Brasil busca primeira medalha nas Paralimpíadas de Inverno 06/03/2026

Brasil busca primeira medalha nas Paralimpíadas de Inverno – 06/03/2026 – Esporte

Esporte

Em seguida fazer história nas Olimpíadas de Inverno de Milão-Cortinado com a conquista de sua primeira medalha na história da competição, com Lucas Pinho Braathen, o Brasil agora também vai em procura do seu primeiro pódio nos Jogos Paralímpicos que começam nesta sexta-feira (6), na Itália, com a cerimônia de lhaneza em Verona.

Com um recorde de oito atletas nas disputas na neve em solo italiano, dois a mais do que em Pequim-2022, a delegação brasileira vem de um ciclo paralímpico com conquistas importantes e tem uma vez que maiores esperanças de medalha os campeões mundiais de esqui cross-country, Cristian Ribera e Aline Rocha.

Esta será a quarta participação brasileira nos Jogos Paralímpicos de Inverno, que começou em Sochi-2014, com dois atletas.

“Nossa expectativa por resultados históricos é muito subida também nas Paralimpíadas. A chance é real. Diria que, se não vier medalha, eu até ficaria um pouco surpreso, mas não desapontado, porque sabemos que tudo pode suceder durante uma competição”, afirmou à Folha Anders Pettersson, presidente da CBDN (Confederação Brasileira de Desportos na Neve) e superintendente de missão do Brasil nos Jogos de Milão-Cortinado.

“Se vier medalha, provavelmente vai ser do Cristian Ribera ou da Aline Rocha”, acrescentou o dirigente.

Proveniente de Cerejeiras, em Rondônia, e criado em Jundiaí, no interno paulista, Cristian Ribera, de somente 23 anos, já vai para sua terceira participação paralímpica.

Na estreia, em PyeongChang-2018, na Coreia do Sul, quando tinha somente 15 anos, Ribera conquistou o sexto lugar na prova de 15 km do esqui cross-country, até hoje o melhor resultado do Brasil na história dos Jogos de Inverno.

Desde portanto, consolidou-se com um dos principais nomes da modalidade. Ele foi o primeiro brasílio a ocupar o Orbe de Cristal no esqui cross-country paralímpico, sagrando-se vencedor universal da temporada 2024/2025.

Neste início de temporada, manteve o momento positivo nas pistas de neve e faturou dois ouros nas provas de 1 km e 10 km em lanço da Despensa do Mundo em Finsterau, na Alemanha, em janeiro.

“Em Pequim-2022 [quando terminou na oitava colocação na prova de 20 km], eu não estava 100%. Treinei muito, mas tive problemas físicos na reta final. Desta vez fiz um bom ciclo, consegui treinar e competir muito e estou bastante optimista”, afirmou Ribera.

“A gente sempre trabalha bastante para estar entre os melhores, e as medalhas refletem isso. Fico muito feliz, mas também sei que é um repto muito grande simbolizar o Brasil nos Jogos. Vai ser o momento mais importante da minha vida e vou entrar com tudo para lucrar uma medalha para o Brasil”, disse ele.

Irmão de Eduarda Ribera, que competiu nos Jogos de Inverno no esqui cross-country, o esquiador rondoniense nasceu com artrogripose, doença congênita que afeta as articulações localizadas nas extremidades do corpo. Ao longo da vida, foi submetido a 21 cirurgias nas pernas.

Em Milão-Cortinado, Ribera disputa as provas de esqui cross-country na categoria sprint clássico, na terça-feira (10), nos 10 km, na quarta-feira (11), e nos 20 km, no dia 15.

Aline Rocha, 34, é de Pinhão, no Paraná, e foi a primeira mulher brasileira a competir nos Jogos Paralímpicos de Inverno, em PyeongChang-2018. Em Pequim-2022, conquistou o sétimo lugar na prova de 15 km do esqui cross-country.

Em 2023, tornou-se a primeira esquiadora brasileira a se sagrar campeã mundial, com o ouro na prova de sprint no Campeonato Mundial de esqui cross-country disputado em Ostersnd, na Suécia. Na ocasião, também levou o bronze na disputa de 10 km e 18 km.

No ano pretérito, ficou com a prata no Mundial disputado em Toblach, na Itália, na prova de 10 km.

“É uma alegria muito grande participar de mais uma edição dos Jogos Paralimpicos. Estou há 15 anos no esporte e ainda em evolução, por isso acredito que vou ter meu melhor desempenho em Milão-Cortinado”, afirmou Aline.

“Tanto em Pyeongchang-2018, uma vez que também em Pequim-2022, o maior repto foram as altas temperaturas e a neve derretida. Não estávamos preparados para essa quesito. Agora, em 2026, já temos mais experiência com todos os tipos de neve e temperatura, e isso vai ser fundamental para nosso desempenho”, acrescentou ela.

Nos Jogos de Inverno na Itália, a paranaense —que ficou paraplégica depois tolerar um acidente automobilístico aos 15 anos— inicia sua participação na prova de 7,5 km do biatlo, no sábado (7). Ela ainda compete no sprint do esqui cross-country, no dia 10, e nas distâncias de 10 km e 20 km, nos dias 11 e 15.

Aline Rocha e Cristian Ribera foram os escolhidos pelo CPB (Comitê Paralímpico Brasílico) para serem os porta-bandeiras do Brasil na cerimônia de lhaneza nesta sexta-feira (6), a partir das 16h (horário de Brasília), em Verona.

Os dois atletas, porém, já estão alocados em Predazzo, no setentrião da Itália, onde acontecerão as disputas de suas provas, a respeito de 200 km de intervalo, e participarão remotamente.

A cerimônia de lhaneza será marcada por boicotes de países uma vez que Ucrânia e República Tcheca, uma vez que forma de protesto pela autorização dos organizadores para que atletas da Rússia e de Belarus participem dos Jogos Paralímpicos representando suas nações, com recta a hasteamento de bandeira e hino no pódio, e não uma vez que atletas neutros uma vez que foi nas Olimpíadas de Inverno.

A delegação brasileira conta ainda com três estreantes em Jogos de Inverno: Elena Sena e Wellington da Silva, que competirão nas provas de esqui cross-country e biatlo, e Vitória Machado, do snowboard.

Guilherme Rocha e Robelson Lula, do esqui cross-country e do bialto, e André Barbieri, do snowboard, já participaram dos Jogos Paralímpicos de Pequim-2022, e completam a delegação brasileira.

Os Jogos Paralímpicos de Milão-Cortinado serão disputados de 6 a 15 de março e reúnem 665 atletas de 53 países. O SporTV transmite as principais provas.

Confira a programação dos brasileiros nos Jogos Paralímpicos de Milão-Cortinado (horários de Brasília)

7.mar (sábado)
6h – Biatlo (7,5km sprint – Finais sentado)
Aline Rocha, Elena Sena, Guilherme Rocha e Robelson Lula

7h – Snowboard Cross (qualificatória)
André Barbieri

8.mar (domingo)
6h – Biatlo (12.5km Individual – Finais sentado)
Elena Sena, Guilherme Rocha e Robelson Lula

10.mar (terça-feira)
5h45 – Esqui cross-country (Sprint Classic – qualificatória)
Aline Rocha, Cristian Ribera, Elena Sena, Guilherme Rocha, Robelson Lula e Wellington da Silva

11.mar (quarta-feira)
5h45 – Esqui cross-country (10km Interval Start Classic – Finais sentado e em pé)
Aline Rocha, Cristian Ribera, Elena Sena, Guilherme Rocha, Robelson Lula e Wellington da Silva

13.mar (sexta-feira)
6h – Biatlo (Sprint Pursuit – qualificatória)
Elena Sena, Guilherme Rocha e Robelson Lula

14.mar (sábado)
6h – Esqui cross-country (Finais – Revezamento misto 4 x 2,5 km)

6h e 7h55 – Snowboard (Banked Slalom – Finais)
André Barbieri e Vitória Machado

15.mar (domingo)
5h e 6h20 – Esqui cross-country (20km Interval Start Free – Finais sentado e em pé)
Aline Rocha, Cristian Ribera, Elena Sena, Guilherme Rocha, Robelson Lula e Wellington da Silva

Folha

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