Brasil tem débito com o Nordeste, afirma Lenine 28/11/2025

Brasil tem débito com o Nordeste, afirma Lenine – 28/11/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

“Eita” é um álbum em homenagem ao Nordeste, e Lenine faz questão de ressaltar isso. “Nos discos que fiz, sempre ficou evidente eles serem amplos, diversos, embora os mesmos temas estejam presentes, uma vez que questões do ambientalismo e da xenofobia. Não por eventualidade, o disco é uma grande homenagem ao Nordeste. O Brasil tem um débito com a região.”

A pergunta inevitável ao cantor e compositor pernambucano é saber a razão de “Eita” chegar dez anos depois de seu álbum de estúdio anterior, “Carbono. Lenine fala da pandemia (“dois anos tirados da nossa memória”) e da chegada do quinto neto, Otto, que nasceu prematuro e ficou internado, o que mobilizou toda a família. “E Otto é fruto do Bruno, que também é pai do ‘Eita’, né?”, diz, referindo-se ao fruto Bruno Giorgi, produtor do disco.

Ele afirma ter participado de muitos trabalhos de amigos nesse período e diz ter muito prazer ao ser convidado para parcerias. “Aí chegou o momento em que retomei o disco que tinha começado a esboçar, uma vez que sempre faço, antes da pandemia. Primeiro é um título, portanto a toga e o concepção imagético, e depois vou detrás das músicas. Esse foi o recomeço do álbum que agora a gente lança.”

Lenine define que lançar um álbum é quase um anacronismo. “Hoje tem uma urgência que não tinha antes. Tudo se resume a um EP ou a uma melodia. Isso resume toda sua aposta no trabalho de tomar o ouvido do outro. Continuo achando que ouvir um álbum é uma coisa fundamental, necessária. Embora eu seja um fazedor de canções, um álbum para mim é um romance sonoro.”

Mas os novos tempos têm influência numa novidade faceta do artista. “Também por justificação dessa mudança toda, eu imaginei filmar o álbum. Fazer um filme para se ouvir, já que na minha vida toda fiz álbuns para se ver.” “Eita: O Filme” está disponível no YouTube, com muito esmero visual e sonoro, numa espécie de caleidoscópio que vai além da junção de videoclipes de todas as faixas.

O projeto apresenta uma relação estética poderoso. “O protagonista do filme é o áudio do disco. A gente fez para ajudar nessa mergulho, já que ninguém hoje dá mais do que 15 segundos de atenção a uma música.”

Ele retoma parcerias, uma vez que Arnaldo Antunes, Siba, Lula Queiroga e João Cavalcanti. Entre os convidados, Maria Gadú e Maria Bethânia, em faixas seguidas, formam um momento valedouro na audição. Primeiro, “O Rumo do Incêndio”, com Gadú, sobre o Brasil profundo, que mistura batidas eletrônicas com sons da floresta.

“O ambientalismo está sempre presente na minha música e nas questões que me comovem e que me movem. Maria Gadú é uma militante da justificação dos povos originários, portanto a gente se encontra nesse lugar. Tem muita coisa de sons tecnológicos, sim, mas a base toda está nas maracas que foram feitas para mim e doadas porque tenho relações com várias nações indígenas.”

Em seguida, Bethânia e Lenine dividem vocais numa melodia de formato simples, mas emocionante, “Foto de Família”, gravada num único take. “Eu e Bethânia no estúdio. Eu tocando para ela, ela cantando para mim. O que você ouve é exatamente uma vez que a gente fez. E precisava ser assim, se tratando de uma melodia que tem muito a ver com a minha intimidade. É a foto do matriarcado lá em moradia, minha mãe e meu pai ao lado de todos os netos, alguns deles presentes no projeto. Um é o produtor, Bruno, e o meu mais velho é o responsável da letra de ‘Álbum de Família’, João Cavalcanti.”

“O desencadear dessas canções tem uma valia muito grande para mim. Tem uma termo, narrativa, que eu não paladar muito porque estão usando demais, significando coisas ruins, mas a narrativa que eu crio é muito importante para mim. É o que me leva a fazer o que eu faço. Portanto estou sempre na procura de seduzir a pessoa nesse relevo sonoro que eu crio pelo desencadear das canções, pelo modo uma vez que eu consigo vincular todo o álbum para tanger uma vez que um pouco único, uma suíte. É uma maneira que eu não estudei, fui descobrindo no fazer. Eu fui produzindo e acumulando experiência.”

Se o álbum confirma a força de Lenine, seu exaltação parece mais direcionado ao filme. “O dissemelhante foi filmar isso. Isso foi um grande incitação. De certa maneira, eu fiz as pazes com esse prazer. Houve um momento em que eu tinha perdido um pouco do prazer desse fazer. Agora, com o ‘Eita’, posso declarar que eu não vivo sem isso.”

Folha

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