Morre Brigitte Bardot, atriz sex symbol de uma era, aos

Como Brigitte Bardot desafiou o conceito de musa no cinema – 29/12/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Brigitte Bardot não foi unicamente o maior símbolo sexual do cinema. Ela praticamente reinventou esse concepção. Até logo, uma atriz poderia se tornar uma mulher desejada por milhões, uma vez que aconteceu com Greta Garbo nos anos 1930 ou Rita Hayworth na dezena seguinte. Mas isso dependia da escolha de filmes certos, de uma boa curso. Com Bardot, pela primeira vez isso não importava. Ela era maior do que seus filmes.

Quando a francesa alcançou seu primeiro sucesso mundial, “E Deus Criou a Mulher”, em 1956, Marilyn Monroe estava no auge da reputação. Lançou no biênio 1955-1956 dois de seus maiores sucessos, “O Vício Mora ao Lado” e “Nunca Fui Santa”.

Apesar desses títulos adotados no Brasil fazerem menção a um comportamento pecaminoso, a atriz exibia, uma vez que fez durante toda a curso, personagens engraçados e com uma sensualidade marota, mas de alguma forma cândida. O papel de moça ingênua e insegura foi recorrente para Marilyn.

Já Bardot construiu sua popularidade com tipos que, apesar de muito jovens, eram mulheres emancipadas e claramente hedonistas. Na enxurrada inicial de 17 filmes que fez entre 1952 e 1956, ela passou de coadjuvante a atriz principal, sempre interpretando mulheres muito à vontade em comportamentos liberais, safados.

Se fora dos estúdios Marilyn exibia roupas funcionais e óculos de intensidade, Bardot, longe das telas, frequentava cidades litorâneas vestindo roupas leves de verão, com muita pele à mostra. Atraía fotógrafos com os biquínis que também eram comuns a suas personagens.

É curioso e até irônico perceber que essa atitude de Bardot foi construída, tanto na vida quanto na arte, com ajuda de um varão que depois foi réu de ser um viril tóxico: Roger Vadim. Ele a conheceu ainda jovem. Roteirista já estabelecido no cinema gálico, Vadim se casou com Bardot em 1952, quando ela tinha 18 anos. Foi responsável pelos primeiros trabalhos dela, alguns em filmes com roteiros escritos por ele.

Vadim criava para ela personagens sempre jovens que seduziam os homens que cruzavam o caminho delas e tinham consciência dessa atração que despertavam. Entre 1955 e 1956, três filmes assim chegaram às telas francesas, fazendo qualquer estrondo: “A Mais Linda Vedete”, “Mademoiselle Pigalle” e “Desfolhando a Margarida”.

Para sua estreia na direção, em “E Deus Criou a Mulher”, Vadim optou por uma personagem que usava as mesmas roupas que sua mulher vestia no cotidiano e escreveu diálogos usando o modo uma vez que Bardot costumava falar. A intenção de deixá-la o mais à vontade verosímil também motivou a escolha de uma vila litorânea para ambientar as aventuras da personagem Juliette. Bardot adorava frequentar praias e usava com desenvoltura o biquíni, ainda intuito de muita contradição dos conservadores.

O filme ultrapassou todos os limites de retratar o sexo no cinema mercantil. Mais do que cenas de nudez, o que incomodou foi a tranquilidade de Juliette no rodízio de amantes. Houve increpação, com golpe de cenas em vários países, incentivada por reclamações de entidades religiosas. O efeito foi um tanto inofensivo, porque Vadim conseguiu extrair sensualidade de Bardot da primeira à última cena.

O diretor apostou visível em mostrá-la o tempo todo atuando de um modo oriundo. Na tela estava a pequena que exibia um comportamento libertário desenvolvido em sua relação com o marido. Essa naturalidade descontraída é a grande diferença trazida ao cinema pelo mito BB, uma vez que ela passou a ser chamada.

Os fotógrafos começaram a seguir Bardot o tempo todo, e os registros nas revistas de cinema, logo um gênero poderoso no mercado de publicações, eram fotos que parecem extraídas de seus filmes: praia, biquíni, sorrisos maliciosos e nenhuma intenção de fugir dos paparazzi.

Não é pouca coisa. O comportamento de Bardot ia contra o que os fãs sempre enxergaram em outras musas, uma vez que uma Garbo totalmente reclusa, uma Marilyn querendo assumir uma figura mais intelectual ou uma Sophia Loren preocupada só em propalar sua fé católica e cuidar da família.

Tanto nos filmes quanto nas notícias nos jornais e revistas, o que os fãs viam era Bardot, a mulher jovem emancipada que tinha uma relação tranquila e sem culpa com o poder de sedução que exercia sobre os homens. Eles simplesmente enlouqueciam com ela, o que afastava qualquer preocupação a reverência das qualidades de seus filmes.

A atriz abusou da licença de fazer filmes ruins. Mas o mito só cresceu. A pessoa Brigitte Bardot estava supra de suas performances. Não é excesso manifestar que a idolatria era pela mulher e não pela atriz. Esse fenômeno ganha um caráter único porque nenhuma sucessora conseguiu receber essa mesma culto popular.

Nas décadas seguintes, as atrizes favoritas da plateia continuam preservando sua vida privado. Até mesmo dentro do cinema gálico essa descontração desmedida de Bardot nunca se repetiu. Novas musas, uma vez que Catherine Deneuve ou Isabelle Adjani, optaram pela reclusão típica das atrizes sedutoras em suas vidas pessoais.

Com sua morte no domingo (28), aos 91 anos, a real dimensão do fenômeno Bardot fica restrita a quem se deixou seduzir durante a passagem desse furacão gálico pelos cinemas.

Folha

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