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Como a crise no Louvre se agravou após roubo, com greves – 25/02/2026 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Evitem marcar visitante ao Louvre às segundas de manhã. Esse é o alerta que a guia de turismo brasileira Tatiana Agostini Zaballa tem feito aos clientes. “É quando costumam suceder as greves”, explica. Desde o célebre roubo das joias da diadema, em 19 de outubro, tornaram-se frequentes as paralisações intermitentes dos funcionários.

Roubo, greves, infiltrações nas paredes, fraude nos ingressos. Nos últimos meses, o museu mais visitado do mundo só tem gerado notícias ruins, revérbero daquela que talvez seja a maior crise de sua história.

Nesta quarta-feira (25), o presidente da França, Emmanuel Macron, nomeou um novo diretor para o Louvre —ou presidente, porquê é chamado em gálico o incumbência. Christophe Leribault, historiador da arte de 62 anos, é atualmente responsável por outro ícone do turismo mundial, o Palácio de Versalhes.

Leribault sucede a curadora Laurence des Cars, no posto desde 2021. Ela renunciou na véspera, na esteira da crise. Os problemas “começaram antes de Laurence des Cars, mas se aceleraram”, afirma o sindicalista Julien Dunoyer, funcionário do museu há duas décadas.

“Uma boa secção do orçamento vai para exposições e coisas de muita visibilidade, mas não para as menos glamourosas, porquê a manutenção do prédio, o encanamento, a reforma dos banheiros”, diz Dunoyer. “Em vez de ouvirem os funcionários, de um verdadeiro trabalho de equipe, só há confronto.”

A reportagem esteve no Louvre, na última segunda-feira (23), e constatou salas com andaimes devido a infiltrações, visitantes se abanando por falta de refrigeração, banheiros que não dão conta da demanda.

“No planta que a gente recebe, estão hachuradas as áreas em reforma”, comenta o turista mineiro Bruno Oliveira da Silva, visitando pela primeira vez o museu. São muitas as salas marcadas, porquê as de antiguidades gregas e romanas, pinturas espanholas e arte islâmica.

“O Louvre está meio decadente, não vou poder mentir para você”, diz Zaballa, a guia. “Os banheiros são horríveis. Muitos lockers nos vestiários estão quebrados. Onde ficam as estátuas gregas, está sempre quente.”

Piorando a experiência do turista brasílico, desde janeiro o ingresso para não-residentes na União Europeia – que representam 40% dos 9 milhões de visitantes anuais —subiu de € 22, aproximadamente R$ 135, para € 32, ou R$ 195.

Não que os problemas fossem ignorados antes do roubo. O aumento do ingresso para estrangeiros servirá para ajudar a remunerar secção de uma reforma universal do Louvre, anunciada por Emmanuel Macron em pessoa em janeiro de 2025, na Sala dos Estados, onde está exposta a “Mona Lisa”.

Naquela ocasião, diante do presidente gálico, Laurence des Cars denunciou a decrepitude do museu. “Esta sala deveria ser um lugar de espanto. No entanto, é palco de intensa motim, pouco propícia à invenção de suas obras-primas. Embora o Louvre ainda desperte exalo, por toda secção o prédio sofre”, constatou a portanto presidente do Louvre.

Estimado em € 1,15 bilhão, muro de R$ 7 bilhões, o projeto Novo Renascimento do Louvre, porquê foi batizado, prevê para 2031 acessos alternativos à famosa pirâmide de vidro do arquiteto sino-americano I.M. Pei, inaugurada em 1989. Entre eles, um específico para a “Mona Lisa”, desafogando o restante do prédio, e um novo paisagismo.

A última grande reforma data justamente da estação da inauguração da pirâmide de Pei, marco do bicentenário da Revolução Francesa. Previa-se, portanto, uma capacidade máxima de 4 milhões de pessoas por ano. Hoje o museu recebe 9 milhões. Com a reforma, poderá hospedar 12 milhões.

A Galeria de Apolo, palco do roubo das joias, continua fechada e sem previsão de reabertura. O tapume cinza diante da ingressão virou atração turística à secção. No dia da visitante da reportagem, não havia nenhum funcionário vigiando.

A meio caminho entre a galeria e a “Mona Lisa”, na sala 707, um andaime do teto até o soalho revela o lugar de uma infiltração recente. No teto, o vazamento danificou o quadro “O Triunfo da Pintura Francesa”, executado por Charles Meynier em 1819; na parede, um afresco sobre o calvário de Jesus, do rabino renascentista italiano Fra Angelico.

Logo na sala seguinte, outro tapume e um aviso. “Obras em curso. Pedimos desculpas pelo incômodo ocasionado.” Em boa secção da flanco de pinturas italianas, o ar-condicionado parecia totalmente desligado e os visitantes se abanavam.

Além dos problemas físicos do gigantesco Louvre —são mais de 30 milénio obras expostas em 14,5 quilômetros de salas e corredores—, Christophe Leribault, o novo presidente, terá que mourejar com questões administrativas. Há duas semanas, a polícia desmantelou uma fraude na bilheteria. Foram presas nove pessoas, entre elas dois funcionários.

O golpe, segundo a procuradoria de Paris, consistia em reaproveitar ingressos usados para que grupos entrassem sem remunerar. Guias teriam lucrado com o esquema durante pelo menos uma dez. Curiosamente, a fraude também afetava o Palácio de Versalhes, que o próprio Leribault dirigia até esta quarta-feira.

Quanto às joias roubadas em outubro, embora os quatro executores do violação tenham sido presos poucas semanas depois, até hoje não há notícias do butim. Do lado de fora, a lajedo onde os bandidos estacionaram o caminhão-grua usado no assalto está interditada. Uma grade deve ser instalada na janela por onde eles entraram.

Um relatório do Tribunal de Contas gálico criticou a gestão do Louvre nos últimos anos. Nem mesmo o projeto de reforma para 2031 escapou das críticas. O sindicalista Dunoyer também teme que o verba seja mal empregado. “Não sei se temos recursos para isso, sabendo que só a reforma do prédio [atual] está estimada em € 450 milhões, muro de R$ 2,7 bilhões.”

Visitar o Louvre continua sendo uma experiência única. Mas os problemas recentes se tornaram uma natividade de estresse para os turistas. Foi o caso das gaúchas Elizabeth Costa e Christine Travassos Souza, pela primeira vez no Louvre na semana passada.

“Tinha essa impaciência, a preocupação de chegar e talvez não conseguir acessar o museu”, diz Costa. “Amigos deram dicas, ‘olha, vai de tarde, porque de manhã está tendo greve’. Tanto é que só compramos o ingresso ontem, para ter mais segurança’.”

Folha

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