Kathryn Bigelow permanece uma cineasta da guerra. Mas um pouco aparece dissemelhante em “Mansão de Dinamite” em relação a seus filmes mais marcantes. Tanto “Guerra ao Terror” —de 2008, que lhe deu o Oscar de melhor direção) uma vez que “A Hora Mais Escura”, de 2012, eram filmes que se pode invocar de otimistas.
No primeiro, era explorado o risco, mas também o vitória do mal-agradecido trabalho de atuar em campos minados do Oriente Médio, desmontando bombas. Era difícil, mas os especialistas dos Estados Undios se saíam muito, muito muito.
Em “A Hora Mais Escura”, Bigelow se consolidou uma vez que cineasta do Estado-Maior, ao retratar a perseguição e morte de Osama bin Laden, suposto articulador dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 aos EUA. Também cá, o saldo do estado militarista era solidamente otimista. O término do combate ia ao encontro da crença de que, eliminando a cabeça, acaba-se com o problema.
De lá para cá, um pouco aconteceu. Os militares de ambos os filmes pisavam em terreno firme: o domínio dos Estados Unidos sobre o mundo era óbvio desde o término da URSS. Ao reafirmá-lo com seu estilo musculoso, os filmes de Bigelow talvez previssem os anos de incerteza que se seguiriam.
Pois muito: “Mansão de Dinamite” é justamente o filme da incerteza. O título vem de uma reflexão do presidente americano, feita em tela: a era atômica é uma vez que se alguém construísse uma vivenda, a enchesse de dinamite e continuasse a viver dentro dela. Ou seja: o risco de explosão é sempre iminente.
No caso, o filme começa numa dessas salas de crise frequentes no cinema americano: vários militares frente a monitores enormes e telas de computadores. Ordens rápidas, sentido de urgência, entre outras coisas. Zero muito dissemelhante de, digamos, “Impacto Profundo”. A diferença é que desta vez um míssil é lançado contra o território dos Estados Unidos, mas ninguém sabe de onde saiu. Seriam os russos? Os chineses? Por que não os coreanos (do Setentrião, simples)?
A primeira teoria é, simples, retaliar. Mas bombardeando a quem? A antiga certeza das salas de crise americana, onde todos sabiam o que fazer e tinham certeza dos resultados positivos, hesita. O incógnito não é mais o pobre Iraque: é alguma outra potência com meios de devastação também muito persuasivos.
Em outros tempos, essas situações aconteciam quando a inimiga era a natureza, caso do objeto prestes a colidir com a Terreno de “Impacto Profundo”: era o irresistível que deixava aqueles rostos tão angustiados.
Desta vez, é outra coisa que pretexto essa angústia: dentro de alguns poucos minutos um míssil atingirá em referto a cidade de Chicago e matará seus 9 milhões de habitantes. Aciona-se o antimíssil mais moderno e potente, coisa de US$ 70 bilhões e dá o maior chabu. Retaliar? Mas uma vez que? Se mandar um míssil contra a Rússia, a guerra nuclear é certa, mesmo que os russos não tenham zero a ver com isso. Se zero for feito, talvez os russos (e os chineses) venham para cima. Entre outros desastres possíveis.
Em vista disso, o filme cobre mais ou menos 15 minutos de ação até chegar às quase duas horas de filme. O procedimento é narrar o mesmo caso de vários pontos de sta. A sala de crise, o assessor de não sei quem, o secretário de Resguardo, a técnico em China: cada um vê o caso de seu ponto de vista, mas cada um deles joga a explosivo, literalmente, nas mãos do encarregado, o presidente.
Essas várias versões, além de um tanto confusas narrativamente e fartamente ociosas, trazem um pouco importante. Quando procurados, os grandes homens da país estão todos em outra: o secretário da Resguardo se preocupa em falar com a filha, que mora em Chicago; a assessora que sabe tudo de China está numa encenação histórica da guerra de Gettysburg, ocorrida durante a Guerra de Secessão; há outro que está jogando golfe; o presidente está ensinando crianças a jogar basquete…
Não se trata de acusar esses homens de irresponsabilidade ou um pouco assim, mas de sugerir que os EUA, julgando-se muito seguros e superiores aos rivais, deram tenro. E agora enfrentam as consequências.
A bela frase do presidente, constatação tardia e trágica de até onde foi a preocupação das grandes potências por armas nucleares não transforma, de modo qualquer, o ponto mediano do raciocínio da belicista Bigelow.
Mais ou menos uma vez que os generais dementes do “Dr. Fantástico”, do qual leste “Mansão de Dinamite” não vasqueiro parece uma paródia séria da comédia de Stanley Kubrick, Bigelow parece crer que a única chance de lucrar uma guerra dessas é trespassar na frente, lançar o primeiro míssil.
É um raciocínio pequeno, o que talvez explique o quanto leste filme é enfadado, e porque sua solução à la “Rashomon” é só um traque, ou um truque, mas não serve para zero, a não ser aumentar a metragem.
