Como brasil se tornou 5º maior mercado de bets no

Como Brasil se tornou 5º maior mercado de bets no mundo – 23/10/2025 – Esporte

Esporte

Empresas de apostas online devem faturar US$ 4,139 bilhões (muro de R$ 22 bilhões) no Brasil em 2025, posicionando o país uma vez que quinto maior mercado do mundo para o setor, conforme os dados obtidos com exclusividade pela BBC News Brasil com a consultoria internacional Regulus Partners, focada no setor de esportes e lazer.

As projeções, feitas com base nos relatórios financeiros de companhias abertas e em informações disponíveis sobre os valores movimentados no setor, colocam os Estados Unidos em um distante primeiro lugar, com receita líquida (descontados impostos) estimada de US$ 17,312 bilhões, seguidos por Reino Unificado (US$ 9,901 bilhões), Itália (US$ 4,617 bilhões) e Rússia (US$ 4,515 bilhões).

Os números dialogam com as estatísticas da Secretaria de Prêmios e Apostas, que recentemente divulgou que as 78 empresas hoje autorizadas a operar no país faturaram R$ 17,4 bilhões no primeiro semestre de 2025.

Essa é a primeira vez que o Brasil é considerado na lista de maiores mercados da Regulus Partners, já que até 2024 não havia regulamentação para a operação das bets no país.

Mesmo sem dados precisos de anos anteriores, Paul Leyland, profissional da superfície de modelos econômicos, financeiros e de negócios em jogos de má sorte da consultoria, destaca o propagação hostil do mercado brasiliano na última dezena, que era estimado em exclusivamente US$ 300 milhões em 2014.

“O impulso maior veio principalmente com os lockdowns na pandemia de Covid-19”, ele comenta.

Mas não foram só as medidas de isolamento social. Uma série de fatores se combinaram para colocar o Brasil entre os cinco maiores mercados para bets no mundo.

A proibição histórica dos jogos de má sorte, a sinceridade do brasiliano a novas tecnologias e ao consumo do dedo, a longa janela entre a legalização e a regulamentação das apostas online, a ofensiva de marketing das empresas e até o sucesso do pix estão entre os fatores elencados pelos especialistas e fontes do setor ouvidas pela reportagem.

Da lotérica à tela do celular

As apostas online foram legalizadas no Brasil em 2018, mas a regulamentação só veio em 2024. Por sete anos as empresas do setor operaram praticamente sem regras, ressalta o economista Victo Silva, pesquisador no Núcleo de Desenvolvimento Internacional da Harvard Kennedy School.

Nesse pausa, na avaliação de Silva, as bets colocaram em prática um arsenal de estratégias para atrair apostadores sem nenhum tipo de controle.

Com isso, transformaram o Brasil em uma espécie de “laboratório da economia comportamental”, em uma referência à superfície que estuda a influência de fatores cognitivos, emocionais e sociais nas nossas decisões financeiras.

Ele cita uma vez que exemplo a própria experiência de consumo nos sites de apostas, uma jornada muito mais recreativa do que a de quem vai à lotérica.

Na tela do celular, um cardápio extenso de apostas em eventos reais e fictícios se apresenta em meio a diversos mecanismos de incentivo, alertas de bônus, convites para “missões”, recompensas e joguinhos de cassino.

O envolvente não é só convidativo, ele também é intuitivo, para tornar o caminho do usuário até a aposta o mais fácil provável.

“[As empresas de apostas online] criaram plataformas onde apostar é simples. No jargão econômico, os custos de transação foram removidos. Você não precisa ir até a lotérica, você faz do sofá de mansão, tirando o celular do bolso”, diz Silva à reportagem.

O pix também entra nessa lógica. O sistema de pagamentos momentâneo e sem dispêndio lançado em 2021 pelo Banco Médio contribuiu para tornar a atividade de apostar muito mais direta.

Em países uma vez que a Colômbia e o México, por exemplo, muitos apostadores fazem o repositório e retiram o prêmio em quantia vivo, em um estabelecimento físico, conta Antonio Forjaz, diretor-geral na América Latina da Entain, dona da Sportingbet.

Nesses casos, a aposta online tem uma lanço offline, o que na prática vira um tropeço na jornada do apostador.

“Na Colômbia, por exemplo, existem depósitos que são feitos meio que em mesa de jornal, em lojinhas, sabe? Cá é dissemelhante, tudo é pix, é tudo momentâneo”, pontua o executivo, comentando que o superior nível de bancarização da população e o ecossistema de pagamentos digitais consolidado fazem do Brasil um sítio mais seguro para operar.

Segundo ele, o país é hoje um dos mercados mais importantes para a Entain, multinacional britânica.

“É tipo os EUA, um país de superior propagação e muito foco [por parte da empresa], por já ter uma receita considerável e porque acredita-se muito no potencial”, afirma.

André Gelfi, diretor-presidente do Instituto Brasílio de Jogo Responsável (IBJR) e sócio-diretor da Betsson, acrescenta que, além do nível proeminente de bancarização, o brasiliano é muito mais destapado a novas tecnologias, a “consumir a partir do do dedo”.

“E essa é uma indústria que está toda digitalizada”, comenta.

Outro fator que, na visão do executivo, também explica o propagação das apostas online no Brasil é o longo histórico de proibição de jogos de má sorte no país, que criou uma espécie de demanda reprimida nesse segmento.

“O Brasil tem um regime de proibição quase totalidade de jogos de má sorte há mais de 80 anos. Na hora em que aparece uma opção de jogo, de entretenimento com essas características que está no seu telefone, no seu bolso, a pessoa fala: ‘Nossa, que lícito! Nunca tinha visto isso'”, pontua Gelfi.

Brasil, o país das bets (e do futebol)

A publicidade ostensiva e disseminada também é um componente importante, conforme as fontes ouvidas pela BBC News Brasil.

Antes desconhecidas, as marcas das empresas de apostas hoje aparecem para os brasileiros com grande frequência.

Elas estão nas camisas de jogadores de futebol, em camarotes de Carnaval, nas redes sociais, nas páginas de influenciadores e até em ônibus municipais no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Esse movimento, na avaliação do economista Victo Silva, ajudou a “regularizar” a atividade de apostar e as próprias bets.

Na perspectiva das empresas, Forjaz pontua que, em um mercado em que os produtos têm pouca diferenciação, uma vez que é o caso do de apostas, a publicidade é uma estratégia para se fixar na memória dos consumidores em potencial.

E, nesse sentido, o futebol tem atuado uma vez que um dos maiores impulsionadores das bets com um papel duplo, uma vez que veículo de publicidade e objeto das apostas.

Nos últimos anos, as empresas de apostas despejaram centenas de milhões de reais no Campeonato Brasílio de futebol.

Entre os 20 times que hoje estão na série A do Brasileirão, 18 exibem marcas de bets na camisa. Os cinco maiores contratos de patrocínio somam mais de meio bilhão de reais, conforme os valores noticiados recentemente pela prensa esportiva.

No topo da lista está a Betano, com patrocínio de R$ 220 milhões ao Flamengo. A marca pertence à multinacional Kaizen Gaming International, com sede na Grécia, que declinou o pedido de entrevista feito pela reportagem.

Depois vêm a romena Superbet (R$ 113 milhões ao São Paulo), a brasileira Esportes da Sorte (R$ 103 milhões ao Corinthians), a Sportingbet (R$ 100 milhões ao Palmeiras) e a brasileira H2Bet (R$ 60 milhões ao Atlético Mineiro).

O investimento traduz uma afinidade que, para as empresas do setor, foi sempre muito clara: o brasiliano adora futebol e o esporte é o universo que concentra maior volume de apostas – logo, fazia sentido reprofundar nesse mundo.

Deu notório. Agora, além de torcer, de cornetar a arbitragem e comentar a rodada na segunda-feira, o brasiliano palpita na bet sobre resultado de jogo, saldo de gols e emprego de cartões.

Proibir, liberar e o meio-termo

Vozes uma vez que a do economista Victo Silva, entretanto, são críticas a esse conúbio.

Com base nos próprios princípios da economia comportamental, ele argumenta que, uma vez que o futebol é um tanto enraizado na sociedade brasileira, a conexão com o esporte tende a “legimitar” a atividade de apostar.

Em sua visão, isso é o oposto do que o país deveria estar buscando neste momento, diante do problema crescente do vício em apostas e do comprometimento da renda de muitas famílias com a atividade, o que o economista chamou de “betização da renda das famílias” em um texto publicado durante a discussão sobre a regulamentação no ano pretérito.

Uma estudo técnica divulgada pelo Banco Médio nessa quadra apontou que cinco milhões de pessoas pertencentes a famílias beneficiárias do Bolsa Família haviam enviado quantia a empresas de apostas usando o pix.

Os dados levaram o STF (Supremo Tribunal Federalista) a instaurar a restrição ao uso de recursos de programas assistenciais para apostas online, medida implementada neste mês de outubro pela Secretaria de Prêmios e Apostas.

“Quando você quer que a população pare de fumar, por exemplo, você não facilita um mecanismo que bota um maço de cigarro no bolso das pessoas, sem esforços. Você coloca travas, regula”, ressalta Silva.

A confrontação com o ato de fumar não é gratuita: a publicidade de marcas de cigarro em eventos esportivos foi proibida no Brasil em meados dos anos 1990.

Para o economista, as apostas são, assim uma vez que o cigarro, produtos conhecidos no jargão econômico uma vez que “bens tentadores”, de quem consumo deveria ser desincentivado.

O que não significa proibir, ele diz, já que a proibição acaba sendo contornada e abre espaço para um mercado proibido com efeitos também bastante negativos para a sociedade.

A solução, ele completa, seria encontrar o meio-termo, com políticas públicas que desincentivem as apostas – o que, na visão dele, por ora tem ficado fora do radar do governo.

“As bets fizeram o obrigação de mansão em termos de compreender a economia comportamental. Entendem muito uma vez que explorar as nossas tendências, vieses, fraquezas, comportamento de manada, legitimação social”, comenta Silva.

“Isso passou bastante longe, por enquanto, de uma tentativa de regulação mais responsável [por parte do governo]”, completa.

A regulamentação hoje em vigor proíbe a publicidade que tenha uma vez que meta crianças e adolescentes.

Desde 2023 tramita no Congresso um projeto de lei que propõe uma lista de restrições mais duras, incluindo a proibição de anúncios com atletas, artistas, influenciadores e outras figuras públicas.

O PL foi reconhecido no Senado em maio de 2025 e atualmente encontra-se parado na Câmara.

Para André Gelfi, do Instituto Brasílio de Jogo Responsável, entidade que reúne empresas por trás de 24 marcas de bets, essa discussão é “prematura”.

Seu argumento é de que ainda existe um grande mercado proibido de apostas online e que a publicidade ajudaria a encanar a demanda para as empresas que atuam legalmente e estão devidamente registradas.

Forjaz, da Entain, expressa visão parecida, acrescentando que no mercado proibido “não há verificação de identidade, proteção contra lavagem de quantia, verificação de utilização por menores, nenhum tipo de compromisso de notícia nem pagamento de imposto”.

Sobre a relação com o futebol, o executivo afirma que os recursos injetados pelo setor no esporte têm ajudado o futebol brasiliano a se desenvolver.

“Logo, se tirarmos do futebol, vai ter a vantagem de não chegar tanta marca para as pessoas? Talvez. Vai ter uma desvantagem muito clara, que os clubes não vão continuar a se desenvolver uma vez que têm se desenvolvido”, completa Forjaz.

Folha

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