Walter Casagrande Júnior, 62, fez um pedido antes de concordar o invitação para a sua primeira experiência teatral —ele queria subir ao palco sem roteiro, livre para narrar os dramas e as vitórias de sua trajetória.
A exigência foi aceita e o ex-jogador e comentarista está prestes a alongar ao currículo a estreia do solilóquio “Na Marca do Pênalti” no Festival de Curitiba, uma das vestígios teatrais mais prestigiadas do país, que chega à 34ª edição com 300 atrações em teatros, espaços culturais, ruas e praças da capital paranaense e região metropolitana, entre os dias 30 de março e 12 de abril.
Com trilha sonora que inclui canções de Belchior e Rita Lee, o ex-atleta vai apresentar no Guaíra, chamado de o Maracanã dos teatros, uma performance em que faz uma conformidade entre a cobrança de um pênalti e diversos episódios de sua vida.
O espetáculo solo foi idealizado e dirigido por Fernando Philbert e teve um tentativa cândido no Teatro Corinthians, no Parque São Jorge, em dezembro do ano pretérito. O diretor e o ex-jogador se conheceram em uma plateia de teatro, onde Casagrande é figura fácil de encontrar, assim porquê nos cinemas da capital paulista.
“A marca do pênalti é uma situação da vida que todos passamos, diversas vezes. Precisamos tomar decisões na puberdade, na vida profissional, nos relacionamentos”, diz o ex-jogador. “O maior pênalti que bati na vida foi meu tratamento para a obediência química. Eu não podia fazer o gol. O goleiro, que era o médico, tinha que pegar o meu pênalti”.
A estreia vernáculo no Festival de Curitiba é uma aposta dos organizadores em uma experiência teatral inusitada, protagonizada por um não-ator que divide fatos reais com a plateia.
“A gente adora apostar nesse tipo de atração”, diz Fabíula Passini, uma das diretoras do festival. Ela acredita que muitas pessoas vão se reconhecer nas histórias narradas pelo ex-atleta. Elas passam pela puerícia e juventude no bairro da Penha, zona leste de São Paulo, abordam a paixão pelo futebol a partir da Despensa de 1970, a morte da mana aos 22 anos, a relação estreita com a música brasileira, chegam à Democracia Corinthiana e à luta contra a obediência química.
Casagrande ficou surpreso ao receber o invitação para a apresentação no histórico Teatro Guaíra, mas não teme a presença em um espaço fora de sua zona de conforto.
“Já estreei diversas vezes. Estreei no Corinthians, no São Paulo, no Flamengo, na seleção brasileira, na Europa”, lembra. “Vou fazer minha estreia no Guaíra, mas na minha cabeça é o Maracanã. Vou subir no palco pela primeira vez, mas na minha cabeça vou jogar uma partida.”
Além do solo de Casagrande, espetáculos teatrais premiados, obras de grupos periféricos, dança, circo, música, humor e até gastronomia fazem secção da programação do festival, com venda de ingressos a partir desta terça-feira (10).
“Pensamos em um público plural. Não temos um público nichado. É uma programação realmente muito diversa”, afirma a diretora.
O Festival de Curitiba reúne espetáculos premiados e elogiados por público e sátira; artistas que não passam pela curadoria e se apresentam na Mostra Fringe, atraindo olheiros, produtores e programadores; e espaços dedicados a ações formativas, debates, encontros, palestras e oficinas.
Entre as principais atrações deste ano estão os espetáculos teatrais “Dois Papas”, de Anthony McCarten, responsável do livro de mesmo nome, apropriado para roteiro de filme para a Netflix; a comédia “A Sabedoria dos Pais”, dirigida por Miguel Falabella e com Herson Capri e Natália do Vale no elenco; “(Um) Experiência Sobre a Fanatismo”, a leitura do Grupo Galpão para a obra de José Saramago, e “Mulher em Fuga”, com Malu Galli e Tiago Martelli, adaptação de livros de Édouard Louis.
Há ainda “O Motociclista no Mundo da Morte”, solo de Eduardo Moscovis; a remontagem de “A Máquina”, um marco da dramaturgia brasileira que revelou, há 25 anos, os atores Wagner Moura, Lázaro Ramos, Vladimir Brichta e Gustavo Falcão e se apresentou em Curitiba com o elenco original; “A Boca Que Tudo Come Tem Míngua (Do Cárcere às Ruas)”, da Companhia de Teatro Heliópolis, sobre a reconstrução da vida em seguida a prisão, e “Piracema”, espetáculo de dança que marca os 50 anos do Grupo Corpo.
Entre as atrações internacionais, o moçambicano Edivaldo Ernesto apresenta em “Brace” uma obra que acompanha um viajante na jornada de tomada de consciência sobre o seu lugar no presente e o seu legado. E a Cia Plágio de Teatro, da Argentina, leva a Curitiba “Bailarinas Incendiadas”, sobre a história de dançarinas queimadas por lâmpadas usadas em teatros antigos.
Com orçamento estimado em R$ 12 milhões, o festival teve um público de 200 milénio pessoas em 2025, número que deve ser repetido nascente ano —os ingressos costumam esgotar antes do início do evento, com filas e correria na bilheteria.
A Mostra Surda de Teatro, secção do festival, está na terceira edição com artistas e produtores surdos. Realizada na Capela Santa Maria, a mostra apresentará espetáculos que exploram a linguagem dos sinais porquê frase artística.
No Risorama, em formato de clube de comédia na Pedreira Paulo Leminski, o anfitrião será Diogo Portugal, que receberá nomes porquê Nany People, Bruna Louise, Nando Viana e Rodrigo Marques.
Mortos em 2025, os artistas Maurício Vogue, de Curitiba, e Teuda Bara, do Grupo Galpão, de Belo Horizonte, serão homenageados com uma exposição de fotos na sala de prensa do festival.
