Bruce springsteen revive caminhos musicais em coletânea 01/07/2025

Bruce Springsteen revive caminhos musicais em coletânea – 01/07/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

“O pretérito sempre pesa muito sobre mim”, diz Bruce Springsteen numa tarde de abril, sentado na antessala do Thrill Hill, seu estúdio rendeiro em Novidade Jersey, onde pode fazer música a qualquer momento. “Nossos passados têm muito a ver com a formação de quem somos agora e as coisas que estamos buscando. Portanto esse é um tema que incessantemente retorna para mim, e estou sempre reescrevendo-o, tentando ajustar.”

Na sexta-feira, Springsteen revelou um enorme e quase totalmente incógnito tesouro de canções do seu pretérito em “Tracks II: The Lost Albums”. Elas revelam caminhos musicais —principalmente reflexivos, ocasionalmente agitados— que ele explorou brevemente, mas escolheu deixar de lado.

Diferentemente de sua coleção de 1998, “Tracks”, um conjunto de demos, versões alternativas e canções não lançadas que remontam aos anos 1970, “Tracks II”, com 83 canções, 74 delas inéditas, se divide em sete álbuns distintos.

Springsteen cresceu na era do vinil, não das playlists que podem ser embaralhadas. Para ele, um álbum é “um grupo coeso de canções que acaba sendo maior do que a soma de suas partes”, diz ele. “Elas ressoam umas com as outras, criando significados alterados e refletidos com outras canções.”

Um disco, acrescenta, “é exatamente o que diz ser. É um registro de quem você é e onde estava naquele momento da sua vida. Estes eram álbuns reais que formavam um conjunto, de um momento, de um gênero —que se juntaram, frequentemente enquanto trabalhava em outros álbuns.”

Enquanto tem prestes esse extenso olhar para o pretérito, o músico de 75 anos, muito cônscio de seu papel perpétuo porquê símbolo dos Estados Unidos, também tem enfrentado um presente político.

Durante sua atual turnê pelo Reino Uno e pela Europa, Springsteen tem feito discursos recorrentes e francos no palco, e os lançou imediatamente online em um EP de seis faixas. Ao apresentar canções porquê “Land of Hope and Dreams”, sobre as aspirações de imigrantes, e “My City of Ruins”, sobre a negligência urbana, ele tem denunciado diretamente a governo de Donald Trump porquê “corrupta, incompetente e traiçoeira”, e alertando sobre “um presidente inadequado e um governo indigno”.

Antes da turnê, visitei o Thrill Hill. “Muito-vindo à Lar das Milénio Guitarras”, diz Springsteen com uma risada. É um galpão longo e ensolarado com fileiras organizadas de guitarras, baterias e teclados, ligado a uma garagem enxurrada de carros e motocicletas reluzentes. As paredes da ingresso do estúdio são forradas com fotos emolduradas das sessões fotográficas de “Born in the U.S.A.” que o mostram brincando com o saxofonista Clarence Clemons, que faleceu em 2011. Um quadro branco listava títulos de músicas de um álbum em curso da integrante da E Street Band Patti Scialfa, esposa de Springsteen.

Pedi para ver “o cofre” —seus arquivos gravados. Springsteen ainda estava escolhendo o repertório da turnê. Ele queria um “que abordasse nossa situação atual”, diz. “É uma tragédia americana.”

Vestindo uma camiseta cáqui de mangas compridas e calças camufladas, Springsteen falou sobre sua curso porquê a soma de impulsos, escolhas intuitivas e uma preceito para se manter produtivo —longe de um projecto rabino. “Eu trabalho de dentro para fora”, diz ele. “Não tenho um concepção antes de fazer um disco ou qualquer coisa. Estou unicamente trabalhando no que estou sentindo em um determinado momento. E isso pode ir para qualquer lugar.”

Ele passou por períodos de anos sem grafar canções, disse. Depois escreveu álbuns inteiros em questão de semanas. “Sou um minerador de psique”, diz. “Portanto estou lá na mina e estou escavando. E muitas vezes não estou conseguindo zero, zero, zero —mais frequentemente do que não. Zero, zero, zero. E portanto você atinge um veio. Quando você atinge esse veio, Bang! As coisas começam a jorrar. E você encontrou qualquer ouro, ouro músico. Portanto você vai explorar esse veio, e depois você está de volta. Zero, zero, e você está procurando outro veio.”

É um trabalho que ele ainda não controla. “Ninguém pode explicar aquele momento em que você dá vida aos personagens em sua música, em suas canções”, diz ele. “Isso vem do seu subconsciente e da sua experiência de vida. A alquimia desse momento permanece um mistério da mente, da psique e do coração.”

Para “Tracks II”, Springsteen e Ron Aniello, seu produtor e instrumentista desde 2010, otimizaram a qualidade do som e ocasionalmente adicionaram partes instrumentais às gravações antigas. Mas Springsteen “não regravou nenhum vocal”, disse Aniello por telefone. “Todos esses discos têm vocais daquela estação, quando quer que isso tenha sido.”

Seis dos chamados álbuns “perdidos” foram extraídos de projetos de estúdio que se aprofundaram em estilos particulares: lo-fi, country, ranchera mexicana, pop retrô. O sétimo álbum, “Perfect World”, é uma exceção. É uma compilação de canções de rock que Springsteen gravou dos anos 1990 até 2010, incluído para dar aos fãs de longa data o rock sucoso que esperam do Boss. Uma de suas canções, “Rain in the River” —uma balada de homicídio vigorosa— tem alguns dos vocais mais primitivos de todo seu catálogo.

A maior segmento de “Tracks II” surge de Springsteen trabalhando sozinho, porquê uma filarmónica de estúdio de um varão só, porquê ele faz desde os anos 1980. Ele grava com uma tira rítmica de fundo, “basicamente uma bateria eletrônica de qualquer tipo ou talvez unicamente um violão e minha voz”, diz ele. “Portanto eu corro por aí e toco todos os instrumentos. Toco os teclados, toco grave, toco as guitarras e os sintetizadores —unicamente para me dar uma teoria.”

“Se ele está fazendo uma demo, está pronta em uma hora”, disse Aniello. “É tipo, ‘Vou tentar um piano, vou colocar isso’, e é tudo unicamente uma tomada. É tudo muito bagunçado. Ele não está buscando tomadas perfeitas —haverá muito tempo para isso depois.”

As gravações mais antigas em “Tracks II” estão em “The L.A. Garage Sessions ’83” —canções esparsas, lo-fi que Springsteen gravou sozinho, usando uma bateria eletrônica. Uma vez que muitos fãs as ouviram em gravações de shows ao vivo ao longo dos anos, ele decidiu não mudá-las.

As canções mantêm a abordagem esquelética de “Nebraska”, e as letras evocam uma novidade coleção de personagens assombrados e abandonados. Mas, em vez de lançar essas sessões na estação, Springsteen optou por um pouco grandioso. Ele lançou o rock de redondel de “Born in the U.S.A.”, álbum que o tornou uma superestrela.

“Posso lembrar porquê eu estava fluindo naquele momento”, lembra ele, “e porquê eu estava ambivalente sobre ‘Born in the U.S.A.’, se eu queria seguir naquela direção e lançá-lo em seguida.” Agora, ele observa, está feliz com sua decisão.

A montagem de “Tracks II” começou em 2018, quando Springsteen decidiu revisitar as faixas que se tornaram “Somewhere North of Nashville”. São canções nasais, animadas, frequentemente cômicas. Uma delas, “Delivery Man”, é sobre um caminhão de galinhas que deu incorrecto. Surpreendentemente, as canções foram gravadas enquanto Springsteen estava fazendo “The Ghost of Tom Joad”, seu sombrio álbum de 1995 sobre pessoas marginalizadas lutando para sobreviver na Califórnia.

Durante o dia, Springsteen e uma pequena filarmónica se divertiam com gravações ao vivo no estúdio das canções de “Somewhere North of Nashville”. Posteriormente uma pausa para o jantar, eles trabalhavam nas canções de “Tom Joad” à luz de velas.

Marty Rifkin, o guitarrista que está em primeiro projecto em “Somewhere North of Nashville” e estranhamente atmosférico em “The Ghost of Tom Joad”, lembra: “Foi uma coisa linda, ele sorria o dia todo e sentia pelos personagens sobre os quais havia escrito a noite.” Springsteen acrescenta: “Durante o dia, eu tinha que realmente me esforçar e pisar fundo no acelerador. E portanto à noite era o completo oposto.”

As canções em “Inyo”, originárias de sessões dos anos 1990, são uma sequência folk para “The Ghost of Tom Joad”. Algumas são francamente modeladas em estilos mexicanos e fizeram Springsteen pesquisar história. Em algumas, uma filarmónica mariachi completa chega de repente. “Quando fui para a Califórnia, obviamente havia uma grande cultura migrante”, diz Springsteen. “Eu estava interessado na história disso, porque senti que levante é o horizonte dos Estados Unidos, o que o país se tornou.”

Por toda a coleção, um tema continua reaparecendo: a sombra inescapável do pretérito. Está em “Richfield Whistle”, de “The L.A. Garage Sessions ’83”; está na elaboradamente orquestrada “High Sierra”, de “Twilight Hours”. Fazendo uma pausa por um momento, Springsteen diz que a teoria refletia sua proximidade ao longo da vida com sua cidade natal, Freehold.

“Ainda moro a 10 minutos da minha cidade natal”, diz ele. “Em Freehold, conheço o prefeito, conheço o padre da St. Rose of Lima, conheço o rostro que administra a lanchonete. Ainda me sinto, nesta data tardia, muito conectado à comunidade e às pessoas com quem cresci.”

Ele acrescenta: “Um tanto que carreguei comigo a vida toda é uma certa culpa de sobrevivente. Talvez seja unicamente o sucesso, uma capacidade de deixar esses lugares, porquê eu fiz ao longo da minha vida, e viajar pelo mundo. Mas isso sempre está lá ao seu lado.”

Mesmo enquanto olha para trás em seu catálogo, ele está olhando para frente para novas canções. “Sou um varão melhor quando estou trabalhando”, diz. “Sinto que ainda tenho muito trabalho em mim, e nossa filarmónica também. Nossa filarmónica está em ótima forma, e continuamos.”

Folha

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