e sim as dezenas de territórios que compõem o continente.

O post mais bem-sucedido entre os perfis brasileiros que compartilharam esse clipe teve 5,7 milhões de visualizações, 754 milénio curtidas, 50,7 milénio compartilhamentos e 3,4 milénio comentários, segundo o Buzzmonitor.

Orgulho latino

Embora pesquisas porquê a do Meio Brasílio de Estudo e Planejamento (Cebrap) apontem que unicamente 4% da população brasileira se reconhece porquê latino-americana, o sentimento de união entre latinos, impulsionado pelo enfrentamento ao presidente americano, Donald Trump, foi o principal fator que despertou esse engajamento.

Esta é a avaliação de Rafael Noleto, doutor em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP) e professor da Universidade Federalista de Pelotas, no Rio Grande do Sul. Ele vem se especializando no estudo dos entroncamentos entre o Brasil e os demais territórios latino-americanos, principalmente no que diz reverência à cultura.

Trump, acrescenta o antropólogo, tem atacado sistematicamente a América Latina, tendo inclusive já citado a teoria de reativar a chamada Ensinamento Monroe, que ampliou intervenções políticas, militares e econômicas contra países da América Latina, levando a região a ser conhecida porquê o “quintal dos Estados Unidos”.

Sua visão encontra respaldo nas análises do Buzzmonitor, segundo as quais a maior secção das menções a Bad Bunny nas redes sociais (75,93%) esteve associada a sentimentos positivos, enquanto 15,25% foram negativas. Outras 8,82% foram classificadas porquê neutras.

“Nunca terá um banco com 75% de posts positivos. Será o contrário”, diz Soutto. “Mas mesmo questões culturais, porquê Carnaval, vai ter gente dizendo que é lícito, mas mais gente dizendo que, se o brasílico protestasse o quanto ele faz sarau, o país estaria melhor. Ninguém vai à internet para falar muito de zero.”

Soutto amplia o exemplo ao reportar outros artistas, porquê Taylor Swift, figura de porte semelhante ao de Bad Bunny. No Brasil, as publicações que mencionam o nome da cantora registram, em média, 22,56% de manifestações negativas e 23,36% de avaliações neutras —percentuais que reduzem a fatia de positivas para 54,36%.

A estudo não é feita unicamente com base em palavras-chave associadas à positividade, negatividade ou neutralidade, mas por meio de um programa de perceptibilidade sintético capaz de identificar aspectos contextuais, porquê a ironia, de congraçamento com Soutto.

“Com Bad Bunny depois o Super Bowl foi um engajamento passional, uma coisa meio Despensa do Mundo, com o povo doido gritando: é —também— do Brasil!”, diz o executivo.

Fale muito ou fale mal, mas fale de mim

A parcela de brasileiros que reprova o cantor nas redes sociais é de 15,25%, segundo o Buzzmonitor. Embora seja minoritária, precisa ser considerada.

As publicações mais bem-sucedidas contra o porto-riquenho depois o Super Bowl vieram de contas ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), segundo a sucursal. O post mais popular foi feito por Eduardo Bolsonaro no Instagram, com 181,4 milénio curtidas.

Segundo o ex-deputado, o artista teria se aproveitado do Super Bowl “para fazer protesto contra Donald Trump e o ICE”, citando a sucursal responsável pela fiscalização de imigração nos Estados Unidos, mormente a proibido. “Além de inapropriado, uma lacração que ninguém suporta mais”, acrescentou o político.

Para Rafael Noleto, essa parcela de brasileiros que Eduardo Bolsonaro representou espelha, de certa forma, o racha político que atravessa o Brasil em qualquer taxa.

“Isso reflete uma postura acrítica de certa parcela da população brasileira em relação aos Estados Unidos, enquanto Bad Bunny traz uma sátira frontal a oriente país. Se brasílico fosse, ele também faria críticas a determinados pontos de vista da direita e da extrema direita no Brasil”, diz o antropólogo.

Vestuário é que fazer críticas negativas na internet rende engajamento, acrescenta Soutto, do Buzzmonitor, de forma que mesmo os ataques podem ter levado a uma procura por Bad Bunny para saber quem é ele e o que ele canta.

Pico momentâneo ou fenômeno perdurável?

A pergunta que fica é se, depois deixar o Brasil, Bad Bunny continuará bem-sucedido nas paradas musicais do país.

É uma questão difícil de responder, já que há fatores imprevisíveis —porquê uma eventual parceria com um artista brasílico, capaz de impulsioná-lo novamente.

O porto-riquenho afirmou que não faria um dueto antes de saber melhor os músicos do país e sentir um libido genuíno de colaboração. Em seguida a visitante, esse cenário pode mudar.

No entanto, desconsiderando essas variáveis, os analistas ouvidos pela reportagem avaliam que a tendência é de queda.

O recuo já aparece nos rankings do Spotify, com a passagem da 12ª para a 24ª posição na última semana, e também no volume de menções nas redes, que despencaram de 218,5 milénio na segunda-feira retrasada para 62,5 milénio na terça, 24 milénio na quarta e assim por diante.

Ainda assim, a conexão de sua obra com o Brasil é inegável. Isso não unicamente pelas questões políticas e sociais compartilhadas entre porto-riquenhos e brasileiros, mas também pela sua sonoridade —que remete a uma mesma matriz africana enxurro de semelhanças com a música produzida no país —e por elementos visuais que atravessam sua curso.

Um exemplo é a cobertura do álbum “DtMF”, com cadeiras de plástico diante de bananeiras —símbolos recorrentes em festas e botecos de diversos países da América Latina.

“Temos idiomas diferentes, mas nossos universos conversam: todos sofremos processos de colonização e todos somos alvos do imperialismo dos Estados Unidos. Essas afinidades, quando acionadas pelo Bad Bunny, nos tocam muito, porque elas nos lembram de quem somos”, diz Noleto.

Folha

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