A franquia de jogos “Assassin’s Creed” está recebendo uma atualização inesperada. A desenvolvedora francesa Ubisoft, dona do título, anunciou recentemente um novo conjunto de missões ambientadas na Arábia Saudita. A notícia seguiu relatos do início deste ano de que a Ubisoft havia estabelecido uma parceria com o Savvy Games Group, uma empresa estatal saudita.
A Ubisoft diz que os níveis sauditas estão sendo criados com a ajuda de “organizações locais e internacionais”. Os jogadores poderão caminhar sorrateiramente por Al Ula, uma cidade histórica que o governo saudita está promovendo porquê orientação turístico.
A Arábia Saudita está fazendo um esforço multibilionário para entrar no setor de jogos, uma indústria atualmente mais valiosa do que cinema, streaming ou música. Em 29 de setembro, o país fez seu maior movimento até agora, quando a EA (Electronic Arts), terceira maior empresa de jogos dos Estados Unidos, anunciou que estava sendo comprada por US$ 55 bilhões (R$ 292,1 bi) por um grupo liderado pelo Fundo de Investimento Público (PIF na {sigla} em inglês) da Arábia Saudita, um fundo soberano de US$ 1 trilhão (R$ 5,3 tri). Esse é o mais recente de uma série de investimentos que está rapidamente transformando a Arábia Saudita em uma superpotência no mundo dos videogames.
Os parceiros sauditas na obtenção da EA são a empresa de private equity Silver Lake e a firma de investimentos Affinity Partners —que foi fundada por Jared Kushner, genro de Donald Trump, cuja relação com o negócio pode facilitar o caminho para a aprovação regulatória. Os novos proprietários da EA controlarão franquias porquê “Madden”, “The Sims” e “FC” (o velho “Fifa”), franquia que dizem ser uma das favoritas de Muhammad bin Salman, príncipe herdeiro e governante de vestimenta da Arábia Saudita.
A EA será a joia da diadema em um conjunto já rútilo de participações. O PIF dotou a Savvy Games com um fundo de guerra de US$ 38 bilhões (R$ 201,8 bi) para transformar a Arábia Saudita em um núcleo de jogos. Há dois anos, a Savvy comprou a Scopely, desenvolvedora americana dona do “Monopoly Go!”, um dos jogos para celular de maior receita do mundo, gerando mais de US$ 5 bilhões (R$ 26,5 bi) desde seu lançamento em 2023.
Em maio, o grupo também adquiriu a subdivisão de jogos da Niantic, empresa americana que produz os jogos para celular “Pokémon”. A Savvy também tem uma grande participação (e assento no juízo) na Embracer, empresa sueca que possui títulos porquê “Tomb Raider”, estrelado por Lara Croft.
O próprio PIF também acumulou mais participações em alguns dos maiores nomes do setor de jogos. É um dos três maiores acionistas da Nintendo, Capcom (“Street Fighter”) e Koei (“Ninja Gaiden”) do Japão, da Nexon e NCSoft da Coreia do Sul e da Take-Two dos EUA, criadora do “GTA” (Grand Theft Auto), franquia que vendeu murado de 450 milhões de cópias até hoje.
O Fundo também está entre os cinco maiores detentores das japonesas Toei (“Dragon Ball Z”) e Square Enix (“Final Fantasy”), onde também tem um assento no juízo. Tirando a EA, as participações do PIF em jogos somam US$ 11,7 bilhões (R$ 62,1 bi), segundo narração do The Economist. Outros fundos apoiados pelo Estado saudita têm investimentos adicionais em jogos.
“Estamos exclusivamente começando”, diz Brian Ward, veterano canadense da indústria nomeado para guiar a Savvy. Sua equipe explora “centenas” de potenciais aquisições por ano. A capacidade de fechar bons negócios é aprimorada pelo vestimenta de que outras fontes de financiamento praticamente secaram.
O financiamento de capital de risco na indústria de jogos caiu murado de três quartos desde o pico de 2021 a 2022, em meio a um mal-estar do setor causado pela estagnação do setor dos jogos para celular e pela perda de jogadores casuais da pandemia. Joost van Dreunen, perito em jogos da Stern School of Business da Universidade de Novidade York, escreve que a estratégia saudita é “jogar quantias impressionantes de moeda para estabelecer domínio de mercado”.
Ward diz que as instruções do Príncipe Muhammad são para edificar “uma empresa porquê a Disney, mas para jogos e esports”. Segmento disso significa gerar uma comunidade de superfãs. A Disney tem parques temáticos; os sauditas veem uma oportunidade em torneios de jogos ao vivo. Em 2022, a Savvy comprou as empresas de esports ESL e a FACEIT por US$ 1,5 bilhão (R$ 7,9 bi). Também possui 30% da chinesa Hero Esports, que é apoiada pela Tencent. No totalidade, a Savvy diz que controla 40% do mercado global de esports.
No entanto, o braço de e-sports ainda não é lucrativo. Mas o propósito é estimular o engajamento dos fãs —e nisso parece estar tendo sucesso. Nos últimos dois anos, a Arábia Saudita sediou a Despensa do Mundo de Esports em Riad, onde equipes competem em jogos porquê “League of Legends” (o Príncipe Muhammad joga com alguns dos profissionais quando eles estão lá).
Muro de 250 milénio ingressos foram vendidos para o evento. Online foram 750 milhões de visualizações em plataformas porquê Twitch e Douyin, com metade da audiência assistindo da China. Grandes nomes da indústria também foram a uma conferência paralela, que se tornou a mais importante no negócio de jogos, segundo um investidor ocidental. No próximo ano, Riad lançará outro torneio, uma Despensa das Nações de Esports bienal.
A justificativa para tudo isso, além de satisfazer o hobby do príncipe herdeiro, é gerar uma novidade indústria doméstica. A Arábia Saudita está tentando variar sua economia para além do petróleo. São previstos 39 milénio empregos em jogos até 2030. A Savvy está treinando artistas de jogos na Universidade Princess Nourah, instituição específica para mulheres. O governo saudita diz que 48% dos jogadores do país são mulheres. Pouco mais de um quarto dos funcionários da Savvy são do sexo feminino, um número aproximadamente desempenado com o padrão da indústria dominada por homens.
Pouco mais de um terço dos funcionários da Savvy são estrangeiros, uma proporção que Ward espera diminuir com o maduração da indústria. Convencer ocidentais a investir ou trabalhar no reino está ficando mais fácil à medida que mais pessoas veem o país por si mesmas, diz Ralf Reichert, organizador germânico da Despensa do Mundo de Esports: “Você nunca conseguirá satisfazer todos os críticos, mas o estrondo em torno disso diminuiu drasticamente.”
Isso indica outros motivos por trás da iniciativa do país. Assim porquê o investimento da Arábia Saudita em esporte e entretenimento (recentemente foram lançados festivais de cinema e comédia e um grande prêmio de Fórmula 1), o impulso nos jogos ajuda a projetar uma imagem dissemelhante do sítio.
“Há de 5.000 a 10 milénio anos de história humana no Oriente Médio, mas nenhuma dessas histórias foi contada da nossa forma. E essa é uma grande oportunidade”, diz Ward. O mundo de língua mouro —com 330 milhões de jogadores, mais do que a Europa Ocidental ou os EUA— é mal atendido, ele acredita, citando Japão, China e Coreia do Sul porquê modelos de porquê conciliar o folclore vernáculo em jogos populares.
No ano pretérito, “Black Myth: Wukong” da China, um jogo repleto de lendas chinesas, foi votado porquê Jogo do Ano pelos usuários da platagorma de jogos Steam. Ward diz que projetar a cultura saudita não faz segmento de seu procuração, mas ele espera que futuros jogos feitos lá tenham apelo mundial, assim porquê os títulos do leste asiático têm.
Muitos jogadores se perguntam porquê a propriedade saudita influenciará o teor dos jogos. À medida que a China se tornou um importante mercado cinematográfico, os estúdios de Hollywood têm evitado assuntos delicados que estavam dispostos a abordar na dez de 1990, porquê o Tibete. É fácil imaginar um tanto semelhante acontecendo nos jogos. Em 1992, posteriormente a Guerra do Golfo, a EA lançou “Desert Strike”, de quem vilão é um ditador mouro hipotético. Em 2005, em meio à guerra ao terrorismo, “Battlefield 2” da EA colocou forças americanas contra inimigos, incluindo uma “Coalizão do Oriente Médio”.
Esses jogos serão lançados sob os novos proprietários da EA? O director da empresa, Andrew Wilson, garantiu aos funcionários que a prioridade ainda é teor “ousado e significativo” e que os “valores… da empresa permanecem inalterados”.
MISSÃO SECUNDÁRIA
No entanto, a próxima atualização de “Assassin’s Creed” mostra porquê o moeda saudita pode sutilmente influenciar o teor. Não é o único exemplo. Em março, os fãs de “Trágico Fury” ficaram surpresos ao saber que a última edição do jogo de luta incluiria um novo personagem: Cristiano Ronaldo. No jogo, o futebolista português golpeia os oponentes com uma esfera em chamas e é “uma força imparável, mesmo para lutadores experientes”.
A colaboração incomum pode ter uma explicação saudita. Ronaldo é o capitão do Al Nassr, time de Riad, que é majoritariamente propriedade do PIF. A desenvolvedora japonesa de “Trágico Fury”, SNK, é majoritariamente propriedade da Instalação MiSK, uma organização sem fins lucrativos saudita —de quem fundador e presidente é um evidente príncipe herdeiro amante de jogos.
