Como influenciadores criados com IA viram aposta nas redes

Como influenciadores criados com IA viram aposta nas redes – 30/01/2026 – Tec

Tecnologia

Um influenciador que não se cansa, não fica doente, cumpre prazos das peças de publicidade e, principalmente, não vai aprontar zero que gere um cancelamento. Parece alguém que não existe? Pois não existe mesmo. A novidade do mercado de marketing do dedo são os influencers gerados por IA —personagens que vão do menos ao mais realista.

É um ramo que vem se expandindo em todo o mundo. Um relatório recente da consultoria Grand View Research projeta que o mercado de influenciadores que são personas virtuais vai atingir quase US$ 50 bilhões (R$ 266 bilhões) até 2030. Para se ter uma teoria, a mesma consultoria estimou o tamanho do mercado global em tapume de US$ 8 bilhões (R$ 43 bilhões).

O levantamento não traz dados sobre o Brasil, mas o país tem um lugar de destaque nesse ramo. Um dos casos globais de maior sucesso é a Lu, personagem virtual da Magalu, que surgiu porquê um personagem para o site da varejista em 2003, muito antes do boom da IA generativa.

Um levantamento recente da plataforma de geração Kapwing coloca a personagem da varejista no topo de um ranking mundial porquê a influencer de maior sucesso do mundo, estimando um faturamento com publicidade 34 vezes maior do que qualquer outro influenciador virtual. A Lu tem mais de 8 milhões de seguidores no Instagram hoje; na soma de todas as redes sociais, o número passa de 30 milhões.

Em segundo lugar no ranking, vem Lil Miquela, que foi criada por uma jovem americana e hoje tem mais de 2 milhões de seguidores. Ela já assinou contratos com marcas com BMW, Prada e Calvin Klein e, no ano pretérito, viralizou ao postar uma foto com a parlamentar democrata Nancy Pelosi, nos Estados Unidos.

Personagens do tipo —a própria Lu, inclusive— já estão aí desde antes do estouro da IA generativa. Mas a novidade tecnologia leva esse tipo de iniciativa a outro patamar. Se antes era preciso um estúdio de animação e equipes maiores para gerar tais personagens, hoje é verosímil fazer isso com menos gente e menos moeda —além de aumentar o ritmo da produção de teor.

No ano pretérito, um dos fenômenos foi a apresentadora criada por IA Marisa Maiô, criada pelo artista Raony Phillips, que já era espargido pela série de animação “Girls in the House”, com imagens de The Sims.

As análises de mercado têm indicado os países da Ásia porquê uma importante fronteira de desenvolvimento desse mercado. Na China, por exemplo, os avatares virtuais já têm sido usados em transmissões ao vivo com foco em vendas de produtos.

No ano pretérito, dois influenciadores usaram cópias digitais suas para uma transmissão numa plataforma de transacção eletrônico da Baidu —e venderam R$ 7 milhões. As previsões são de que o mercado de influenciadores virtuais chinês vá saltar 35% até 2030.

A subida de figuras do tipo tem mobilizado o mercado de criadores no mundo. O influenciador Victor Trindade, do meio Neagle, por exemplo, acaba de fundar a FlyMedia, que promete ser uma fábrica de influenciadores gerados por IA. Há três meses, a empresa captou R$ 20 milhões em uma rodada de investimentos.

“Queremos ser a Disney do porvir. Assim porquê eles pegaram a Pixar e construíram [ativos de] propriedade intelectual que transcendem o meio de distribuição. A propriedade intelectual do porvir são os influenciadores”, diz ele.

Trindade e outros executivos de geração do dedo avaliam que as marcas têm procurado personagens virtuais, entre outros motivos, pelo menor risco reputacional. Nenhum deles vai ser cancelado porque resolveu aprontar na balada ou trespassar falando bobagem por aí.

Outro motivo é a possibilidade de aumentar a produção de teor para as redes, já que influenciadores normais têm limitações muito humanas. Isso tem levado mesmo celebridades que são grandes na internet a gerar personagens que às vezes servem de suporte, às vezes ganham vida própria —não literalmente, é simples.

Sabrina Sato, por exemplo, criou a Satiko em 2021, uma personagem que passou a nascer nas redes da apresentadora e hoje tem perfil próprio. A equipe que trabalhava na persona virtual chegou a ter seis pessoas, mas, com o progressão da IA, foi reduzida para duas.

Satiko chegou a ter uma presença no Roblox e, no ano pretérito, lançou uma traço de produtos de desvelo pessoal em parceria com o jogo PK XD e uma marca de venustidade.

A influenciadora criada por IA é geração da Biobots, empresa de soluções em perceptibilidade sintético e agentes autônomos, que passou a oferecer o mesmo serviço para outras celebridades. Foi logo que Deborah Secco e a filha ganharam Deby Dry e Mary Flower, e Luiza Possi ganhou a Luz.

Para Ney Neto, sócio fundador da empresa, as vantagens da IA não estão só no fluxo de produção.

“Esses influencers mudaram um pouco de lugar. Com a IA, eles começam a lucrar cérebros digitais e passa a ser verosímil interagir com eles. Eles podem atender o público, ajudar nas vendas… As marcas que nos procuram hoje querem menos um personagem e mais um pouco que tenha um uso real”, diz ele.

Já Jefferson Promanação, sócio e Diretor de Teor da Jet, empresa do Mod Group, diz que aposta em três frentes nesse mercado: uma de figuras porquê a Lu da Magalu, outra com as celebridades que querem avatares seus criados por IA e mais uma, com influencers que já nascem puramente porquê personagens.

“Acho que oriente vai ser um ano poderoso neste campo. A tecnologia está muito consolidada e se acelerou no ano pretérito. E houve um momento de maturação cultural, das pessoas entenderem e aceitarem esse movimento”, diz ele. “Mas o público não quer ser ludibriado. No primícias, buscava-se o hiper-realismo, mas acho que agora o movimento é se distanciar disso. O hiper-realismo traz riscos de reputação.”



Folha

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