Como Wicked: Parte 2 critica alienados em retrato político

Como Wicked: Parte 2 critica alienados em retrato político – 18/11/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

No início de “Wicked: Secção 2”, que estreia nesta quinta-feira, Glinda ganha uma bolha gigante para sobrevoar o país de Oz. Ela surta de felicidade. O presente, oferecido pelo corrupto Mágico de Oz, dá à jovem um gostinho do poder que nunca teve de verdade —e serve, ao mesmo tempo, para comprar sua lealdade. O objetivo do Mágico é fazer de Glinda uma arma política e pô-la avante de suas falcatruas.

Manipulação, delírio e tirania são temas que conduzem leste fechamento da duologia no cinema. Na pele de Ariana Grande, agora com mais espaço na trama, a abobalhada Glinda se vê forçada a perder a inocência para salvar Elphaba, sua melhor amiga, a feitiçeira de pele verdejante perseguida de forma injusta pelo governo.

Lançado porquê livro há três décadas e apropriado para a Broadway em 2003, “Wicked” sempre funcionou porquê um espelho político de seu tempo. Agora, com o progresso da extrema direita e dos discursos autoritários ao volta do mundo, os filmes levam as críticas a voar ainda mais cumeeira.

Em São Paulo, cercada da gritaria de fãs, Cynthia Erivo, que interpreta Elphaba, tentava se fazer ouvir para manifestar por que considera “Wicked: Secção 2” uma obra atual. “Quando gravamos, não tínhamos teoria que o filme seria lançado em meio a leste momento político. É importante que ele estreie agora, para encorajar as pessoas a buscarem a verdade.”

A atriz esteve no Brasil no início do mês para a turnê de divulgação do filme. Na privação de Ariana Grande, que cancelou a vinda de última hora por problemas com seu voo, sobrou para Erivo comentar as viradas da personagem da colega. “Glinda teve coragem de mudar, e isso que é maravilhoso. Quem está cego hoje precisa furar os olhos.”

Na trama do novo filme, Elphaba está foragida depois desvendar que o Mágico de Oz é um charlatão. Inimiga número um da sociedade, ela se isola com os animais, torturados pelo governo. Do outro lado das terras de Oz, Glinda organiza um himeneu com seu querido Fiyero, agora capitão da Guarda, mas aos poucos se dá conta que não tem mais o paixão dele.

O filme adapta o segundo ato da peça de teatro, muito mais político que o primeiro. No cinema, a história recebeu um bônus de murado de uma hora e dez minutos em relação ao tempo do espetáculo, que tem um final considerado apressado por boa segmento dos fãs.

O diretor Jon M. Chu aproveitou o tempo para dar estofo à revolta dos bichos e aprofundar os traumas de Glinda, que ganhou cenas sobre sua puerícia. Há mais espaço também para a relação complexa entre governo e sociedade —em manifesto momento, Glinda precisa ressoar uma música para manter o clima de felicidade, ainda que perceba estar diante de um pouco vazio.

“Sabia que precisava aprofundar o roda de cada protagonista e apresentar suas músicas novas para só depois mostrar porquê terminaria a história”, o cineasta afirma.

O livro “Wicked”, escrito pelo americano Gregory Maguire, partiu de um libido de investigar a natureza do mal. Por isso, o responsável achou por muito reimaginar alguém que o amedrontava na puerícia, a vilã de “O Mágico de Oz”, de 1900.

Maguire queria esmiuçar, a partir da ficção, as ações de pessoas porquê Adolf Hitler e Richard Nixon, que presidiou os Estados Unidos de 1969 a 1974. O jornalista disse em entreivstas que fez sua versão do Mágico um farsante pensando no político, que teve um governo marcado por escândalos e suspeição.

Embora não tenha sido a primeira obra de magia enxurro de parábola política —nos anos 2000, “Harry Potter” e “As Crônicas de Nárnia” também fizeram essa união nos cinemas—, “Wicked” é mais escancarado no que tem a manifestar. É a história de uma pessoa de cor de pele dissemelhante das demais que é maltratada.

Os dois filmes foram gravados ao mesmo tempo, numa estratégia para poupar custos e alinhar as agendas disputadas do elenco, mormente a de Ariana Grande, estrela da música pop que têm de conciliar os fainas musicais e os de atriz —ela desapontou os fãs, que já estavam irritados com a privação do Brasil em sua próxima turnê, quando deixou de vir ao país no início de novembro.

Mas Ariana deve recompensar seus admiradores com uma performance mais encorpada, que vai além do papel de refrigério cômico do filme anterior, que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de atriz coadjuvante. Embora ela não tenha vencido, o filme levou as estatuetas de figurino e design de produção.

O diretor Jon M. Chu é elogiado por priorizar efeitos práticos em vez de recorrer só para criações digitais.”Mais do que sets montados de verdade, fiz questão de que os figurinos fossem palpáveis e que a cantoria acontecesse ao vivo nas gravações”, ele diz. “Tudo tinha que ser feito de forma crua porque, embora seja fantasia, ‘Wicked’ precisa originar emoções verdadeiras. Zero pode ser falso.”

A vinda dele e do elenco ao Brasil, que incluiu ainda o galã Jonathan Bailey, tradutor de Fiyero, consagra uma relação íntima de “Wicked” com o país. O músico ganhou sua primeira encenação em São Paulo há quase dez anos, em 2016, com Glinda interpretada por Fabi Bang e Elphaba na pele de Myra Ruiz.

A peça voltou em 2023, no teatro Santander, e leste ano, no teatro Renault, um dos mais importantes da cidade. Está em papeleta desde março, e deve ultimar só em dezembro, com sessões lotadas, fazendo de “Wicked” um dos musicais mais longevos e lucrativos do país —a expectativa é que a temporada feche com um público de mais de 500 milénio pessoas. Somado às encenações anteriores, beirada 1 milhão de ingressos vendidos.

A versão brasileira labareda atenção internacionalmente pela cena em que Elphaba sobrevoa a plateia em uma vassoura pendurada por cabos. A montagem será exportada para Riad, na Arábia Saudita, e Dubai, nos Emirados Árabes, no ano que vem.

Por isso, aliás, pegou mal a forma porquê as intérpretes brasileiras foram tratadas no lançamento do filme em São Paulo. Embora tenham sido convidadas para apresentar segmento do evento, elas dizem ter sido esnobadas pela equipe americana da Universal Pictures, que teria impedido as duas de encontrar o elenco do filme.

Nas redes sociais, fãs se mobilizaram para lotar as páginas do estúdio de reclamações, uma exemplar do fenômeno que se transformou “Wicked”, nos palcos da Broadway, em Novidade York, nos de São Paulo ou no cinema. Furou a bolha, para o pavor de Glinda.

Folha

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