Cabos submarinos transformam ceará em polo de data centers

Cabos submarinos transformam Ceará em polo de data centers – 01/09/2025 – Tec

Tecnologia

Um lote a uma quadra da praia do Porvir, na capital cearense, deixará de receber grandes resorts porquê acontece nos quarteirões vizinhos. Lá será inaugurado, em outubro, o terceiro data center da Telhado, uma empresa de infraestrutura do dedo do grupo BTG.

A obra é segmento de uma tendência maior que levou o estado do Ceará ao posto de terceiro maior polo de data centers do país —em breve deverá ultrapassar o Rio, quando estiver pronto um multíplice da Mansão dos Ventos para receber máquinas do TikTok. Ficará logo detrás somente de São Paulo.

Em 2024, Fortaleza tinha 20 MW de capacidade instalada, e a Telhado irá juntar mais 10 MW com a unidade batizada de Mega Lobster, com possibilidade de expansão para 20 MW, em uma obra de R$ 550 milhões. O tamanho do data center é aferido por quanta robustez elétrica ele consegue oferecer aos servidores que lá operam.

Em Caucaia, na região metropolitana da capital cearense, o empreendimento da Mansão dos Ventos terá, em uma primeira tempo, 300 MW, o que deve aumentar a capacidade de processamento de dados do país em 30%. Nesse caso, a construção deve envolver R$ 12 bilhões em investimentos —R$ 38 bilhões ainda serão gastos pelos clientes da Mansão dos Ventos para importar computadores do exterior.

O estado é estratégico para a infraestrutura por três razões, diz o presidente da Etice (Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará). Está próximo de Estados Unidos, Europa e África, tem uma posição privilegiada por 16 cabos submarinos, e oferece lotes a preços baixos, em verificação aos valores praticados em São Paulo e Rio de Janeiro.

Para as empresas brasileiras, o data center é um negócio sobretudo imobiliário. As companhias locais constroem os prédios para atender aos requisitos de segurança e resiliência energética pedidas pelas multinacionais de tecnologia —a localização em um ponto conectado é uma vantagem suplementar. Toda a compra de computadores, que corresponde por 70% do investimento, fica a função da empresa estrangeira.

O Ceará agora também tenta agilizar a formação de mão de obra especializada. Embora o estado tenha um núcleo de pesquisa relevante na UFC (Universidade Federalista do Ceará) e um segundo em construção no ITA (Instituto Tecnológico de Aviação), a maioria dos profissionais engajados na construção de data centers ainda vêm de fora, de convénio com os técnicos e empresários ouvidos pela Folha.

Gerente de operações da Telhado, Edwin Eduardo Serrano Sanchez diz que o setor de multíplice de dados tem demandas específicas que requerem formação durante a atuação profissional. “Hoje, nós buscamos no Ceará profissionais experientes na construção de hospitais, que tem demandas similares, e os estamos treinando.”

A única lanço intensiva em mão de obra é a construção do data center. No caso da construção do Mega Lobster da Telhado, a obra em seu pico chegou a ter 400 funcionários. A sede é construída com estruturas pré-fabricadas de concreto, o que deve permitir que o prédio levantado em uma espaço de 13 milénio metros quadrados fique pronto em menos de um ano.

Quando as atividades se iniciarem, a projeção é de que 40 pessoas atuem no prédio, entre portaria, limpeza e segurança, além dos profissionais técnicos que atendem os clientes durante visitas e situação de crise, porquê cortes no fornecimento de eletricidade ou chuva. Os complexos da Telhado funcionam 24 horas, sete dias por semana, com quatro equipes cobrindo turnos de seis horas cada.

Enquanto o governo do Ceará celebra as obras porquê um triunfo de seu investimento em infraestrutura, ainda há suspeição da sociedade social, que ganhou corpo por meio de protestos do povo indígena Anacé.

No início do mês, eles ocuparam a sede da Semace (Superintendência Estadual do Meio Envolvente do Ceará) em Caucaia para se mobilizar contra a construção do data center da Mansão dos Ventos, da qual o grupo originário não foi avisado.

Outro ponto de questionamento da sociedade social cearense é o licenciamento ambiental dos data centers, que, em Caucaia, por exemplo, precisam atender aos mesmos critérios do que um shopping center.

O professor de engenharia de telecomunicações da UFC Alberto Sampaio Lima diz que é cultura dos municípios e que o estado está sisudo a essa discussão, embora não haja uma lei estadual.

De convénio com Lima, a sustentabilidade é outro diferencial no estado, graças ao investimento em robustez eólica, com turbinas fabricadas em Aquiraz, também na região metropolitana da capital cearense.

Aliás, nenhuma das empresas atuantes no estado diz usar evaporação no resfriamento dos data centers, método que despende chuva para diminuir o gasto de robustez necessário para fazer o data center funcionar.

Do lado das empresas, também há desafios de engenharia na instalação dos data centers em Fortaleza, uma vez que segmento das unidades fica próxima à praia e em espaço residencial.

Os equipamentos externos precisam receber tratamento com tinta próprio e reforço de borracha, para protegê-los da maresia da praia do Porvir, considerada a mais intensa do Brasil.

Aliás, as salas onde ficam as máquinas das big techs que procuram serviços dos provedores brasileiros de data centers precisam ter barreiras extras contra a areia. Sanchez, da Telhado, diz que, com os cuidados adequados, o equipamento dos clientes tem a mesma vida útil em Fortaleza ou em São Paulo.

As vegetais em espaço residencial ainda precisam relatar com isolamento acústico, já que data centers são equipados com grandes geradores e potentes aparelhos de condicionador de ar. O gerador usado pela Telhado, por exemplo, atinge um soído sumo de 110 db e precisa de permanecer em uma sala com isolamento de som equivalente ao de um estúdio de música.

Na região da praia do Porvir, os moradores dizem que não houve incômodo com a subida do data center a dois quarteirões do quebrar das ondas. “A prefeitura nos avisou da construção e tudo transcorreu sem problemas”, afirmou Sereno Luiz, que trabalha em um dos quiosques da região.

Folha

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