Dados do Recenseamento de 2022 sobre religião mostram aumento significativo do número de fiéis evangélicos no Brasil, nas últimas décadas. Para saber melhor quem são esses brasileiros, o programa Caminhos da Reportagem que a TV Brasil leva ao ar nesta segunda-feira (30), às 23h, visitou diferentes igrejas espalhadas pelo país.
De tratado com o último levantamento do Instituto Brasílico de Geografia e Estatística (IBGE), a cada quatro brasileiros, um é evangélico. O Recenseamento revelou progresso no percentual de adeptos dessa religião em confrontação com os números de 2010, passando de pouco mais de 20% para quase 27%.
A primeira paragem da jornalista Luciana Barreto foi na Lar da Benção, localizada em Mesquita, região metropolitana do Rio de Janeiro. De origem pentecostal, a Igreja foi fundada em 1964 e hoje conta com mais de 2 milénio unidades espalhadas pelo Brasil e outras partes do mundo.
André Ferreira é empresário e pastor na Lar da Benção. Nascido em família católica, a mudança de religião da família começou pela mãe: “A minha mãe era desenganada pela medicina porque sofria do coração. Foi aí que ela resolveu procurar ajuda numa igreja evangélica. Foi quando conheceu a Lar da Benção”. José Luiz Ferreira, pai de André, encontrou na Igreja um caminho para os problemas de alcoolismo: “Deus transformou a nossa vida, portanto, eu pelo menos me sinto realizado com a minha família, tanto na presença de Deus”.
O teólogo e diretor do Instituto de Estudos de Religião (Iser), Ronilso Pacheco, ressalta que “a sociedade brasileira tem uma marca de religiosidade muito possante, sobretudo nas classes populares, que vai lendo as dificuldades da vida a partir de lentes muito espiritualizadas e religiosas”.
Em Búzios, na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro, a equipe de reportagem da TV Brasil visitou o Quilombo de Baía Formosa, um território formado originalmente pela antiga Quinta de Santo Inácio dos Campos Novos, onde, atualmente, vivem murado de 130 famílias.
Na dezena de 1970, segmento do quilombo foi desterritorializado, dando origem a um processo de luta e resistência. Em 2022, a comunidade recebeu uma doação das terras, feita por fazendeiros da família Cunha Bueno, em um ato de reparação histórica.
O Quilombo de Baía Formosa é um dos inúmeros locais no Brasil que mantêm expressões culturais praticadas por seus avós, ainda que, assim uma vez que muitos outros, não se apoie nos mesmos referenciais das religiões de matriz africana. Para Elizabeth Fernandes Teixeira, quilombola e presidente da Associação Cultural do Quilombo de Baía Formosa, o trajo de ser evangélica não interfere: “A gente já nasce sendo indígena ou quilombola, né? E a nossa religião a gente escolhe. Nós escolhemos ser evangélicos, mas em momento nenhum deixamos que interferisse [em nossa cultura]. Pelo contrário, só somou”.
Enquanto prepara a feijoada para a equipe de gravação, o quilombola Renan fala da escassez de preconceito entre a comunidade e os que lá visitam “A maioria acha que quando a pessoa diz quilombo, é uma coisa ligado a candomblé, mas não tem zero a ver. Cá é um lugar que onde vêm pessoas da Igreja, de vários tipos de religiões”.
A fala de Renan é somente um exemplo de uma vez que essas pessoas buscam conviver em simetria. No programa, Luciana Barreto reflete sobre as relações entre as pessoas da comunidade: “Há uma tentativa de saudação, de manutenção da tradição, de manutenção da ancestralidade, de manutenção das raízes, ao mesmo tempo que há uma convívio interessante com a princípio evangélica”.
Em Piraí, no Vale do Paraíba Fluminense, a equipe visitou dois assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Sem Terreno (MST): o Rosali Nunes, onde vivem 39 famílias; e o Terreno da Sossego, com 34 famílias. Embora não existam pesquisas que comprovem o aumento de adeptos da religião entre os integrantes do MST, Ronilso explica que “é notório o incremento da presença evangélica em assentamentos. O MST muda um pouco da sua pedagogia, da sua estrutura, pensando na presença desse público evangélico”.
O lavrador Antenor Gil de Souza, morador do Assentamento Terreno da Sossego, conta uma vez que a fé o ajudou na luta pela terreno,
“Em todos os acampamentos por onde passei, se não tivesse congregação, eu abria. Porque na congregação você vai falar de paixão, vai falar de consideração, saudação, estima. Portanto, estamos lutando cá, lutando pela terreno, Sem Deus, acho que não conseguiríamos absolutamente zero. Disso tenho plena crença. Sou leal nisso. Tenho certeza que não chegaremos a lugar nenhum”.
Sirlei Maria Lopes Gil de Souza, também agricultora e esposa de Antenor, faz questão de falar que o MST não se envolve em religião: “temos volubilidade de religiões dentro do movimento. Não existe preconceito em absolutamente nenhum tipo de situação”.
A fala de Sirlei ilustra o que a jornalista Luciana Barreto vivenciou durante as gravações.
“É muito interessante perceber o quanto questões ideológicas não interferem nos assentamentos. Muito interessante ver a proximidade dessas ideologias, a do cristianismo e a da luta por justiça social”.
Sobre o programa
Produção jornalística semanal da TV Brasil, o Caminhos da Reportagem leva o telespectador a uma viagem pelo país e o mundo detrás de pautas especiais, com uma visão dissemelhante, instigante e complexa de cada um dos assuntos escolhidos.
No ar há mais de uma dezena, o Caminhos da Reportagem é uma das atrações jornalísticas mais premiadas não só do via, uma vez que também da televisão brasileira. Para relatar grandes histórias, os profissionais investigam assuntos variados e revelam os aspectos mais relevantes de cada tema
Saúde, economia, comportamento, ensino, meio envolvente, segurança, prestação de serviços, cultura e outros assuntos são abordados de maneira única. As matérias temáticas levam teor de interesse para a sociedade pela tela da emissora pública.
Questões atuais e polêmicas são tratadas com profundidade e seriedade pela equipe de profissionais do via. O trabalho minucioso e muito executado é reconhecido com diversas premiações importantes no meio jornalístico.
Exibido às segundas, às 23h, o Caminhos da Reportagem tem horário recíproco na madrugada para terça, às 4h30. A produção disponibiliza as edições especiais em seu site e no youtube da emissora pública. As matérias anteriores também estão no aplicativo TV Brasil Play, disponível nas versões Android e iOS.
