Como Bad Bunny no Super Bowl enfrenta Donald Trump

Como Bad Bunny no Super Bowl enfrenta Donald Trump – 07/02/2026 – Ilustrada

Celebridades Cultura

O Super Bowl nunca teve um artista de pausa —nem uma controvérsia— porquê Bad Bunny.

O superastro latino, que conquistou o streaming global com hits grudentos de reggaeton temperados com sons nostálgicos de seu Porto Rico natal, está prestes a fazer história neste domingo (8), realizando a primeira apresentação inteiramente em espanhol nos 60 anos de história do jogo.

Será a coroação de uma figura transformadora do pop latino, que quebrou recordes de bilheteria ao volta do mundo, acumulou 15 hits no topo das paradas e que, no último domingo, venceu o álbum do ano no Grammy pelo seu “Debí Tirar Más Fotos”, em mais um marco para a música latina.

No entanto, antes mesmo de trovar uma nota, a aparição de Bad Bunny no Super Bowl se tornou um ponto de tensão política em meio à repressão da imigração por segmento do governo de Donald Trump. As ações do republicano vêm despertando temor entre a comunidade latina nos Estados Unidos, imigrantes ou não.

Quando a NFL anunciou Bunny porquê atração principal do pausa em setembro, comentaristas do esporte e da mídia viram uma jogada astuta de uma liga que procura expandir sua presença global. Mas a Morada Branca e a mídia de direita explodiram em condenações.

A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, disse que o Serviço de Imigração e Controle de Alfândega, o ICE, estaria “em peso” no jogo, que será realizado no Levi’s Stadium em Santa Clara, na Califórnia. A comentarista conservadora Tomi Lahren descartou Bad Bunny porquê “não sendo um artista americano”. (Porto Rico é, simples, um território dos Estados Unidos.)

Em uma entrevista recente, o presidente Donald Trump disse que não compareceria ao jogo, chamando a escolha de Bad Bunny de “uma péssima decisão” e dizendo que “só serve para semear ódio”.

Bad Bunny disse, no ano pretérito, que evitaria fazer turnês em locais dos Estados Unidos por preocupação de que agentes de imigração pudessem ter porquê branco seus fãs. Mas desde que foi anunciado para o Super Bowl, sua mensagem tem sido mais sobre alegria e solidariedade do que pânico.

Em um trailer da partida, divulgado no mês pretérito, ele dança ao som de seu hit suave com sabor de salsa, “Dança Inolvidable”, com parceiros de várias idades, gêneros e etnias, sob as folhas brilhantes e vermelho-fogo de um flamboyant, símbolo de Porto Rico e do Caribe. “O mundo vai dançar”, diz um letreiro.

Em um exposição de congratulação no Grammy, Bad Bunny também indicou que não recuaria. “Antes de agradecer a Deus, vou expressar ‘ICE fora'”, disse ele. “Não somos selvagens, não somos animais, não somos alienígenas. Somos humanos e somos americanos.”

Com sangue espalhado nas ruas de Minneapolis nas últimas semanas durante manifestações contra o projecto de fiscalização de imigração do governo Trump, a aparição de Bad Bunny no Super Bowl ganhou um tipo pessoal de urgência, e ele não precisa fazer nenhum protesto explícito para transmitir sua mensagem.

“Estamos neste momento de retórica anti-imigrante, e os latinos e imigrantes latino-americanos em pessoal têm suportado o peso de muito desse ódio”, disse Petra Rivera-Rideau, professora de estudos americanos no Wellesley College e coautora de um livro recente sobre a subida global de Bad Bunny.

“Mesmo a presença de Bad Bunny lá”, acrescentou Rivera-Rideau, “por culpa desse contexto político, é uma enunciação.”

Por anos, trovar em inglês era o pedágio que estrelas latinas —de Ricky Martin a Shakira— não tinham escolha senão remunerar, em grande segmento, para se tornarem palatáveis para as rádios americanas. Usando o streaming porquê seu caminho e leal ao espanhol, Bad Bunny tem sido um fenômeno, tornando-se o artista global mais ouvido do Spotify em quatro dos últimos seis anos.

Ele aproveitou essa nomeada para fazer papéis em filmes de Hollywood nos filmes “Trem-Projéctil” e “Ladrões”. Ao longo do caminho, vieram outros marcos dignos de uma super notoriedade, porquê namorar Kendall Jenner e promover produtos da Gucci com ela.

Ao mesmo tempo, a música de Bad Bunny se voltou cada vez mais para Porto Rico de maneiras tanto explícitas quanto sutis, porquê pontuar suas letras com gírias locais. No Met Gala do ano pretérito, ele usou uma versão customizada da pava, o chapéu de palha rústico de Porto Rico.

Seu álbum mais recente, “Debí Tirar Más Fotos”, completa essa trajetória, misturando ritmos e formas musicais tradicionais porto-riquenhos, porquê petardo e plena, com batidas estrondosas de trap.

“Ele deslocou o núcleo de seriedade do pop global sem se desconectar de onde veio”, diz Sulinna Ong, diretora global de editorial do Spotify.

Manter o foco em questões sociais porto-riquenhas, porquê gentrificação e falhas de governança, também fez de Bad Bunny o padroeiro mais reconhecível da ilhéu. O videoclipe de sua música de 2022 “El Apagón”, sobre os frequentes apagões da ilhéu, incluiu um documentário de 18 minutos sobre essas questões. O mascote não solene de sua era “Debí Tirar Más Fotos” é o sapo-de-crista porto-riquenho, que se tornou ameaçado de extinção.

Quando chegou a hora de fazer a turnê de “Debí Tirar Más Fotos”, Bad Bunny evitou os Estados Unidos continentais enquanto o governo Trump intensificava as operações de imigração e deportações —refletindo um pânico que se espalhou pelo mercado de música latina desde que Trump assumiu o função novamente. “O ICE poderia estar do lado de fora” de um dos locais de show, ele disse à revista I-D em setembro. “É um tanto sobre o qual estávamos conversando e muito preocupados”.

Em vez disso, ele fez 31 shows em Porto Rico para a turnê “No Me Quiero Ir de Aquí”, que impulsionaram a economia lugar. Uma vez que segmento do design do palco, havia uma casita rosa e amarela, vivenda humilde com varanda, símbolo da vida cotidiana porto-riquenha —embora os shows de Bad Bunny tenham se tornado lugar de vários VIPs porquê LeBron James e Penélope Cruz.

Dias depois de Bad Bunny completar a turnê, ele foi anunciado porquê atração principal do show do Super Bowl. A cerimônia de orifício do jogo contará também com o Green Day, filarmónica punk que há anos vem modificando letras antigas em protesto contra Trump e seus aliados, porquê Elon Musk. Quando o New York Post perguntou ao presidente no mês pretérito sobre os artistas, ele disse: “Sou contra eles”.

A escolha de Bad Bunny é também uma vitória para Jay-Z, que tem contratado os talentos para cada Super Bowl desde 2020 com a Roc Nation, sua empresa de entretenimento.

Quando a Roc Nation fez seu negócio com a NFL em 2019, a liga enfrentava uma crise pelo aparente boicote a Colin Kaepernick, o quarterback que se ajoelhava durante o hino vernáculo porquê protesto contra o racismo e a brutalidade policial. Alguns artistas negros haviam recusado ofertas para tocar no show, que costuma atrair mais de 100 milhões de espectadores.

Jay-Z recebeu muitas críticas por concordar em trabalhar com a NFL, mas argumentou que poderia ajudar a tornar a liga “totalmente inclusiva”, e disse que o grupo estava comprometido com iniciativas de justiça social. “Já passamos da período de se ajoelhar”, disse ele. Os shows de pausa da Roc Nation têm sido de trajo um sucesso estrondoso, com Rihanna, Dr. Dre e a aparição triunfal de Kendrick Lamar no ano pretérito.

A escolha de Bad Bunny também se alinha com os objetivos da NFL, que vem se expandindo gradualmente internacionalmente, incluindo para a América Latina — onde Bad Bunny funcionaria porquê marketing ideal. Hans Schafer, executivo da Live Nation que trabalhou extensivamente com Bad Bunny, chamou a aparição no Super Bowl de uma “passagem de viga cultural” simbólica.

“Por décadas, o pausa do Super Bowl era uma espécie de superintendente final do pop anglo”, acrescentou Schafer. “Isso sinaliza mais uma cultura global que oficialmente mudou. Bad Bunny representa o que o mundo está realmente ouvindo”.

Folha

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *