A temporada da peça “Morte e Vida Severina” em São Paulo, no Sesc Pinheiros, marca uma novidade lanço da Companhia Experiência Destapado. É uma período em que o grupo pode transpor da sede, o Arrecadação da Utopia, no Rio de Janeiro, e partir para a conquista de público em outros estados.
Até recentemente isso era impossível. Localizado na zona portuária, o arrecadação centenário é ocupado pelo grupo teatral há 15 anos, mas foi preciso muita insistência para prometer a posse do espaço, evadir das tentativas de desocupação e prometer recursos para a restauração, concluída ano pretérito.
“Mesmo depois da posse ser legalizada, ficavam tentando tirar a gente de lá, das formas mais espúrias que você possa imaginar. Logo a gente não podia fazer turnê, porque se saísse numa turnê grande, corria o risco de perder o arrecadação”, conta o diretor Luiz Fernando Lobo. “Agora voltamos a uma normalidade”.
“Morte e Vida Severina”, a obra-prima de João Cabral de Melo Neto, faz secção do repertório da companhia há 20 anos uma vez que um dos espetáculos mais próximos de um dos objetivos do grupo: a notícia com todos os tipos de público.
“Ele se comunica muito fortemente com a intelectualidade, mas ele se comunica muito fortemente com as classes populares, com qualquer pessoa”, diz o diretor. A peça sinaliza a particularidade do Arrecadação da Utopia de ser um espaço popular e, também, a procura do grupo pela ampliação do público teatral.
A Companhia Experiência Destapado tem 15 artistas exclusivos, e realiza oficinas públicas e gratuitas para escolher novos integrantes do elenco a cada espetáculo.
“Tem sempre sangue novo na extensão. A companhia, e isso é uma questão de princípio, nunca fica fechada nela mesma. Os grupos de teatro, de uma maneira universal, são muito fechados, muito autofágicos. Acho importante essa circulação”, diz Lobo.
O espírito de renovação está presente em “Morte e Vida”, com 25 atores e quatro músicos em cena. O diretor lembra de um diálogo entre João Cabral de Melo Neto e Vinícius de Moraes para responder sobre os esforços para popularizar a obra, apresentada em forma de músico.
“O Vinicius encontrou o João Cabral e elogiou a peça. O João disse assim: ah, Vinicius, mas eu não escrevi para gente uma vez que você”, recorda. “Logo, na verdade, não é preciso fazer nenhum esforço”, completa, mencionando o texto.
A música de Chico Buarque, que cedeu os direitos para a montagem, assim uma vez que os herdeiros de João Cabral, obviamente ajuda na notícia com o público que, em São Paulo, chega a aplaudir em cena oportunidade posteriormente os números musicais.
A saga do retirante nordestino que enfrenta a miséria e a morte simboliza atualmente, na visão da companhia, a trajetória de todos os que precisam transpor de seus lugares originais em procura de melhores condições de vida.
“Hoje as manchas da inópia estão nas grandes metrópoles, uma vez que Rio de Janeiro, São Paulo, Novidade York, Paris e Berlim”, diz o diretor. “A demografia da inópia mudou, mas não acabou”. Assim uma vez que não acabaram a concentração de terreno, a violência no campo e na cidade, a expulsão de moradores de seus lugares e as emboscadas.
Para o primeiro semestre de 2026, a companhia prepara a reestreia, no Rio, da peça “O Dragão”, de Eugène Schwartz, uma fábula sobre liberdade e tirania, escrita em 1943, na chamada meia-noite do século.
Também está nos planos voltar a São Paulo com outras peças do repertório, uma vez que “Olga”, um espetáculo-documentário sobre a vida de Olga Benário Prestes (1908-1942), a militante comunista que foi casada com Luís Carlos Prestes e entregue a Hitler por Getúlio Vargas, quando estava prenha de sete meses.
“Vir regularmente a São Paulo é muito importante porque, de certa forma, o núcleo cultural ainda é mais cá do que no Rio”, afirma o diretor do grupo. A existência de prelo especializada, de sátira e de uma classe teatral também atrai o grupo.
No Rio, a companhia segue fazendo secção do processo de revitalização da zona portuária carioca, com um arrecadação restaurado e sincero a receber outros grupos interessados no teatro heróico.
Construído em 1910, o arrecadação fica na extensão conhecida uma vez que Pequena África, onde funcionava o escravagista Cais do Valongo. Hoje o sítio é uma extensão de referência para a história da população negra e suas lutas por libertação.
Com projeto do arquiteto e cenógrafo J.C. Serroni, o espaço de 7.417 metros quadrados abriga o Teatro Vianinha e quatro salas, além do bar Bertolt Brecht.
A Companhia Experiência Destapado mantém uma notícia direta com grupos cadastrados e oferece ingressos mais baratos para atrair o público popular. “Essa história de que pobre não gosta de teatro é bobagem. O nosso trabalho é um trabalho de democratização de chegada, de redistribuição das questões culturais”, afirma Lobo.
A companhia criou estratégias para subsidiar ingressos para grupos escolares, de moradores da região ou de trabalhadores. “Com isso, temos um público muito largo em todas as classes sociais. Furamos a bolha”.
