'chespirito' é condescendente com criador de 'chaves' 26/07/2025

‘Chespirito’ é condescendente com criador de ‘Chaves’ – 26/07/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Nas duas últimas semanas, plataformas de streaming no Brasil estão recebendo centenas de episódios de “Chaves” e “Chapolin”. Os canais Netflix, GloboPlay, Multishow, Amazon Prime Video e +SBT estão com vasto ror das duas séries criadas e protagonizadas pelo repórter e comediante mexicano Roberto Gómez Bolaños (1929-2014), popularmente divulgado porquê Chespirito.

A invasão “chespiriana” tem a ver com o imbróglio jurídico entre a rede Televisa, distribuidora das séries, e os herdeiros de Bolaños. A celeuma foi resolvida depois quatro anos. Centenas de episódios estão aparecendo aos poucos em cada plataforma, incluindo uma grande variedade de dublagens em português e a oportunidade de ver ou rever tudo de mais importante das criações de Bolaños.

É nesse contexto que se concluiu, na última quinta-feira, a minissérie “Chespirito – Sem Querer Querendo”, produção mexicana da HBO Max que conta ficcionalmente segmento da vida do comediante.

Em oito episódios, o testemunha acompanha a trajetória do protagonista na Cidade do México desde rapaz, passando pela puerícia modesta, a curso porquê redator publicitário e a ingresso na televisão, onde se notabilizou em esquetes cômicos que o levaram a bolar, no início dos anos 1970, seus dois personagens mais famosos.

A primeira metade dos episódios alterna idas e vindas no tempo para tratar de vários momentos da biografia de Bolaños, o que deixa o público ver logo o elenco reencenando figuras queridas porquê Chiquinha, Quico, Dona Florinda, Seu Madrugada e professor Girafales, além do próprio Chaves.

Secção do magia está não exclusivamente nos atores e atrizes a reviver esses personagens, mas em seguir as intrigas pessoais e profissionais de acontecimentos até hoje envoltos em muita fofoca e narrativas desencontradas.

“Chespirito – Sem Querer Querendo” é escrita pelos irmãos Roberto Gómez Fernández e Paulina Gómez Fernandez, dois dos seis filhos de Bolaños. A dupla adapta a autobiografia do pai, de 2006. Isso leva a uma abordagem às vezes condescendente. Ainda que não seja hagiográfica e aborde situações controversas do artista, mormente a negligência afetiva com a família, o roteiro minimiza certas brigas criativas e infidelidades conjugais.

Aliás, duas figuras centrais aparecem um tanto vilanizadas em cena. Carlos Villagrán, ator que fazia o garoto Quico, é mostrado quase sempre porquê um varão mimado e encrenqueiro, enquanto Florinda Meza é a mulher que desestabiliza o responsável emocionalmente e o leva a romper um tálamo de 23 anos.

Ainda que em nenhuma das interações Bolaños seja tratado porquê vítima, o retrato um tanto amargo da dupla —que não preza da simpatia por segmento de familiares de Chespirito— fez com que eles fossem renomeados em cena.

Villagrán é chamado de Marcos Barragan, e Florinda teve o nome confuso para Margarita Ruiz. Desde antes de a série estrear na HBO, ambos têm feito declarações públicas criticando a abordagem ficcional de suas contrapartes.

Para além das tretas, “Chespirito – Sem Querer Querendo” emociona mormente a quem tem relação prévia e afetiva com os personagens de Bolaños. O roteiro mostra seu processo criativo porquê um pouco um tanto intuitivo e muitas vezes eventual, o que faz demorar para que se compreenda, de vestuário, o quão genial ele era.

Se os iniciados sabem de sua prestígio por tanto verem e reverem “Chaves” e “Chapolin”, o mesmo não se pode esperar de um leigo que se interessa em testemunhar à biografia de um grande artista latino-americano e não encontra o que fez dele um dos maiores nomes do cenário cultural no continente.

A partir do quinto incidente, a série se ajusta melhor à própria narrativa ao estabelecer o repórter no auge e se estancar nos dilemas profissionais e pessoais. Nesse ponto reforça-se a presença de Graciela Fernández, primeira mulher de Bolaños e mãe de todos os seus filhos, morta em 2013.

Figura necessário porquê parceira de vida e trabalho do ator, ela ficou muitos anos invisibilizada devido à maneira tumultuada porquê terminou seu tálamo e pela personalidade mais controladora de Florinda Meza, a segunda mulher de Chespirito e com quem ele ficou casado até a morte.

O grande roda dramático da minissérie é a formação e rescisão dos laços do protagonista: ele e os parceiros de televisão, ele e a mulher e filhos.

De certa forma, são narradas tragédias íntimas reconfiguradas pela fortíssima relação de Chaves e Chapolin com os fãs. O impacto popular dessas duas criações mantém a sanidade de Bolaños. Nisso “Sem Querer Querendo” emociona e se conecta ao universal para além de seus fãs.

Folha

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