Cidade sustentável é desafio para política habitacional, diz urbanista

Cidade sustentável é desafio para política habitacional, diz urbanista

Brasil

A precariedade habitacional não se configura unicamente pela falta de moradia, mas também pela escassez de estruturas que garantam serviços básicos próximos dos moradores. A desfecho é do professor franco-colombiano Carlos Trigueiro, da Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne, que esteve no Brasil, em evento promovido pelo Instituto Motiva. “Esse é o elemento mais sério de viver na América Latina”, destacou.

O professor trabalha com o noção urbano, que visa à organização de bairros para que os moradores possam ter suas necessidades diárias – uma vez que saúde, negócio, lazer e ensino – garantidas a uma intervalo próxima da sua residência. A proposta tem o objetivo de reduzir a subordinação dos carros e a poluição, além de melhorar a qualidade de vida e o bem-estar e promover a resiliência das comunidades.


Brasília (DF) 10/10/2025 – Professor franco-colombiano Carlos Moreno, da Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne.
Foto: Charles Trigueiro/Divulgação
Brasília (DF) 10/10/2025 – Professor franco-colombiano Carlos Moreno, da Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne.
Foto: Charles Trigueiro/Divulgação

Professor franco-colombiano Carlos Trigueiro, morar longe das regiões centrais e sem entrada a serviços é sinônimo de exclusão – Foto: Charles Trigueiro/Divulgação

“Mesmo que tenhamos boas intenções e construamos prédios de habitação social, se esses prédios forem caixas de fósforos, longe do meio, se a cidade se comportar uma vez que uma centrífuga que manda as pessoas com menos recursos cada vez mais para longe, estamos distanciando-as da vida por estarem nesses lugares sem serviços”, disse o urbanista, no tela A Cidade de 15 Minutos.

Trigueiro defende que morar longe das regiões centrais e sem entrada a serviços é sinônimo de exclusão.

“É o cerne do que estamos desenvolvendo e corresponde ao que estamos propondo: transformar nosso modo de vida na cidade para que nosso tempo seja útil e digno, para que tenhamos inclusão social e econômica, com serviços de saúde, ensino, negócio, espaços públicos e cultura”, destacou o urbanista.

Para ele, o rápido aumento da urbanização deu origem a muita informalidade, uma grande carência de serviços e até mesmo dificuldade de convívio, principalmente na expansão de metrópoles do Sul Global. O Brasil é um exemplo dessa dinâmica, com um aumento vertiginoso da população urbana a partir da dezena de 1970, segundo dados do Instituto Brasílico de Geografia e Estatística (IBGE).

“Estamos falando de um continente e de um país com cidades que representam um duelo considerável. Humanidade uma vez que prática são cidades humanizadas, onde nos reconhecemos em nossa multiplicidade. Cidades sustentáveis são aquelas ​​onde levamos em conta não unicamente a natureza e a biodiversidade, mas onde vivemos em simetria para terçar os tempos de um mundo altamente urbano”, disse Trigueiro.

Soluções

Os elementos que contribuem com o objetivo de uma cidade sustentável incluem soluções baseadas na natureza, ampliação de áreas verdes e o fomento de uma mobilidade que emita menos carbono. A presidente do Instituto Motiva, Renata Ruggiero, reforça que um território sustentável depende ainda de outros fatores.

“Não dá para a gente falar numa cidade sustentável convivendo com desigualdades sociais tão crônicas uma vez que a gente tem cá no Brasil. Uma cidade sustentável precisa ser inclusiva e oferecer mais oportunidades aos seus habitantes para que a gente reduza as desigualdades”, apontou.


Brasília (DF) 10/10/2025 – Presidente do Instituto Motiva, Renata Ruggiero
Foto: Charles Trigueiro/Divulgação
Brasília (DF) 10/10/2025 – Presidente do Instituto Motiva, Renata Ruggiero
Foto: Charles Trigueiro/Divulgação

A qualidade de vida é fundamental para a construção de cidades sustentáveis, diz a presidente do Instituto Motiva, Renata Ruggiero – Foto: Charles Trigueiro/Divulgação

Renata Ruggiero destacou ainda a qualidade de vida uma vez que elemento necessário para a construção de um território mais sustentável, a termo de que as pessoas tenham possibilidade de ter hábitos mais saudáveis e viver de forma mais integrada, por meio de iniciativas no campo da saúde e do esporte.

O bairro de Presidente Altino, localizado na mote entre a capital paulista e Osasco, foi selecionado para emprego de uma estratégia social, conduzida pelo instituto, com foco em cidades e comunidades sustentáveis, a partir de uma ampla coalizão territorial. O projeto prevê, além do Instituto Motiva, a mobilização de empresas e organizações da sociedade social que estão no território, além do poder público e da população sítio.

“A teoria é que esse processo todo, desde o início – uma vez que fazer, uma vez que mobilizar, uma vez que organizar, uma vez que ter uma governança ao longo do tempo –, possa ser sistematizado para contribuir com a formulação de políticas públicas para a dimensão das cidades”, contou Renata sobre o desenvolvimento de uma metodologia de urbanismo social no bairro paulistano.

Em parceria com Núcleo de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Horizonte, o processo será todo sistematizado, com o objetivo de ser um protótipo.

“É um caminho que pode ser replicado para tantos outros territórios e que envolve todos os atores. O problema é que, muitas vezes, as transformações e os impactos são menores, localizados e menos potentes porque não têm pronunciação entre vários agentes”, disse Renata.

Além dos benefícios locais, a proposta é que a metodologia possa influenciar a formulação de políticas públicas para cidades. “Esse projeto de inovação social, essa coalizão territorial que vamos inaugurar, tem esse objetivo de implementação de ações e de iniciativas ali para o território, que ao longo do tempo vão contribuir com o desenvolvimento sítio, mas ele tem também essa visão maior.”

Ao todo, 20 territórios – entre cidades e comunidades – foram selecionados pela instituição para receber ações que visam à promoção de espaços mais sustentáveis, divididos pelos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Bahia, Paraná e Mato Grosso do Sul. Os locais serão submetidos, inicialmente, a um diagnóstico, e haverá a elaboração de planos de desenvolvimento territorial específicos.

Fonte EBC

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