Brasileiros Que Encararam O Desafio De Rocha De El Capitan

Brasileiros que encararam o desafio de rocha de El Capitan – 11/01/2024 – É Logo Ali

Esporte

Se um número cada vez maior de brasileiros que até há pouco só haviam visto gelo em cubinhos na caipirinha faz de um tudo para exibir-se nas redes sociais escalando altos picos nevados, sonhando com o Everest, um punhado de atletas se esforça há décadas para superar assustadoras paredes de rocha. Pode-se expor que, para eles, uma formação porquê o impressionante El Capitan, no Parque Pátrio Yosemite, na Califórnia (EUA) é quase um Everest da modalidade.

Com seus 910 metros de profundeza, o paredão El Cap, porquê é chamado por seus íntimos, oferece uma das escaladas mais difíceis e técnicas do mundo. O nome foi oferecido pelos primeiros exploradores que chegaram ao vale, em 1851, e até 1958, quando a equipe do norte-americano Warren Harding chegou a seu cume, sua conquista era considerada impossível pela agressiva verticalidade. Atualmente, com o aprimoramento de técnicas e equipamentos, o grande monólito de granito recebe centenas de escaladores todos os anos, e já tem uma grande variedade de rotas para sua subida. A procura é tanta que o parque exige a solicitação antecipada de uma permissão próprio —gratuita e sem número sumo de inscrições— para quem pretende escalá-lo. Um jeito de tentar impedir a bagunça e preservar o lugar, dizem seus gestores.

Vale explicar que, quando disse que El Capitan é “quase um Everest”, quis expor que, apesar de sua nomeada, não se trata da maior parede de granito do planeta. Esse título é da Grande Torre Trango, no Paquistão, cujas escarpas são consideradas as mais difíceis de percorrer até o cume, que está a 6.286 metros de altitude, com uma proeminência (a intervalo do pescoço da serra até seu pico) de 800 metros. Mas o roupa de o El Cap (cuja proeminência, a propósito, é de 438 metros, com uma altitude de 2.308 metros supra do nível do mar) estar tão mais perto do universo ocidental que a Trango gerou toda uma mística em torno da gigante norte-americana. Isto posto, sigamos.

Entre os brasileiros que mais e melhor conhecem os desafios do El Capitan estão os atletas e guias profissionais Eliseu Frechou e Gisely Ferraz, que contam um pouco de suas experiências.

Fotógrafo, documentarista, e proprietário de uma cervejaria em São Bento do Sapucaí (SP), Frechou, 55, começou a escalar em 1983, porquê muitos brasileiros nas vias do Pico do Jaraguá, em São Paulo. Em 1989, se mudou para São Bento do Sapucaí e fundou a primeira escola de escalada do Brasil, que até hoje oferece cursos regulares nas muitas modalidades do esporte.

“Quando fui para São Bento do Sapucaí, o que me pegava mesmo era escalar paredes, quanto maiores, melhor”, lembra ele. Era procedente, portanto, que mirasse o El Cap, ali ao lado do Half Dome, que também pretendia subir, e para cuja escalada batalhou um ano detrás de patrocínio.

“Eu queria muito ver porquê era escalar uma serra tão impressionante que a gente só via cá no Brasil em revista, era um pouco muito distante da nossa verdade”, conta. “El Cap era visto no mundo todo porquê símbolo de dificuldade extrema e essa procura pelo duelo foi o que me impulsionou”, acrescenta.

Frechou acabou escalando o El Cap duas vezes. A primeira, ao lado de Antonio Carlos Meyer, pela via Zenyatta-Mombata, em 1994, que na quadra era considerada a mais técnica do mundo, de intensidade A5 de dificuldade [o nível mais técnico e perigoso numa escalada]. Eles levaram nove dias para chegar ao cume, dos quais três pendurados da rocha e imobilizados a 400 metros de profundeza, esperando uma poderoso tempestade imprevista passar e tendo que racionar chuva e mantimentos.

Quatro anos depois, voltou a Yosemite com Márcio Bruno, para enfrentar a via mais mortal do paredão, a Plastic Surgery Disaster (em tradução livre, Sinistro de Cirurgia Plástica, um nominho muito sugestivo para espantar incautos). “Eu queria fechar minha história naquela serra, portanto, o negócio era pegar a via mais difícil, porque se eu quero ensinar, tenho que saber”, conclui ele.

Se tem uma coisa de que Frechou não gosta é de que perguntem se não gostaria de escalar o Everest. “Tem um monte de outras coisas mais difíceis, muito mais legais, porque as ascensões brasileiras nessa serra sempre são acompanhadas de muita estrutura, mas a escalada no gelo não tem zero a ver conosco, que nascemos num país tropical, essa preocupação é um pouco que herdamos dos europeus, que incutiram na cabeça do resto do mundo que o verdadeiro alpinismo é no gelo, quando é unicamente uma das facetas da escalada”, reclama.

E qual é a sensação de ocupar o cume do El Cap? “É sofrido, uma tensão jacente, você tem que ter muita crédito no que sabe fazer e procurar curtir, porque ninguém está lá só para passar pavor”, explica Frechou.

Aos 40, resolvi viver meu sonho

A desportista profissional, guia de escalada e instrutora de escalada em fendas Gisely Ferraz, 46, subiu suas primeiras paredes na Serra do Mar, no estado de São Paulo. Vendo as revistas internacionais sobre o esporte, sonhava com El Capitan, que via porquê o grande duelo da modalidade. “Eu o via porquê um marco, o lugar com que todo mundo sonhava, e eu queria um dia chegar lá”, conta ela, que manteria seu sonho vivo por mais de 15 anos.”

“Quando cheguei lá e vi El Capitan, na minha cabeça eu disse que teria que escalar aquela serra”, lembra. “Aquilo mudou totalmente a direção de minha escalada, deixei de ser só uma escaladora esportiva, de procurar paredes de uma cordada, e fui detrás dos estilos e técnicas de que precisaria para aquela dificuldade”, explica.

Depois de subir várias vezes por vias diferentes, Ferraz agora treina para fazer a escalada livre, ou seja, usando o próprio corpo, com pés, mãos e as pontas dos dedos, para se impulsionar buscando pontas, falhas ou fendas naturais da rocha, “tentando não desabar”. Entre seus treinos para essa tarefa, ela subiu a serra vizinha Half Dome, também um ícone do Yosemite, que completou em 16 horas, desenvolvendo a habilidade de lucrar velocidade para as rotas. “Subir de forma muito lenta pode fazer com que se exponha a uma mudança de tempo violenta e repentina, você pode terminar no lugar inverídico no momento inverídico”, diz.

Para satisfazer suas metas, Gisely conta não só com o preparo físico, mas também com o psicológico. “Você tem que estar disposta a encarar os elementos, se preparar expondo-se a eles para que, quando estiver na serra, conseguir tomar decisões importantes”, define.

E qual teria sido seu melhor momento no El Cap? “Foi ver que é provável”, resume. “A gente é criada com muitas limitações, e quando vira a chavinha e vê que, sim, é provável, basta confiar, é um momento de muita glória”.

“Muitas vezes as pessoas tentam te convencer de que você não pode, a família tenta te proteger por pavor, mas esse é um pavor deles”, acrescenta Ferraz. Ela garante que, aos 46, faz escaladas “muito mais perigosas do que quando tinha 20 anos de idade, porque hoje acredito no meu potencial”. Isso, apesar dos perrengues, porquê se pegar tomando o que achava ser uma chuva inesperada numa noite estrelada, pendurada para dormir numa parede do El Cap, para deslindar no dia seguinte que, na verdade, aquilo havia sido urina levada pelo vento, vinda de outro escalador que acampava um pouco supra. Sim, essas coisas acontecem quando o banheiro mais próximo ficou muitos metros inferior das necessidades básicas e você está suspensa em uma base de poucos centímetros presa à rocha.

“Eu sou mãe, tenho um rebento de 29 anos, e cresci achando que nunca ia conseguir fazer essas coisas, que seria muito difícil para mim fisicamente e financeiramente”, pondera Ferraz. “Quando fiz 40 anos, resolvi que eu ia viver meu sonho, e é o que estou fazendo agora. Não só vivendo meu sonho, mas deixando um legado para a novidade geração de que não é por você ser mulher que precisa ir sempre detrás, dá para fazer tudo de igual para igual, além de trazer um conhecimento dissemelhante, alongar ao time”, diz a vencedora do troféu Mosquetão de Ouro de 2023, na categoria Escalada.

Folha

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