O trailer do aguardado jogo “Battlefield 6” começa com um presidente dos Estados Unidos, imaginário, lamentando. É 2027, e uma série de países europeus se retiraram da Otan. O homicídio de um medalhão abala o mundo e desencadeia um conflito mundial.
Com a Organização do Tratado do Atlântico Setentrião desidratada, uma corporação militar privada tenta preencher o vácuo deixado pela velha ordem mundial.
“Meus compatriotas, hoje é um dia sombrio na história”, diz o presidente americano —seu rosto não é revelado por completo, mas pelo tom da pele e jeito de falar, não parece fazer referência a Donald Trump.
Acaba o oração e vem a trilha. “Masters of Wars”, de Bob Dylan, vem encadeada por cenas de devastação. No ano de 2027, regiões porquê o Brooklyn, em Novidade York, se tornam zonas de guerra.
“Masters of War”, de harmonia com o que o próprio Dylan disse à USA Today, em entrevista em 2001, faz referência ao oração de Dwight D. Eisenhower ao se despedir da presidência dos Estados Unidos, em janeiro de 1961, no qual ele alertava para os perigos de um tal “multíplice militar-industrial”, cuja influência crescia dentro do establishment americano.
É um trailer que anuncia uma história encharcada de política, matéria-prima de qualquer guerra. O jogo aponta para lugares reais e traz referências culturais reais. Mas segundo os criadores do jogo, “Battlefield 6” é só entretenimento blockbuster.
“É uma história lícito que achamos que as pessoas vão descobrir divertida”, diz Byron Beede, gerente universal da franquia na Electronic Arts.
Fazer qualquer meneamento para a guerra da Rússia contra a Ucrânia ou Israel e Hamas está fora de cogitação para os executivos da EA.
“A gente não quer fazer uma confrontação direta com um pouco que esteja acontecendo no mundo agora. Isso sempre exige, sabe, um desvelo”, diz Vince Zampella, vice-presidente executivo da EA. “É preciso ser respeitoso, principalmente com conflitos acontecendo e pessoas morrendo. Evitar glorificar qualquer um dos lados desse tipo de conflito.”
“É um pouco plausível e que provavelmente pode intercorrer no porvir, mas não é inspirado em nenhum conflito real”, diz Zampella.
O jogo pode não assumir ter uma mensagem a passar, mas as entrelinhas gritam a representação dos Estados Unidos enquanto último bastião da resistência contra as forças do mal.
A versão multiplayer de “Battlefield 6” foi apresentada para streamers, criadores de teor e jornalistas, que tiveram a chance de jogar murado de quatro horas do jogo, nesta quarta-feira (30), em Los Angeles. O jogo será lançado no dia 10 de agosto deste ano.
Entre os cenários, o jogador poderá combater numa Cairo sitiada, no estreito de Gibraltar, nas montanhas do Tajiquistão e no Brooklyn, em Novidade York.
O usuário poderá escolher entre quatro classes diferentes de combatentes. Na classe de assalto, os soldados da risca de frente. Os engenheiros visam os veículos, de tanques e helicópteros. A classe de suporte fica mais na defensiva e auxilia os outros integrantes do time com munição e saúde. Já a classe Recon se concentra em infiltração e tiros de precisão.
Outra novidade será a possibilidade de produzir e editar mapas, o que parece um meneamento ao público mais jovem, mas segundo Zampella, o foco de “BF6” está nos mais velhos, pelo menos por enquanto.
Segundo a Newzoo, “Battlefield” não está entre as dez franquias mais jogadas pela geração Z. Nesse ranking figuram “Minecraft”, “GTA”,”Fortnite”, “Roblox”, “Mario”, “Fifa” e “Call of Duty” —o grande concorrente de “Battlefield”.
“A franquia tem mais de 20 anos. Tem pessoas que estão conosco desde o início. Esses fãs precisam ser atendidos. Se não tivermos esse núcleo, se não fizermos essa base de fãs feliz, o que estamos fazendo?”, diz Zampella.
Andrew Wilson, o CEO da EA, disse recentemente, em conversa com investidores, que “Battlefield 6” não é exclusivamente um novo resultado, mas uma novidade plataforma. A enunciação dá o tom da relevância desse lançamento, mas a EA nega que o título tenha a sede de se tornar o principal resultado da empresa.
Há quem diga que o gênero first-person shooter, ou FPS (tiro em primeira pessoa), esteja saturado e que seja quase impossível inovar nesse gênero.
“Eu venho ouvindo isso há 20 anos. É ainda o gênero mais popular até hoje”, diz Zampella. “Portanto eu diria que esse papo é uma bobagem.”
No célebre experimento “Diante da Dor dos Outros”, a escritora Susan Sontag labareda atenção para a ineficiência da retrato de guerra no processo de inspirar nas pessoas um sentimento antiguerra. “Ser testemunha de calamidades que acontecem em outro país é uma experiência tipicamente moderna — fruto cumulativo de mais de um século e meio desses turistas profissionais e especializados conhecidos porquê jornalistas. Guerras agora também são cenas e sons de sala de estar”, escreve Sontag.
Segundo ela, que analisa a retrato de guerra, não importa muito a intenção do responsável da imagem. O fotógrafo pode ter o intuito de passar uma mensagem, um ativismo pacifista. Guerras são raramente impopulares entre a população universal, ela segue. Por isso, se não houver naquela pátria um sentimento preexistente e possante de protestos contra o conflito em questão, a imagem do fotógrafo-ativista antiguerra poderá transpor pela culatra e servir justamente para substanciar a aura de heroísmo do conflito. As imagens de atrocidades viram um pouco sedutor até.
Não há relatos de que Sontag, que morreu em dezembro de 2004, tenha jogado multiplayer de tiro. Um paralelo com os games, porém, não é de todo descabido. Se “Battlefield” traz uma guerra fictícia a nossas salas de estar, não importa muito a intenção dos criadores do jogo.
Se é exclusivamente entretenimento ou se quer passar uma mensagem política, vai permanecer aí sabor do freguês. E os consumidores desse tipo de game, em universal, dificilmente estarão muito interessados nos transbordamentos estéticas e ideológicas desse tipo de resultado cultural.
Dar tiros de bazuca em belos cenários cinematográficos é risonho. E ponto. Não dá tempo de permanecer pensando na Otan ou no multíplice industrial militar. E se morrer, é só esperar o “respawn” e subir num tanque.
O jornalista viajou a invitação da EA
