Blocos LGBTQIA+ do Rio de Janeiro pregam alegria e pluralidade

Blocos LGBTQIA+ do Rio de Janeiro pregam alegria e pluralidade

Brasil

A partir de uma farra de carnaval, o Rio de Janeiro ganhou no dia 4 de março de 2018 o conjunto Sai, Hétero, nascido porquê resposta ao preconceito contra a comunidade LGBTQIA+.

“Hoje, ele é um projeto cultural, consolidado no carnaval do Rio e que recebe mensagens de gente de Roma, Paris, da galera de Manaus vindo para o Rio de Janeiro e querendo saber a data do desfile para se programar”, conta o fundador e presidente do conjunto, Vitor Ribeiro.

No próximo dia 24, o Sai, Hétero fará seu primeiro “esquenta” solene do carnaval de rua, reunindo artistas e convidados na Marina da Glória, dentro do Parque do Flamengo, com tema sempre voltado para as pessoas LGBTQIA+. “É um evento conjunto, com fantasia livre”, disse Ribeiro. Os participantes apostam que o meio do Rio “vai ferver no ritmo do carnaval mais matizado, diverso e entusiasmado da cidade”. Informações podem ser encontradas no Instagram do conjunto.


21/01/2026 - Rio de Janeiro - Blocos LGBTQIA+ do Rio de Janeiro pregam alegria e pluralidade. Bloco Sai Hétero. Foto: Saulo Costa/ Bloco Sai Hétero
21/01/2026 - Rio de Janeiro - Blocos LGBTQIA+ do Rio de Janeiro pregam alegria e pluralidade. Bloco Sai Hétero. Foto: Saulo Costa/ Bloco Sai Hétero

 Conjunto Sai Hétero sai na terça-feira de carnaval – Saulo Costa/ Conjunto Sai Hétero

Mas a celebração maior do carnaval 2026 do Sai, Hétero ocorrerá no dia 17 de fevereiro, embora ainda sem sítio definido, que é sempre fora da programação do carnaval de rua da prefeitura.

“A gente prefere fazer um evento fechado por motivos de segurança porque, no carnaval, as pessoas ficam muito expostas e acontecem muitos acidentes em eventos abertos”, explicou Vitor Ribeiro.

O nome Sai, Hétero é um conjunto criado para que as pessoas LGBT+  possam ter seu espaço. Os eventos do conjunto são realizados sempre na região mediano da cidade. No ano pretérito, por exemplo, ocorreu na Terreiro Marechal Âncora.

O conjunto tem um público muito leal, estimado entre 10 milénio e 20 milénio pessoas. Os eventos têm camarotes, open bar e diversas atrações e artistas, além da bateria da Escola de Samba Unidos da Tijuca.

Divinas Tretas

O Carnabendita, ecossistema cultural que conecta 13 blocos de rua no Rio de Janeiro, terá ações inéditas de pluralidade para o desfile do Divinas Tretas em 2026, conjunto que surgiu porquê uma novidade formação do macróbio conjunto Toco-Xona, o primeiro conjunto LGBTQIA+ do Rio de Janeiro, criado em 2007.

A mudança de nome, ocorrida em 2022, teve por objetivo abranger ainda mais a pluralidade e se firmar porquê coletivo no pós-pandemia da covid-19. Misturando pop, rock, axé e ritmos brasileiros, o grupo consolidou-se porquê um símbolo de pluralidade e qualidade músico no carnaval de rua carioca.


21/01/2026 - Rio de Janeiro - Blocos LGBTQIA+ do Rio de Janeiro pregam alegria e pluralidade. Bloco Divinas Tretas. Foto: Divinas Tretas/Gabriella Ribeiro
21/01/2026 - Rio de Janeiro - Blocos LGBTQIA+ do Rio de Janeiro pregam alegria e pluralidade. Bloco Divinas Tretas. Foto: Divinas Tretas/Gabriella Ribeiro

Conjunto Divinas Tretas.- Divinas Tretas/Gabriella Ribeiro

O desfile do conjunto Divinas Tretas, marcado para o dia 15 de fevereiro, na Praia do Flamengo, inclui uma iniciativa inédita de requalificação e retificação de prenome e gênero para a população trans e não-binária em situação de vulnerabilidade. A diretora do Carnabendita, Natália Guimarães, informou que o objetivo das ações idealizadas para o carnaval 2026 é aprofundar o debate sobre pluralidade e cidadania dentro da liga.

“Porquê o Divinas Tretas é hoje o nosso principal pilar LGBTQIA+, decidimos concentrar esses esforços no conjunto para prometer que o carnaval seja, além de sarau, um instrumento de justiça social”, disse Natália.

O conjunto vai narrar com um espaço reservado e gradeado, segurança, equipe de pedestal treinada e tradutor de libras durante todo o trajectória. Haverá instalação de sanitários inclusivos pelo próprio conjunto, além de uma fala, junto à Riotur, para que os banheiros públicos externos adotem padrões similares de inclusão. Durante os intervalos das músicas, o conjunto promoverá campanha de combate à violência contra a mulher, com divulgação do número 180, QR Codes para aproximação à Lei Maria da Penha e distribuição de preservativos.

Aliás, para substanciar o compromisso com a representatividade, o Carnabendita adotará a contratação prioritária de profissionais LGBTQIA+, trans e não-binários em toda o desfile do Divinas Tretas.

Enxota Que Eu Vou

Ao contrário do que muita gente pensa, o Enxota Que Eu Vou não é um conjunto majoritariamente LGBTQIA+. “Nós não somos um conjunto restrito LGBTQIA+. O nome dá a entender isso, às vezes. A gente se considera um conjunto de todos, diverso e cândido a todos os gêneros. Nós nos consideramos amigos das pessoas que lutam pelas causas LGBTQIA+ e, inclusive, defendemos que o carnaval seja plural, diverso, com saudação”, disse a presidente da corporação, Camila Mendes, à Dependência Brasil.


21/01/2026 - Rio de Janeiro - Blocos LGBTQIA+ do Rio de Janeiro pregam alegria e pluralidade. Bloco Enxota que eu vou. Foto: Enxota Que Eu Vou/ Bruno Santos
21/01/2026 - Rio de Janeiro - Blocos LGBTQIA+ do Rio de Janeiro pregam alegria e pluralidade. Bloco Enxota que eu vou. Foto: Enxota Que Eu Vou/ Bruno Santos

Conjunto Enxota que eu vou. Foto: Enxota Que Eu Vou/ Bruno Santos – Enxota Que Eu Vou/ Bruno Santos

A bateria do conjunto, batizada Bateria Sutil, tem participantes LGBTQIA+ e sua rainha é Wallace Terreno, drag queen dos quais nome artístico é WQueer.

Tudo começou quando um grupo de amigos universitários da Universidade Federalista do Rio de Janeiro (UFRJ) muito boêmios e que gostavam muito de sambas-enredo, iam para os lugares tocar e trovar, mas acabavam enxotados dos lugares, porque eram os últimos a ir embora, lembrou Camila, que integra a corporação desde o primeiro ano de geração do Enxota Que Eu Vou, em 2010.

“Vão embora, vão embora, eles ouviam”. Daí, por farra, o nome do conjunto ficou sendo Enxota Que Eu Vou, dos quais foco são os sambas-enredo clássicos das escolas de samba do Rio de Janeiro, desde 1900 até os sambas atuais. No carnaval 2026, o conjunto comemora 15 anos de reunião e sarau na Terreiro Tiradentes, região mediano da capital fluminense.

O Enxota Que Eu Vou é um conjunto parado, com público que gira entre milénio e duas milénio pessoas. A concentração está marcada para as 13h do dia 17 de fevereiro, na Terreiro Tiradentes, com evolução a partir das 15h.

O tema do carnaval 2026 são os 15 anos do conjunto. “Neste carnaval, a gente vai trazer os sambas que mais tocamos nesses 15 anos, que fizeram sucesso, mas também trazendo sambas antigos”.  

Filarmónica das Quengas

Uma das bandas carnavalescas LGBTQIA+ mais antigas do Rio de Janeiro, a Filarmónica das Quengas completa 35 anos no dia 13 de fevereiro. A comemoração, entretanto, será na terça-feira (17), com concentração a partir das 15h na esquina da Rua Washington Luiz com Avenida Mem de Sá, na Lapa. A referência era o Bar das Quengas, que foi reformado e ganhou outro nome: Bacurau. “Mas não tem zero a ver com a orquestra”, destacou em entrevista à Dependência Brasil o vice-presidente da Filarmónica das Quengas, Tbengston Martins.

Devido ao temporário de pessoas que atrai – no ano retrasado foram 47 milénio pessoas – a orquestra não sai mais. É paragem, afirmou Tbengston Martins, na vice-presidência há dez anos.

“Nossa orquestra é imprevisível. Ela pega multidões. É a orquestra LGBT da pluralidade que atrai não só os que estão com a gente, mas os afins também. É uma orquestra família em que todo mundo vai para se divertir.”, assegurou.

O som começa às 16h e a orquestra segue até as 22h. “Todo mundo que passa o carnaval no Rio para na terça-feira na Lapa para divertir com a gente”.

A temática do carnaval 2026 é a mesma dos últimos oito anos: Aceitem ou nos respeitem. Segundo reforçou Tbengston Martins, ninguém é obrigado a admitir, “mas respeitar, com certeza é”. A fantasia é livre. No pretérito, a orquestra chegou a produzir abadás para repartir a alguns convidados, mas ficou muito custoso. “As pessoas vão do jeito que acharem melhor e à vontade”, determinou o vice-presidente.

Tbengston Martins já foi aderente da orquestra, quando começou, depois paraninfo, rainha da orquestra em 2018. “Hoje, sou vice-presidente e dou a vida pela orquestra, porque sabor de carnaval. E nossa orquestra nos realiza nesse período”. 

Sereias da Guanabara


21/01/2026 - Rio de Janeiro - Blocos LGBTQIA+ do Rio de Janeiro pregam alegria e pluralidade. Djs do Bloco Sereias da Guanabara (Leo Solez e Jorge Badaue) Fonte: acervo do bloco
21/01/2026 - Rio de Janeiro - Blocos LGBTQIA+ do Rio de Janeiro pregam alegria e pluralidade. Djs do Bloco Sereias da Guanabara (Leo Solez e Jorge Badaue) Fonte: acervo do bloco

 Djs Leo Solez e Jorge Badaue, do Conjunto Sereias da Guanabara – Aveado do conjunto

O conjunto de rua Sereias da Guanabara também sai no dia 17 de fevereiro, com concentração às 14h, no Aterro do Flamengo, próximo ao estacionamento do Assador Rio’s, churrascaria de rodízio instalada nas imediações. O conjunto tem porquê foco o tripé formado por sustentabilidade, acessibilidade e pluralidade.

Trata-se de um famoso conjunto LGBTQIA+ do carnaval carioca, cuja marca de suas fantasias é a fauna marinha. “Essa é sempre uma marca do nosso conjunto. De cima do trio elétrico a gente vê muito azul, verde-água. A galera compra lítico essa teoria do universo pelágico”, destacou, em entrevista à Dependência Brasil um dos fundadores da corporação, Leo Solez.

Também fundador do conjunto, Jorge Badaue acrescentou que o público abraça a teoria do universo pelágico, porque ele envolve uma certa fantasia, lúdica, carnavalesca, de sereias. Acaba sendo um universo muito rico para se explorar em termos de figurino e fantasia”. Leo Solez completou: “Além de ser a face do Rio de Janeiro, que tem um vínculo muito poderoso com o mar e natureza”.

No ano pretérito, o conjunto ganhou o Selo Verdejante de sustentabilidade. Solez explicou que a história do conjunto, que celebra nascente ano seu nono natalício, está relacionada à fabulação de um imaginário sobre a Baía de Guanabara, sofrendo poluição durante muitas décadas.

“Para a gente fazer o conjunto no Aterro do Flamengo é muito simbólico porque a Praia do Flamengo foi despoluída e está sendo agora muito usada pelos cariocas. Essa sempre foi uma taxa nossa durante o conjunto, procurar falar sobre conscientização das pessoas em relação ao lixo”, citou Leo Solez.

Um dos princípios do conjunto, segundo sublinhou Jorge Badaue, é que existe o entendimento de que a Baía de Guanabara, apesar de tolerar muito com a poluição, não morre. “A gente refletiu muito sobre essa resistência da vida, apesar de questões adversas”. Há consciência também sobre a potência de vida bicho que existe na Baía de Guanabara e que alimenta a cidade do Rio de Janeiro e a região metropolitana, lembrou Solez.

Jorge Badaue deixou simples que o Sereias da Guanabara é um conjunto LGBT dos quais pilar mais poderoso é a sustentabilidade. Os integrantes do conjunto procuram usar materiais reciclados nas fantasias, aproveitando a “potência festiva do lixo”. Tudo é reaproveitado.

Durante a passagem do conjunto, Leo e Jorge, que atuam porquê DJs no trio elétrico, estão sempre conscientizando os foliões sobre a relevância da coleta do lixo, para deixar novamente o Aterro do Flamengo em condições de uso para os próximos usuários do sítio.

O primeiro desfile do Sereias da Guanabara foi realizado no dia 20 de janeiro de 2017, no período pré carnaval. Essa data é considerada a instauração do conjunto, cuja geração ocorreu no final de 2016.

Outra particularidade do conjunto é a pluralidade, “até porque a fauna marinha é diversa”. Além das pessoas LGBTQIA+, o Sereias está cândido à participação de pessoas de todos os gêneros. “Tem pessoas trans, pessoas cis, héteros também são bem-vindos. Nos nossos eventos, a gente também preza por acessibilidade, que é um pilar nosso”, afirmaram os dois sócios. 



Fonte EBC

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