Como 'tubarão' de spielberg recriou o blockbuster moderno 19/06/2025

Como ‘Tubarão’ de Spielberg recriou o blockbuster moderno – 19/06/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Quando “Tubarão” estreou, em junho de 1975, houve uma única sala de cinema em que o filme de Steven Spielberg foi recebido com gargalhadas. Foi em Martha’s Vineyard, na costa de Massachusetts, nos Estados Unidos.

Meses antes, aquele balneário logo tranquilo havia sido escolhido uma vez que cenário para a história de uma ameaço que vinha do fundo do mar. Dizem que, nas sessões do longa, o público não parava de rir ao mostrar os vizinhos uma vez que figurantes —o pescador, a garçonete e por aí vai.

Caso só, é simples. No resto do planeta, “Tubarão” foi recebido com assombro. Uma boa segmento disso se deveu aos inegáveis méritos da obra, e outra a uma gigantesca campanha de divulgação que, 50 anos depois, continua moldando a forma uma vez que os megalançamentos são consumidos.

Dá para expor que “Tubarão” foi o primeiro blockbuster moderno —e esse legado será relembrado no documentário “Tubarão: A História de um Clássico”, que estreia no Disney+ em julho.

Também provocou uma fissura mundial por esses peixes cartilaginosos. Hoje, canais a cabo têm maratonas de programas documentais sobre o bicho tão temido —embora a chance de morrer fulminado por um relâmpago seja 47 vezes maior do que a de ser devorado por um deles, segundo estatísticas.

A culpa é de Spielberg. Aos 28 anos, ele era um diretor em subida em Hollywood com reputação de prodígio. Ele vinha do interno americano, de uma família de judeus de classe média. Na puerícia, foi um garoto pleno de fobias, orelhas de abano, acne e língua presa. Era um mau aluno.

Baixinho e pouco popular, passava os dias com os olhos grudados na TV vendo filmes toscos de ficção científica e, mais tarde, recrutava os colegas para atuar em suas produções de Super-8, repletas de efeitos caseiros —um tanto disso ele apresenta no semiautobiográfico “Os Fabelmans”.

Começou a curso dirigindo programas de pouca frase na televisão. Enquanto seus contemporâneos mergulhavam na vertigem psicodélica do termo dos anos 1960, Spielberg era o nerd muito comportado que ruborizava ao observar garotas de topless.

Sua primeira viradela veio com o telefilme “Encurralado”, de 1971, sobre um motorista acuado por um caminhoneiro, um suspense que chamou a atenção da indústria. E também o passaporte para estar na turma de Brian De Palma, George Lucas, Francis Ford Coppola, Paul Schrader e Martin Scorsese —todos, alguns mais e outros menos, porras-loucas.

Era o primórdio dos anos 1970 e Hollywood estava se transformando. O país e o mundo haviam mudado, e os gostos do grande público que ia aos cinemas também. Aos produtores só restou assinar um cheque em branco para esses novos diretores que chegavam com o pé na porta, antenados aos anseios dos jovens.

Em 1974, o roteiro de “Tubarão” dava sopa nos estúdios da Universal, ainda sem um cineasta que o acolhesse. Era uma adaptação do romance de Peter Benchley sobre uma ilhota chamada Amity, assolada pelos ataques de uma fera marinha durante claro verão. As autoridades locais resistem a fechar as praias com pavor de sufocar o turismo que sustenta a comunidade até que as mortes se acumulam a tal ponto que cabe a três sujeitos —um pescador, um oceanógrafo e um policial— ir detrás do bicho faminto.

À idade, Spielberg lutava para convencer financiadores a filmar “Contatos Imediatos do Terceiro Intensidade”, que ele só rodaria dois anos depois. Restou a ele se ocupar rodando aquela história sem possuidor, enquanto isso. De início, não simpatizou com nenhum dos personagens. Mas tinha um grande orçamento e o pavor de desistir e virar proscrito na indústria.

A missão não era fácil. Boa segmento das cenas seria rodada em alto-mar, com um navio de pesca e um tubarão mecânico, depois batizado de Bruce —em homenagem ao jurisperito do diretor—, com uma mandíbula que mal se fechava.

Todos suspeitavam do roteiro e ninguém acreditava que viria um pouco memorável. Mal sabiam que a fala “vamos precisar de um navio maior” viraria uma das mais conhecidas da história do cinema. O pé nos filmes B fez o diretor se deleitar na construção das cenas mais sanguinolentas, para estrear a que abre a trama, com a morte da pequena que decide nadar nua em seguida uma sarau noturna.

Mas o detalhismo de Spielberg fez as filmagens se arrastarem por centena dias a mais do que o previsto, e o orçamento estourou em 300%. Quando terminou de rodar, ele achou que sua curso havia chegado ao termo. Os primeiros cortes tampouco foram animadores —quanto mais aparecia o tubarão mecânico em cena, mais se notava o quanto ele era falso.

O filme foi salvo na ilhota de edição. Para estrear, chegaram à desenlace de que o melhor mesmo era deixar que o peixe malfeitor em si só aparecesse lá pelo terço final da trama. Eis aí um de seus maiores trunfos —deixar que a tensão se apoiasse na imaginação, no que não se vê, o que foi sublinhado pela trilha sonora hoje antológica de John Williams.

Uma vez editado, era hora de o filme chegar às salas americanas. É aí que entra a estratégia de marketing pioneira. Em meados dos anos 1970, cinema e televisão eram tidos uma vez que mídias concorrentes, uma vez que conta o responsável Peter Biskind, um dos grandes cronistas daquele período. Estúdios eram reticentes em apostar na TV uma vez que um meio de anunciar filmes, mas alguns testes haviam resultado em boas bilheterias.

Zero até ali, no entanto, havia sido feito na graduação adotada pela Universal com “Tubarão”. O estúdio gastou mais de US$ 500 milénio, o que na idade era impensável, para comprar anúncios de meio minuto no horário sublime das grandes emissoras de TV dos Estados Unidos.

Outra tática foi lançar o filme no maior número de salas verosímil na estreia. Hoje isso parece comum, mas não era um pouco generalidade e geralmente usado somente para filmes tidos uma vez que ruins, isto é, que não sobreviveriam ao boca a boca por muitas semanas e, portanto, suas cópias não rodariam de cinema em cinema uma vez que os lançamentos importantes. O longa de Steven Spielberg saiu em 409 salas americanas ao mesmo tempo.

Nos dias atuais, isso é regra em lançamentos de blockbusters, que estreiam em múltiplas salas, muitas vezes esmagando lançamentos menores a ponto de quase monopolizar a programação de uma dada sala de cinema.

A bilheteria recorde de US$ 129 milhões para a idade mostrou aos estúdios o quanto valia investir em campanhas de marketing, que com o passar do tempo passaram a morder grandes pedaços do orçamento dos filmes.

Falando em publicidade, a logo idílica Martha’s Vineyard, onde a história de “Tubarão” foi rodada, se tornou um reduto de veraneio para milionários. Para quem quiser revisitar os cenários do filme, uma vez que as praias dos ataques, há passeios temáticos em micro-ônibus que cruzam a ilhota.

Só que para ver o tubarão mecânico Bruce, o jeito é desembolsar uns dólares a mais e ir até Los Angeles, onde o Museu do Oscar expõe a figura. De perto, ela é um tanto cômica. Patética até. Mas abocanhou a história do cinema.

Folha

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