Cinebh abre 19ª edição com pré estreia de o agente secreto

CineBH abre 19ª edição com pré-estreia de O Agente Secreto

Brasil

A capital mineira recebe, desta terça-feira (23) a quinta-feira (28), a 19ª edição da Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte (CineBH), que se consolida porquê um  importante espaço de exibição e formação de público para o cinema mineiro.

A mostra é composta por 101 filmes em pré-estreias e sinais temáticas, além de debates, oficinas e atividades voltadas à formação e ao mercado audiovisual.

A sessão de franqueza será na noite desta terça-feira, no Cine Theatro Brasil, com a pré-estreia de O Agente Secreto, produção pernambucana de Kleber Mendonça Fruto. O longa, que já conquistou três prêmios no Festival de Cannes, com direção, melhor ator para Wagner Moura e prêmio da sátira, foi escolhido para simbolizar o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar 2026 de melhor filme internacional.

Em entrevista exclusiva à Sucursal Brasil, a coordenadora universal da mostra e diretora da Universo Produção, Raquel Hallak, que também promove a Mostra de Tiradentes desde 1998 e a CineOP, em Ouro Preto, desde 2006, conta a origem da CineBH e os destaques deste ano.


Rio Piraciba (MG), 12/09/2025 - Raquel Hallak participa do projeto Cinema na Cidade - CineBH.. Foto: Leo Lara/Universo Produção
Rio Piraciba (MG), 12/09/2025 - Raquel Hallak participa do projeto Cinema na Cidade - CineBH.. Foto: Leo Lara/Universo Produção

Raquel Hallak coordenadora universal da mostra CineBH – Foto: Leo Lara/Universo Produção

Sucursal Brasil – ⁠Uma vez que surgiu a teoria do CINE BH?

Raquel Hallak – A CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte nasceu em 2007 a partir da percepção de que era necessário gerar, na capital mineira, seu evento de cinema, e gerar também em Minas Gerais um espaço voltado à conexão entre a geração artística e o mercado audiovisual. Já realizávamos a Mostra de Tiradentes [desde 1998] e a CineOP [Ouro Preto-desde 2006], cada uma com sua identidade, e entendemos que Belo Horizonte tinha vocação para sediar um evento com foco na formação de mercado, internacionalização da produção brasileira e intercâmbio profissional.

Sucursal Brasil – ⁠Qual é a relevância do evento para a cidade e porquê o público participa?

Raquel Hallak – A CineBH é hoje um dos principais eventos culturais da capital mineira e contribui diretamente para o fortalecimento do setor audiovisual, movimentando a economia criativa, o turismo cultural e o calendário artístico da cidade. Para o público, é uma oportunidade única de presenciar a filmes inéditos, participar de debates, oficinas, rodas de conversa e encontros com realizadores, tudo gratuitamente. 

Sucursal Brasil – Oriente ano serão 101 filmes entre brasileiros e internacionais. Uma vez que você vê o atual cenário do cinema brasiliano?

Raquel Hallak – Apesar dos desafios enfrentados nos últimos anos, o cinema brasiliano mostra uma impressionante capacidade de resistência e reinvenção. Estamos vivendo um momento de retomada e celebração, com conquistas importantes em festivais internacionais e uma produção marcada por heterogeneidade, potência criativa e engajamento com temas urgentes. A curadoria da CineBH reflete essa pluralidade.

Sucursal Brasil – A franqueza do festival será com o filme selecionado do Brasil para concorrer ao Oscar. A expectativa é grande? O que significa para o festival furar com O Agente Secreto, neste momento tão privativo?

Raquel Hallak – É uma honra e um momento simbólico para a CineBH furar sua 19ª edição com O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Fruto, filme que acabou de ser escolhido para simbolizar o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar 2026. A escolha reafirma o nosso compromisso com o cinema brasiliano, relevante e de alcance internacional. Exibir esse filme na franqueza em conexão com o homenageado desta edição, o ator Carlos Francisco, é um presente para o público e uma forma de comemorar o talento e a sensibilidade do cinema brasiliano em um momento de visibilidade internacional.

Sucursal Brasil – ⁠ ⁠Os festivais são as principais telas para os filmes que ainda não têm distribuição? Aliás, é um espaço de formação de público? Comente sobre sua visão dessa janela tão importante.

Raquel Hallak – Os festivais têm um papel estratégico dentro do ecossistema audiovisual. São, muitas vezes, as primeiras janelas de exibição de filmes independentes, que ainda buscam distribuição mercantil. Aliás, funcionam porquê laboratórios de recepção, onde os filmes são testados, discutidos e ganham visibilidade. Para o público, é uma oportunidade de contato com filmes que, muitas vezes, não chegam ao giro mercantil. E, para os realizadores, um espaço de encontro, sátira e reconhecimento. 

Sucursal Brasil – ⁠ ⁠Além do festival CineBH, você pilota outros festivais em Minas. Conte um pouco da sua trajetória e da relação do público mineiro com o audiovisual.

Raquel Hallak – A minha trajetória está profundamente ligada ao compromisso com a promoção e a disseminação do cinema brasiliano e à formação de público. Adiante da Universo Produção, empresa com 30 anos de atuação no setor cultural e audiovisual, idealizamos, realizamos, sob a minha coordenação universal, o programa Cinema sem Fronteiras, que reúne quatro empreendimentos audiovisuais reconhecidos vernáculo e internacionalmente: a Mostra de Cinema de Tiradentes, a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, a Mostra CineBH e o Brasil CineMundi – Encontro Internacional de Coprodução. Cada um desses eventos têm identidade própria e cumpre um papel estratégico no fomento ao audiovisual brasiliano. Ao longo dessa passeio, temos construído uma relação muito próxima e afetiva com o público mineiro, que participa ativamente dos festivais, valoriza a programação gratuita e se envolve nos debates, oficinas e atividades formativas. Acredito que o cinema é uma instrumento poderosa de transformação social, e é gratificante ver porquê, ano posteriormente ano, esses eventos se consolidam porquê espaços de encontro, reflexão e celebração da cultura brasileira.

Sucursal Brasil – O homenageado deste ano, o ator Carlos Francisco, é hoje um dos grandes expoentes do cinema brasiliano. 

Raquel Hallak – Carlos Francisco é um artista que representa com profundidade e sensibilidade a potência do cinema brasiliano contemporâneo. Sua trajetória, marcada por atuações intensas no teatro e no cinema, e por ser uma presença potente e generosa em cena, o coloca porquê uma referência da nossa geração. A homenagem é um reconhecimento ao seu talento, à sua taxa artística e ao seu compromisso com narrativas que representam o Brasil em sua heterogeneidade. É uma honra tê-lo porquê homenageado desta edição.

Sucursal Brasil – ⁠Além da exibição de filmes, discussões sobre o mercado cinematográfico serão debatidos no Brasil Cinemundi?

Raquel Hallak – O Brasil Cinemundi é o evento de mercado internacional da CineBH, que chega à sua 16ª edição consolidado porquê um dos principais encontros de coprodução do país. Ele conecta projetos brasileiros em desenvolvimento com players do mundo todo, os distribuidores, canais, agentes de vendas, programadores, consultores e representantes de fundos internacionais. Aliás, promove uma série de atividades formativas, painéis, rodadas de negócios e mentorias que contribuem para o desenvolvimento do audiovisual brasiliano.

Sucursal Brasil – Quais são as perspectivas para o encontro e nos conte um pouco sobre o tema do seminário Audiovisual em Conexão: Regulação, Coprodução e os Desafios do Mercado.

Raquel Hallak – Em quatro dias de atividades, o seminário reunirá mais de 80 especialistas de 15 países – profissionais da masmorra produtiva do audiovisual, pesquisadores, gestores públicos, representantes do Estado, empresas do setor, instituições acadêmicas, distribuidores, curadores, agentes de vendas internacionais e parceiros estratégicos. Em um contexto de retomada e restruturação das políticas públicas, falar sobre regulação, coprodução e os desafios de mercado é forçoso para traçar caminhos possíveis para o fortalecimento da nossa masmorra produtiva.

A programação completa está disponível no site solene do CineBH.

Fonte EBC

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