Calderano não entrou nos eua por risco terrorista de cuba

Calderano não entrou nos EUA por risco terrorista de Cuba – 08/07/2025 – Esporte

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A inclusão de Cuba na lista de países patrocinadores de terrorismo pelos Estados Unidos no dia 11 de janeiro de 2021, em um dos últimos atos da primeira gestão de Donald Trump na Moradia Branca, está por trás do incidente envolvendo o mesa-tenista Hugo Calderano na semana passada.

Atual número 3 do ranking mundial de tênis de mesa, Calderano não pôde disputar o torneio Grand Smash de Las Vegas, depois não obter sua autorização a tempo para ingressão no país.

O motivo foi uma viagem a Cuba, em 2023, quando ele disputou o Campeonato Pan-Americano e um evento de classificação para os Jogos Olímpicos de Paris-2024.

Porquê possui cidadania portuguesa, Hugo normalmente necessitaria unicamente informar a sua ingressão nos Estados Unidos por meio do Sistema Eletrônico para Autorização de Viagem (ESTA, em inglês), já que os países da União Europeia fazem secção do Programa de Isenção de Visto.

No entanto, por justificação da passagem por Cuba, o desportista deixa de ser elegível para a isenção de visto previsto pelo ESTA e é obrigado a solicitar o visto B1/B2, o mesmo cobrado de brasileiros e talhado a viagens a negócios, turismo, visitas a familiares ou tratamentos médicos, explica Fernando Canutto, sócio do Godke Advogados e perito em Recta Internacional Empresarial, com atuação em transmigração para os Estados Unidos.

“Globalmente, as entrevistas para a obtenção do visto podem levar de algumas semanas a mais de seis meses. Depois da entrevista, o visto costuma ser emitido em um prazo de uma a quatro semanas”, disse Canutto.

Segundo ele, a inclusão de Cuba na lista de países suspeitos visa ampliar a segurança do Programa de Isenção de Vistos (Visa Waiver Program), exigindo que viajantes com histórico de viagens a países apontados uma vez que suspeitos, uma vez que Cuba, Irã, Síria, Coreia do Setentrião e Sudão, obtenham visto em vez de usar o ESTA, fortalecendo a triagem pré-embarque.

“Com essa medida, voltaremos a responsabilizar o governo de Cuba e enviaremos uma mensagem clara: o regime de Castro deve pôr término ao seu esteio ao terrorismo internacional e à subversão da justiça americana”, disse na idade o logo secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo.

Segundo o governo americano, a designação se deu devido aos “repetidos atos de esteio ao terrorismo internacional”, pois a ilhota abriga fugitivos dos EUA e líderes colombianos ligados a guerrilhas. Contou também para Washington o vestimenta de Havana ser próxima da ditadura de Nicolás Maduro na Venezuela.

“Tudo indica que a manutenção de Cuba na lista durante a gestão Biden reflete uma preocupação de longo prazo com vetores de influência e segurança vernáculo, mais do que posicionamento partidário inopino”, afirmou Canutto.

O brasiliano ainda tentou obter um visto emergencial, mas, apesar do esteio da Associação de Tênis de Mesa e do Comitê Olímpico e Paralímpico dos Estados Unidos, não conseguiu agendar uma entrevista consular a tempo de viajar para o início da competição.

“É frustrante permanecer fora de uma das mais importantes competições da temporada por questões que fogem do meu controle, mormente vindo de resultados tão positivos”, disse o carioca de 29 anos em grande temporada na sua curso, com o título da Despensa do Mundo e, mais recentemente, a medalha de prata no Mundial.

“A CBTM [Confederação Brasileira de Tênis de Mesa] lamenta o ocorrido, espera que o incidente não comprometa a trajetória do desportista e segue sempre à disposição dos mesa-tenistas brasileiros para facilitar em casos uma vez que oriente”, assinalou a confederação da modalidade.

CEO da ITTF (Federação Internacional de Tênis de Mesa), Steve Dainton criticou Calderano depois o incidente e afirmou que “ser profissional exige mais que performance”.

“É uma grande desilusão que o Hugo não tenha podido vir. Ele é um jogador incrível, com resultados recentes que mostram que ele é atualmente um dos melhores do mundo. Tê-lo em seu continente também era importante para nós”, disse Dainton.

“Mas temos incentivado os jogadores a se prepararem com meses de antecedência para os vistos, e aqueles que se planejaram adequadamente não tiveram grandes problemas. A USATT tem oferecido uma ajuda incrível com isso. Isso é um lembrete de que ser profissional exige mais do que unicamente performance na mesa; significa também assumir a responsabilidade por tudo que acontece fora dela”, acrescentou.

Folha

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