Quase todos os movimentos que Bad Bunny fez durante o show do pausa do Super Bowl neste mês foram analisados por seu significado cultural. Mas ainda há mais a expressar sobre um deles.
Aconteceu durante o segmento devotado a um enlace, quando Bad Bunny pegou Lady Gaga pela mão e a conduziu até a pista de dança. A música era “Dança Inolvidable” (ou “Dança Inolvidável”), e enquanto ele galantemente a guiava em círculos ao seu volta, Bad Bunny não estava fazendo qualquer dança. Era salsa.
A dança de salsa —uma forma de dança a dois com giros entrelaçados e ritmos afro-caribenhos— tem um grande número de seguidores ao volta do mundo. Mas quando Bad Bunny lançou “Dança Inolvidable” no início de 2025, muitos ficaram surpresos que um artista divulgado por reggaeton e Latin trap tivesse lançado uma fita de salsa. O que veio depois foi também inesperado: uma vaga de interesse pela dança de salsa, mormente entre os jovens. Uma vaga sentida imediatamente na cena de Novidade York.
“A música se tornou um clássico momentâneo”, disse o DJ e professor de dança Engels Vargas. “Uma música que tocam toda noite quando você sai.”
Talia Castro-Pozo contrata bandas de salsa para suas festas dançantes Latin Mondays há 20 anos. Ela também ajuda a organizar eventos de salsa ao ar livre em Novidade York todo verão. Os do ano pretérito estavam lotados, ela disse: “Realmente vimos uma vez que os números mudaram por razão de mais jovens. Essa novidade geração —eles não dançam tanto em par, estão sempre no celular. Mas quando essa música tocava, todo mundo estava na pista de dança.”
O efeito foi sentido ainda mais fortemente nas aulas. Nas últimas décadas, elas vinham perdendo seu apelo entre os alunos jovens, disse Eli Perez, um dos proprietários do Lorenz Latin Dance Studio em Queens. Mas logo a fita de Bad Bunny foi lançada: “E boom, minhas turmas dobraram de tamanho”, ele disse, “e eu tinha dançarinos jovens de volta no estúdio.”
No final de 2025, o fluxo de novos dançarinos havia minguado, mas o show do Super Bowl parece estar iniciando uma novidade vaga. Castro-Pozo disse que seu evento no dia seguinte já estava “pleno de rostos novos”.
A vaga de salsa do Bad Bunny não se limitou a Novidade York. A dançarina porto-riquenha Tamara Livolsi dedicou sua vida à salsa por um quarto de século e nunca esteve tão ocupada quanto no último ano, se apresentando e ensinando em eventos de salsa pela América Latina e Europa. “Tem sido positivamente contagiante”, ela disse.
Há uma razão privativo para Livolsi estar particularmente em demanda. No videoclipe de “Dança Inolvidable”, Bad Bunny humildemente se esforça em uma lição de dança que se transforma em uma sequência de fantasia. Livolsi interpreta a professora. Ela também coreografou o vídeo, que é essencialmente uma propaganda, ao mesmo tempo desarmante e sedutora, para todas as aulas de dança de salsa. Não é de contemplar que as matrículas dispararam.
Para muitos na comunidade da dança de salsa, porém, a influência de Bad Bunny não é somente sobre números. Gael Seraphin, que organiza vários eventos regulares de salsa em Novidade York, acredita que o álbum serviu uma vez que uma ponte entre gerações.
“Os filhos querem ser diferentes dos pais”, ele disse. “O que os pais faziam antigamente não é o que os filhos querem fazer agora. Mas Bad Bunny está voltando às suas raízes, à música que tocava em sua mansão quando ele estava crescendo. O álbum dele uniu os filhos e os pais.”
Quando a salsa surgiu uma vez que gênero, nos anos 1970, era o estilo com o qual uma novidade geração se distinguia. O que veio antes foi o mambo, uma forma afro-cubana, particularmente uma vez que desenvolvida por imigrantes cubanos e porto-riquenhos em Novidade York nos anos 1940 e 1950.
O mambo adicionou percussão e ritmos afro-cubanos à instrumentação do jazz de big band. Porquê dança, o mambo, cruzando o son cubano com danças afro-americanas de jazz uma vez que o Lindy Hop, alternava entre giros em par e improvisações solo separadas. O plumitivo Anatole Broyard descreveu a forma uma vez que os dançarinos brincavam com o ritmo uma vez que “triunfar sobre o tempo”. Os praticantes mais avançados —latinos, mas também afro-americanos, italianos e judeus— podiam ser encontrados no Palladium Ballroom em Midtown Manhattan, até seu fechamento em 1966.
Naquela era, o mambo estava começando a parecer arcaico para latinos criados com rock ‘n’ roll e R&B. Muitos ansiavam por expressões mais abertas de orgulho racial e ativismo político. Do mambo e suas raízes cubanas, essa geração desenvolveu um som mais seco e vigoroso que foi rotulado com uma referência culinária a ingredientes misturados: salsa. Um filme-concerto de 1972 com músicos da Fania, a gravadora dominante da salsa, foi chamado “Our Latin Thing”, encapsulando uma mensagem e estilo que se tornaram tão populares pela América Latina que surgiram discussões sobre qual país merecia ser considerado o lar da salsa.
A dança que a acompanhava era similar em estilo ao mambo (e ao cha-cha-chá relacionado) e era comumente chamada por esse nome. Com linhas de inferior que perpetuamente se moviam primeiro de onde a música estava prestes a ir, a música tinha um impulso fluido que os dançarinos podiam escoltar. Nos anos 1980 e 1990, o som original da salsa foi substituído por uma versão mais suave e polida eventualmente chamada de salsa romântica —que mais tarde foi comercialmente superada pelo merengue e bachata de origem dominicana. Mas a dança de salsa estava mudando de outras formas.
Mediano para essas mudanças foi o professor Eddie Torres, que, ao treinar dançarinos para sua trupe profissional nos anos 1980, codificou uma abordagem rítmica privado para a dança de salsa (chamada “on 2”) que era mais próxima do estilo Palladium. Do hustle, ele adotou giros em par mais complicados e continuamente em loop, entrelaçamentos complicados em subida velocidade. Passos solo foram nomeados e divididos em contagens.
Torres e seus discípulos dominaram uma explosão no ensino de dança de salsa em Novidade York. Grande número de latinos começou a ir a aulas para aprender dança social, em vez de aprender informalmente com amigos e família. Isso era novo —e às vezes era menosprezado por dançarinos mais velhos.
Dançarinos treinados no estilo de estúdio começaram a se reunir em eventos informais chamados socials, comumente associados a uma escola, onde o foco era na dança em vez de bebida ou romance. Jimmy Anton, um discípulo de Torres, começou o primeiro em 1993, e ele ainda acontece várias vezes por mês. Em clubes públicos, dançarinos treinados em estúdio às vezes não conseguiam se entrosar com dançarinos mais casuais que não seguiam as mesmas regras.
Mesmo enquanto a música salsa estava perdendo seu alcance mercantil no início dos anos 2000, a indústria da dança de salsa estava crescendo globalmente não somente com aulas e socials, mas também congressos, onde centenas ou milhares de dançarinos se encontram em salões de hotéis por dias de aulas, apresentações e festas dançantes. Há centenas desses a cada ano, evidência de uma subcultura da salsa que geralmente não é afetada pela cultura popular mainstream.
Portanto Bad Bunny fez uma música de salsa.
“Os dançarinos de salsa de Novidade York são famosos por serem esnobes com sua música”, disse a dançarina e pesquisadora Ahtoy Juliana. “Preservamos o pretérito continuando a dançar músicas de uma geração ou duas gerações detrás, logo quando música novidade sai, tendemos a torcer o nariz para ela.”
A repudiação imediata não foi a reação à música de Bad Bunny, porém, o que surpreendeu Juliana. Mesmo em socials uma vez que o de Anton ou o organizado pelos populares professores Joel Dominguez e Maria Palmieri chamado La Vieja Guardia, ou A Velha Guarda ou Velha Escola —os frequentadores também o chamam de igreja— a música foi aceita.
“Sempre ficamos com susto quando a salsa se torna popular de novo —de que estamos continuando a comercializar ainda mais essa coisa que amamos, de que vai permanecer diluída”, disse Juliana. “Mas Bad Bunny e suas letras se conectam a uma comunidade genuína e autêntica.”
Leste é o outro lado de uma vez que Bad Bunny está mudando a atitude dos jovens em relação à salsa. Porquê Livolsi, a professora de Bad Bunny, colocou: “Os veteranos geralmente não dão chance a novos músicos, mas Bad Bunny abriu suas mentes.”
Bad Bunny não é um dançarino experiente — onge disso. Por essa razão, sua dança dá a todos permissão para participar, independentemente de suas habilidades.
“Baila sin miedo”, ele disse no final daquele segmento. Ou, em português: Dance sem susto.
Leste texto foi publicado originalmente cá.
