Na rombo da quarta temporada de “The Boys”, uma mulher acena em frente à bandeira dos Estados Unidos, e agradece a quem votou para ela assumir a vice-presidência do país. Os eleitores pensam saber muito Victoria Neuman, mas nenhum deles sabe que ela explode cabeças com a força do pensamento.
Noutra cena, pessoas se reúnem em frente a um tribunal de justiça, onde será sentenciado se o superpoderoso Capitão Pátria deve ser punido por ter matado um social na temporada passada. Metade o apoia e a outra protesta contra sua indulto. Quando o resultado é anunciado, uma pessoa grita “fascista”, e começa uma pancadaria na poviléu.
Com três episódios lançados nesta quinta-feira no Amazon Prime Video, “The Boys” volta tirando sarro da polarização política que dominou os Estados Unidos nos últimos anos e que aflora de novo, às vésperas da eleição presidencial do país, em novembro. A trama potencializa o que já dera evidente nos outros anos, e faz piada com governos corruptos, mídia tendenciosa e o fanatismo por figuras de liderança.
“O mundo real está bastante caótico, logo é estranhamente fácil transpor isso na série justamente porque ela reflete onde vivemos”, diz a atriz Claudia Doumit à Folha, que faz a governante que quer presidir os EUA nos novos capítulos.
Doumit e quatro colegas de elenco receberam a reportagem num hotel luxuoso da Cidade do México, onde foram no mês pretérito para promover a série na CCXP MX, a primeira edição mexicana da feira de cultura pop criada em São Paulo.
Quem estava lá também era Antony Starr, tradutor do Capitão Pátria, o contraditor de “The Boys”. Em entrevista ao Los Angeles Times no ano pretérito, o ator afirmou que há trejeitos de políticos da vida real no seu personagem, mencionando os ex-presidentes americanos Donald Trump e Barack Obama.
“Ele é uma mistura de muitos políticos, na verdade. Há um pouco de Obama na maneira de pronunciar as palavras, e também outras comparações muito óbvias”, diz o ator, sem referir Trump. “As referências surgem principalmente quando interpreto seus discursos.”
Nesta novidade temporada Capitão Pátria se dá conta que só vai dominar o mundo se ocupar os humanos com sua lábia. Ele traça uma estratégia logo para aproveitar do fascínio que desperta no povo e formar um tropa de apoiadores.
Do outro lado está o time dos mocinhos, os “boys” do título, que seguem tentando desenredar uma vez que exterminar Capitão Pátria e outros supermalvados. Antes liderado por Billy Bruto, o grupo tem agora a sabedoria de Luz-Estrela, uma superpoderosa que quer conviver em tranquilidade com os humanos. Bruto, por sua vez, encontra um vírus que pode ajudar a concluir com as criaturas extraordinárias.
É, em suma, ainda uma história de heróis, mas sem a inocência daquelas que a Marvel e a DC Comics levaram aos cinemas nos últimos 15 anos. “The Boys” é sanguinolenta, enxurrada de corpos com tripas expostas, e também repleta de cenas de sexo e nudez explícita. No capítulo “Supersuruba”, da terceira temporada, por exemplo, dezenas de poderosos se reúnem para transar, com pênis que esticam, congelam e pegam queimação.
O elenco nega que o humor escrachado pode suscitar um efeito indesejado e esvaziar as críticas que a série faz. “‘The Boys’ é um cavalo de Troia para falar dessas coisas”, afirma o ator Chace Crawford, que dá vida a Profundo, uma paródia do Aquaman. “Adoro esse contraste, a combinação de sombrio e simples. Não paladar de negrume nem de leveza em excesso”, diz Erin Moriarty, a Luz-Estrela.
Questionada sobre quão absurdas são as cenas de violência e sexo desta temporada, a atriz conta que precisou se autocensurar às vezes para focar nas gravações de tão constrangedoras que algumas cenas eram. Doumit, a outra atriz, se diverte ao ouvir o relato.
Ela volta a rir quando nascente repórter pergunta uma vez que foi explodir a cabeça do ator brasílico Marco Pigossi —de peta, é simples —em “Gen V”, série derivada de “The Boys” lançada no ano pretérito. Na produção, ele interpreta um médico que estuda o vírus capaz de extinguir os superpoderosos.
“Era noite, estávamos no subterrâneo, não tinha sinal de celular. Lembro que tinha uma bolsa de sangue falso perto da cabeça dele. Aí gritaram ‘ação’ e ‘plaft’”, diz ela, emulando o fragor do estouro. “Ficou referto de sangue, foi muito risonho.”
“Gen V” foi protagonizada por Chance Perdomo, ator que morreu aos 27 anos em março. Doumit não contracenou com ele, mas diz que ainda não conseguiu processar a perda. “É muito triste que isso tenha sucedido nessa família em que fui inserida.”
Em enviado publicado no Instagram, os produtores de “Gen V” afirmam que não vão substituir Perdomo e que vão honrar seu legado na próxima temporada.
Posteriormente a entrevista, nascente repórter voltou ao hotel em que estava hospedado e decidiu testar uma bebida com chuva de coco e gengibre dada aos jornalistas. Na garrafa dizia que o teor era “constituído V,” o líquido que dá poderes aos personagens de “The Boys”. O mesmo não aconteceu na vida real, mas a bebida ao menos serviu para matar a sede na secura que é a Cidade do México.
O jornalista viajou a invitação do festival CCXP