Como é o baile black faz dez anos em um

Como é o baile black faz dez anos em um clube de 1888 – 20/11/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

A sarau já não acontece uma vez por mês uma vez que antes. Na esteira da pandemia de 2020, ela ficou mais espaçada, mas segue tão potente uma vez que há dez anos, quando nasceu sob inspiração dos bailes de black music brasileiros da dez de 1970.

Trata-se do Um Dança Bom, sarau em Curitiba que reúne um público majoritariamente preto para dançar no piso de taco de madeira do salão da Sociedade Operária Beneficente 13 de Maio, clube preto fundado em 1888.

“O primeiro dança, em 2015, foi um sucesso. Tinha pouca gente, umas 60 pessoas, em um salão para 400, mas sabe quando parece uma sarau em lar? O formato pegou, black music atrai uma memória afetiva. Na terceira sarau já tinha fileira de uma hora para entrar”, diz a produtora cultural e criativa Brenda Santos, 45.

A formação de um “território preto”, uma vez que Brenda define, não foi propositado. Ela explica que já trabalhava na organização de festas em Curitiba, mas que, com rebento pequeno, quis fazer um dança que “começava cedo e terminava cedo” e isso foi o primeiro impulso para a geração do Um Dança Bom.

Mas, logo nas primeiras festas, Brenda tratou de convocar pessoas negras e até organizou estratégias. Um dos lugares onde distribuiu ingressos foi no Copene Sul, o Congresso de Pesquisadores Negros e Negras da Região Sul, que em 2015 acontecia na capital paranaense.

“Eu criei um cartão chamado ‘fura fileira’, que os convidados apresentavam na portaria. A gente distribuiu no congresso e avisou: quem não fosse no dança, repassava o cartão também para uma pessoa negra”, afirma Brenda.

O pregão do dança também chegava em salões de formosura afro, especializados em tranças, por exemplo. “A partir do dança, a gente acabou fortalecendo uma rede, a rede preta, com empreendedores negros e negras. Portanto a gente larga ingressos nas mãos destas pessoas e elas espalham”, diz.

O Um Dança Bom, continua Brenda, se tornou uma revelação de protagonismo preto. “Já trouxemos pessoas não negras para tocar, mas são pessoas que entendem o movimento, que dialogam com o que a gente está propondo”.

Embora a black music seja o engodo, também há espaço no dança para o hip-hop e o funk, por exemplo. A sarau, além dos convidados de fora, também tem três DJs residentes mulheres —Mitay Costa, Gab Santana e Babi Oeiras, que é mana da Brenda, além do MC Welton do Amaral.

“O dança não é crédulo somente para pessoas negras. Mas todo o nosso foco é saber quais são as estratégias para trazer pessoas negras, uma vez que a gente pode fomentar os negócios de pessoas negras”, diz Brenda.

O sítio da sarau não é aleatório. Ele acontece no salão da sede histórica da Sociedade 13 de Maio, um dos clubes sociais negros mais antigos em funcionamento no país, localizado no núcleo de Curitiba, em um terreno de 780 metros quadrados.

O salão hoje também é alugado para outros eventos, uma vez que forma de abastecer o caixa do clube. Em 2023, por conta de uma dívida de R$ 87 milénio, uma vaquinha chegou a ser organizada para impedir a venda do imóvel histórico em um leilão. A campanha de arrecadação funcionou, mas o clube segue com pendências financeiras.

Brenda conheceu a Sociedade 13 de Maio em 2006, já que o grupo de maracatu do qual fazia segmento costumava alugar o salão para ensaios. O sítio é dirigido pela família do parelha Álvaro da Silva e Jussara Terezinha da Silva, que vivem no mesmo terreno da sede.

“Ele é um clube desde sua instauração. Mas os clubes em universal foram perdendo suas características originais, a partir das mudanças na sociedade. Na idade do promanação da 13 de Maio, os moradores de Curitiba estavam ligados sempre a qualquer tipo de clube, porque era isso que dizia quem você era. E a 13 de Maio reunia trabalhadores pobres, negros, ex-escravizados”, explica ela.

Algumas fotos de acervos de famílias ligadas ao clube já foram levadas para as paredes do salão. “É uma história rica, de 137 anos, feita por várias famílias”, diz Brenda. “Na 13 de Maio, estamos dançando com os nossos ancestrais, não temos uma vez que não falar isso. E o dança tomou esta proporção toda porque ele pegou em lugares mais profundos.”

Brenda agora está empenhada também em promover outras ações culturais que de alguma forma dialoguem com a memória do espaço. Um dos projetos em curso na 13 de Maio é a Escola de Produção Negra, que convida profissionais para darem aulas ligadas à cultura.

Enquanto isso, o Um Dança Bom segue. E a próxima edição já tem data —20 de dezembro.

“O dança é importante para muita gente. Quando você chega, você vê e é visto. A gente se vê dentro de um coletivo, mas a sua individualidade é celebrada por você ser o que você é”, afirma ela.

Folha

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