Quem se rendeu às faixas mais populares da música brasileira no ano pretérito provavelmente ouviu mais de uma voz em uma mesma música. Segundo levantamento da Folha, os “feats”, parcerias musicais entre dois ou mais artistas, tiveram mais espaço nos fones de ouvido dos brasileiros. Essas colaborações musicais respondiam por 41% das faixas mais escutadas da plataforma em 2017. Hoje, chegam a 52%.
De concordância com o Spotify Charts, braço da empresa responsável por publicar rankings de músicas, artistas e podcasts, quanto maior o número de reproduções de uma música, maiores são as chances de ela entrar nas paradas da plataforma. A fórmula também considera outras variáveis, porquê aumentos recentes ou repentinos de streams e a frequência com que a música é compartilhada.
Isso significa que nem todos os plays na plataforma contam para as paradas —isso depende do comportamento da reprodução das faixas. É indumento que, na somatória de todos os itens, o prolongamento dos “feats” na lista de mais ouvidas do Spotify é sensível.
A tendência vem desde 2022, quando esse tipo de música chegava a 52% da lista. O auge veio no ano seguinte, com colaborações musicais no patamar de 56%. Desde portanto, as cifras ficaram em 54% em 2024 e 52% em 2025.
“Quando começou esse boom de participações, pesava mais a decisão artística do projeto do que qualquer outra coisa: trazer um elemento novo, uma flutuação para um projeto que caminha num padrão mercadológico tradicional foi um diferencial”, afirma Cris Falcão, diretora universal de artistas e estratégia da distribuidora Virgin Music Group na América Latina. “Ainda hoje, por mais que tenha uma pressão mercadológica, de números, tem que fazer um sentido mínimo para o artista fazer um ‘feat’.”
Na série histórica desde 2017, os século “feats” que mais acumularam reproduções têm um perfil preponderante —são parcerias de artistas do mesmo gênero músico. A zero, que chegou a 73% em 2025, é a maior já registrada até agora.
Artistas de funk e sertanejo são maioria, seguidos por nomes de forró e pagode, categorias que surgem em muitas variações —do eletrofunk de Rafa e Junior, Hugo & Guilherme e DJ Ari SL em “Todo Mundo Patroa um Maloqueiro” à seresta de Grelo e Henrique & Juliano em “Paredões”.
Embora tenham menor presença em quantidade, os “feats” de artistas de gêneros diferentes foram ouvidos mais vezes em 2025. Esse tipo de colaboração acumula muro de 4% mais streams do que os pares com artistas do mesmo gênero. É o caso da música “P do Perversão”, do grupo de pagode Menos É Mais e da sertaneja Simone Mendes, considerada o “feat” mais ouvido do ano.
Essas faixas podem enfrentar mais resistência entre fãs mais afeiçoados a determinado gênero. Por outro lado, podem atingir um público maior se comparadas àquelas com artistas de um único gênero. Por isso, quando vão muito, elas têm grandes chances de serem sucessos estrondosos, porquê observado com “Mãe Solteira”, hit que uniu os produtores DG e Batidão Stronda aos funkeiros MC Davi e MC G15 e ao cantor de arrocha J. Eskine.
“Trazer elementos completamente diferentes e juntar gêneros diversos pode trazer uma pluralidade àquela sonoridade. Hoje muitos casos de feat que chegam às paradas vêm casados a isso”, diz Falcão. “É um tanto que pode realmente vir com uma oportunidade para a música lucrar alcance de visibilidade que vai atingir o gênero de um artista somado ao gênero do outro.”
Seja no interceptação de gêneros distintos, seja no encontro de artistas de uma mesma categoria, o funk é o gênero que predomina enquanto “feat” na lista das século músicas mais ouvidas do ano pretérito. A estudo identificou 36 colaborações desse tipo nesse ranking. Juntas, elas chegam a 2,7 bilhões de reproduções —somente nas semanas em que figuraram entre as mais ouvidas.
O principal destaque dessa leva é “Fui Mlk”, que acumulou 193 milhões de streams nascente ano. A tira reúne os funkeiros Nilo, MC Paiva ZS, DJ Di Marques, Tropa da W&S e FamousKyo.
MC Ryan SP lidera o mundo dos “feats” do funk com século colaborações no levantamento das paradas dos últimos nove anos. Sua presença vem crescendo, apesar das polêmicas envolvendo agressão à ex-namorada e multas de trânsito que chegam a um R$ 1 milhão.
A lista de MCs com maior número de “feats” de sucesso tem também Don Juan, Ig e Hariel. Esses artistas fazem segmento da GR6. Misto de produtora fonográfica e dependência de eventos, a empresa se tornou referência no mercado nos últimos anos com um padrão de produção entre Fordismo e Disneylândia —uma produção incessante de músicas com circulação de estrelas que emprestam seu fulgor a novos MCs e DJs.
“A GR6 tem esse trabalho porque somos uma empresa com 120 artistas, dos quais 70 são vendáveis e o restante está ali naquele processo de trabalho para iniciar a colocar no mercado, e esses artistas são incluídos nessas colaborações —aí eles também ficam gigantes”, afirma Rodrigo Oliveira, fundador e CEO da GR6.
Assim nasceu “Let’s Go 4”, tira com 11 artistas que foi um dos maiores sucessos de 2024. A duração da música, de 11 minutos, também evidencia um fator peculiar no domínio da empresa nos “feats”. “Isso prende o público porque o rostro põe a música lá e fica escutando —e, às vezes, ele está na liceu e vai embora escutando a música que só tem artistas conhecidos e um mais novo ali no meio”, diz Oliveira.
As parcerias entre artistas sertanejos estão logo detrás do funk. O gênero chega a ter 21 músicas entre as século mais ouvidas de 2025, totalizando 1,5 bilhões reproduções. A tira “Ilusão De Ótica”, de Matheus & Kauan e Ana Castela, é o destaque, com 155 milhões de “plays”.
Anitta é outro nome que se destaca com “feats” desde 2017. Segundo a estudo, foram 85 canções nas listas de mais ouvidas, e metade tem ao menos uma artista estrangeiro na parceria. O indumento mostra a importante orientação internacional que sua curso tomou nos últimos anos.
Não fosse a cantora, aliás, a presença de artistas de fora do Brasil seria muito menor entre os “feats” de sucesso no país. No ano pretérito, exclusivamente uma tira americana figurou entre as dez colaborações mais ouvidas —”Die With A Smile”, de Lady Gaga e Bruno Mars.
O desempenho médio das canções com parceria também se destaca. Desde 2022, ele vem superando a performance das músicas solo. Em 2025, até novembro, essas parcerias tiveram em média 10% a mais de “plays” do que as demais.
Essa variável identifica um “resultado típico” de cada tipo de música, independente da quantidade de lançamentos por ano ou a existência de megahits em confrontação com as outras canções.
O desempenho dos “feats” teve seu auge em 2017, quando elas tinham 11% a mais de “plays”. Desde portanto, houve uma ligeira queda, até chegar nos anos de 2020 e 2021, quando as músicas solo performam melhor. De 2022 em diante, o cenário voltou a apresentar vantagem aos “feats”.
Os dados da estudo são do Spotify Charts e abrangem semanalmente os meses de janeiro a novembro dos anos de 2017 a 2025.
Para qualificar as canções, a pesquisa usou os créditos musicais da plataforma. Foram consideradas solo as faixas em que exclusivamente um artista aparecia porquê tradutor principal, incluindo casos em que esse artista estivesse escoltado exclusivamente por um produtor listado.
Já os “feats” são todas as faixas com dois ou mais intérpretes principais ou que, no nome da música, incluíssem artistas convidados identificados porquê “e”, “ft.”, “part.”, “feat.”, “with” e “&”, além colaborações entre cantores e DJs creditados porquê artistas principais.
Os números de reproduções podem ser superiores aos divulgados, já que o Spotify Charts só publica dados de faixas enquanto elas figuram entre as mais ouvidas. Fora da lista, exclusivamente os detentores do fonograma têm entrada às informações. A classificação de gênero foi obtida na própria plataforma e agrupada pela estudo.
