Nas últimas semanas, um furo jornalístico do G1 revelou a identidade de um servidor ligado à Sucursal Brasileira de Lucidez (Abin) que atua publicamente uma vez que apresentador do meio “Fala, Glauber”, jogando luz sobre o funcionamento do sistema de perceptibilidade do Estado. Glauber, que se apresentava uma vez que policial penal federalista, mantém um podcast com mais de 3 milhões de inscritos no YouTube, devotado a entrevistas e comentários sobre segurança pública, política e geopolítica.
A revelação veio acompanhada da informação de que ele estaria em licença médica no serviço público enquanto mantinha uma rotina intensa de produção de teor, o que motivou apuração administrativa e ampliou a repercussão do caso. Entre brasileiros debatendo nas redes, porém, o que ganhou centralidade não foi o processo administrativo, mas o vazamento de uma identidade que, por definição funcional, deveria permanecer protegida, transformando um caso individual em questão institucional sobre sigilo dentro do sistema brasílico de perceptibilidade.
Dados da Palver, que monitora mais de 100 milénio grupos públicos de WhatsApp, ajudam a dimensionar essa repercussão. Um dia posteriormente a publicação da reportagem, registrou-se o maior volume de menções à Abin nos últimos seis meses. Em condições normais, o órgão aparece em 2 a 3 menções a cada 100 milénio mensagens trocadas; no dia 4 de fevereiro, esse número chegou a 30, indicando que a atenção dedicada à Abin ultrapassou seu patamar habitual e rompeu a bolha restrita em que temas de perceptibilidade normalmente circulam.
A leitura das mensagens mostra que a narrativa dominante não se concentrou na licença médica nem em eventuais irregularidades administrativas, mas na percepção de lapso institucional. Expressões uma vez que “a Abin expôs o rosto” ou “a Abin não poderia ter exposto um agente assim” aparecem de forma recorrente, muitas vezes acompanhadas de comparações uma vez que “na Rússia ele já tinha virado comida de urso branco” ou “nem o transgressão organizado entrega os seus infiltrados”.
Um segundo eixo desloca a discussão para o projecto estratégico. Secção das mensagens trata o apresentador não uma vez que irregularidade administrativa, mas uma vez que ativo institucional perdido: “era um ativo magnífico” e “a Abin poderia usar o meio dele para crescer o nome da instituição, coletar dados e obter informações de convidados políticos e policiais”. A exposição passa, assim, a ser lida também uma vez que perda de oportunidade operacional.
Há ainda um terceiro conjunto que tenta enquadrar o incidente na disputa política mais ampla. Essa risca aparece sobretudo à esquerda, não estrutura a conversa principal, mas procura politizar o evento.
O Brasil é um país que já foi fim direto de espionagem estratégica, uma vez que no monitoramento realizado pelos Estados Unidos contra a Petrobras, revelado pelos documentos de Edward Snowden. Mais recentemente, no início de janeiro deste ano, surgiram suspeitas de espionagem científica posteriormente o roubo de equipamentos e computadores em um laboratório da Universidade de São Paulo. Episódios dessa natureza não dizem reverência unicamente a falhas pontuais, mas à capacidade de contrainteligência do Estado.
A existência de um sistema de perceptibilidade e contrainteligência sólido, profissional e protegido é requisito necessária para o desenvolvimento tecnológico e estratégico do país, inclusive do setor privado. Irregularidades internas, inclusive eventuais crimes, precisam ser apuradas com eficiência, mas sem comprometer a reputação institucional nem expor ativos sensíveis. O problema, em casos uma vez que levante, não está na legítima apuração jornalística, mas na falta de mecanismos suficientemente robustos de autodepuração e preservação dentro da própria estrutura de perceptibilidade.
Ao longo dos últimos anos, a crise política já alcançou o ecossistema de perceptibilidade brasílico nas investigações sobre a trama golpista. Eventos uma vez que levante aprofundam a erosão de crédito em uma dependência que é, antes de tudo, uma instituição de Estado, e cuja solidez é secção forçoso da capacidade do Brasil de se declarar uma vez que país soberano.
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