Como o quarteto fantástico pode dar certo após fracassos

Como o Quarteto Fantástico pode dar certo após fracassos – 23/07/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

É curioso —e um tanto simbólico— que esta seja a quarta vez que o Quarteto Fantástico tenta ir das páginas às telas. Responsável por tirar os quadrinhos da Marvel da lodo nos anos 1960, a equipe retorna aos cinemas nesta quinta-feira em uma versão repaginada cercada de expectativa, mas também de suspeição.

Sua jornada no audiovisual é marcada por derrotas —um fracasso de bilheteria em 2015, uma versão datada e esquecida dos anos 2000, e, antes disso, um filme gravado em 1994 que nunca foi lançado.

Para driblar o pé detrás do público, a Marvel contratou o ator mais desejado de Hollywood, o chileno Pedro Pascal. Primeiro do novo Quarteto uma vez que o pesquisador Sr. Fantástico, ele vira super-herói em seguida passar por franquias de ação uma vez que “Star Wars”, “Game of Thrones” e “Gladiador”.

A escalação dele garante à Marvel o interesse da legião de fãs que chamam Pascal de papai nas redes sociais. Aos 50 anos, o chileno vem colecionando papéis de figuras paternas, e isso não muda em “Quarteto Fantástico: Primeiros Passos” —seu personagem tem de se lastrar entre a paternidade e os negócios uma vez que protetor da sociedade.

Não é à toa que a Marvel vai pôr Pascal na liderança da novidade formação dos Vingadores, uma das franquias mais lucrativas do cinema, que ganha um novo capítulo no final do ano que vem. É a tentativa do estúdio de trespassar do marasmo dos últimos anos, com bilheterias muito inferior dos bilhões de outrora.

“Pedro é um planeta, um ator luzidio. Estrelas uma vez que ele vendem ingressos, isso é o que importa no termo das contas”, afirma a atriz Julia Garner, que faz a vilã Shala-Bal do novo filme.

A missão desse novo Quarteto Fantástico é, portanto, reerguer a Marvel e finalmente fazer um bom retrato dessa equipe que é necessário à história dos super-heróis. Criado por Stan Lee, fundador da Marvel, e Jack Kirby, uma mito entre os quadrinistas, a trupe estreou em 1961, teve sucesso inesperado com suas histórias de ficção científica e ar vintage, e fez os gibis da Marvel baterem pela primeira vez os da DC Comics.

Por isso o diretor Matt Shakman atendeu a um libido vetusto, e fez desse Quarteto uma família fofa, com jeito de mercantil de margarina —nos filmes antigos, os heróis agiam mais uma vez que colegas de trabalho.

“Primeiros Passos” tem um bebê recém-nascido no meio da peleja entre o grupo e o vilão Galactus, o voraz de planetas, que decide engolir a moço para aplacar sua rafa insaciável. Sue Storm, a Mulher-Invisível, se vê sob pressão da sociedade para entregar o rebento. Sua rede de suporte é formada pelo irmão Johnny, o Tocha Humana, e o camarada Ben Grimm, o Coisa, cuja pele é feita de pedra. Há ainda o robô H.E.R.B.I.E, que faz as vezes de babá.

“Nascente é um filme sobre comunidade, e isso torna ele muito humano”, diz Garner. Ela foi escalada para fazer uma versão feminina do personagem Surfista Prateado —decisão mal recebida por secção dos fãs. “Não há diferenciação entre temas masculinos e feminino, são assuntos humanos.”

Um dos maiores nêmesis do Quarteto, o forasteiro de corpo reluzente apareceu nos cinemas pela primeira vez no filme “Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado”, sequência do filme de 2005, o primeiro do grupo.

As obras eram uma adaptação zero leal à dinâmica do grupo nas HQs. Sue e Reed formam um parelha, e o Tocha-Humana de Chris Evans tem a malandrice do personagem, mas eles pouco discutem suas relações familiares, e passam mais tempo fazendo piadas hoje consideradas datadas. Pesou para esses filmes, ainda, tratar a Mulher-Invisível de Jessica Alba de forma sexualizada.

O novo Quarteto faz de Sue mais empoderada. Vanessa Kirby, dona da personagem agora, está pejada durante a turnê de divulgação do filme, e diz que ter interpretado cenas uma vez que a de um parto ajudaram ela a entender melhor os sentimentos de mãe.

Sua Mulher-Invisível é anos mais velha que a da última versão. Lançado há dez anos, o “Quarteto Fantástico” dirigido por Josh Trank é um dos maiores fracassos dos filmes de super-heróis —o filme custou US$ 120 milhões, fora os custos de marketing, e arrecadou somente US$ 167,9 milhões, mal conseguindo se remunerar.

O elenco, mais jovem que o da primeira versão, tinha Kate Mara no papel da Mulher-Invisível, Miles Teller uma vez que Sr. Fantástico e um Michael B. Jordan no primórdio de curso fazendo o Tocha-Humana. Esta, aliás, foi uma escolha polêmica, oferecido que Jordan é preto, e o personagem é branco nos gibis.

O filme de 2015 decepcionou por tarar a mão no drama, entre cenas escuras e um roteiro que nunca trata a equipe uma vez que família. Nem o diretor gostou do resultado. Em entrevistas, Trank disse que o longa sofreu com a interferência de executivos do estúdio, que mexeram na versão entregue por ele.

Anos depois, Trank contou ainda ter pretérito a dormir com uma arma debaixo do travesseiro durante a produção do filme em seguida receber ameaças de fãs inconformados na internet.

“Aquilo foi um show de horrores”, diz Fábio Gomes, jornalista especializado em cultura pop. “Chamaram o diretor de ‘Poder sem Limites’, um rosto de potencial contra-senso, deram para ele o Quarteto com a proposta de gerar uma geração novidade, escalaram um elenco promissor, mas refilmaram tudo.”

A produção só não foi tão caótica quanto a do filme fantasma de 1994. Prestes a pedir os direitos sobre o Quarteto, a produtora Constantin Film teve de se virar para tirar do papel um longa sobre eles. Investiu US$ 1 milhão, valor baixíssimo para um filme de ação, e recorreu ao produtor Roger Corman, técnico em produções baratas.

A equipe que fez o filme foi toda enganada. Apesar de nunca ter solicitado lançar o filme, a produtora fez trailers e cartazes e levou o elenco para uma turnê de entrevistas. “Fiquei devastado. Todo aquele trabalho, nossas esperanças e sonhos estavam acabados”, disse Michael Bailey Smith, que interpretou o Coisa.

Um pedido de desculpas vem agora, 30 anos depois —Smith e os três colegas aparecem no novo filme, em uma rápida participação, conforme antecipado pelo chefão da Marvel Kevin Feige.

Entusiasta da teoria de multiverso, em que mesmos personagens vivem em várias dimensões, o executivo agora se prepara para uma verosímil guinada do estúdio com os novos Vingadores, que terão uma vez que vilão o Doutor Orientação, também das histórias do Quarteto Fantástico.

Folha

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