Conheça 10 discos essenciais de maria bethânia 28/06/2025

Conheça 10 discos essenciais de Maria Bethânia – 28/06/2025 – Ilustríssima

Celebridades Cultura

Uma das principais artistas brasileiras, a cantora baiana Maria Bethânia completa 60 anos de curso. A estreia vernáculo foi no show Opinião, em 1965.

Em entrevista à Folha, ela comenta os principais momentos dessa trajetória artística.

Veja inferior dez discos essenciais na curso de Bethânia.

Maria Bethânia (1965)

O disco de estreia revela a maturidade de Bethânia aos 19 anos. Inclui “Carcará”, sucesso do Opinião, mas supera a imagem de cantora de protesto, gravando canções de Noel Rosa (“Feitio de Reza”, “X do Problema”) e Dorival Caymmi (“Nunca Mais”). Ainda da tradição, “Mora na Filosofia” (A.Passos/Monsueto) e “Anda Luzia” (João de Barro). Acolhe o irmão Caetano Veloso em “De Manhã” e “Sol Preto” —nesta última, repete o duo com Gal dos shows no Teatro Vila Velha, em 1964. “Só Eu Sei” divulga nacionalmente o sambista baiano Batatinha.

A Tua Presença… (1971)

O disco reafirma a capacidade autoral de Bethânia na montagem de repertório e o maduração de sua frase vocal. Do exílio, Caetano lhe envia “A Tua Presença Morena” e “Janelas Abertas Nº 2”. Ela cria uma versão enérgica de “Jesus Cristo” (Erasmo/Roberto Carlos) e revela o belo samba “Dia 4 de Dezembro”, do baiano Tião Motorista, em louvor de Santa Bárbara e Iansã, seu orixá. Participação de Jorge Ben em “Mano Caetano”, solidária ao tropicalista exilado.

Rosa dos Ventos – O Show Seduzido (1971)

Com deficiência na captação do som, o disco ao vivo sofreu cortes e edições da gravadora Philips, mas cresceu em relevância histórica por documentar o show mais mítico de Bethânia, “Rosa dos Ventos”, dirigido por Fauzi Arap, seu principal colaborador em espetáculos marcantes para a música e o teatro brasileiros. Bethânia domina a fala dramatúrgica de esquina e fala, colando textos de Fernando Pessoa e Clarice Lispector. No repertório, “Rosa dos Ventos” (Chico Buarque) e “Movimento dos Barcos” (Capinan/Macalé). Foi acompanhada pelo Terreno Trio.

Drama (1972)

Produzido por Caetano Veloso, recém-chegado do exílio, une a poética densa e a experimentação músico muito dosada. Sem incerteza, está entre os discos mais estranhos e fascinantes de sua curso. A música “Drama”, de Caetano, traduz a presença cênica da cantora-atriz: “Drama!/ E ao término de cada ato/ Limpo num tecido de prato/ As mãos sujas do sangue das canções”. Enfeixa “Volta por Cima” (Paulo Vanzolini), “Querubim Exterminado” (Macalé/ Waly Salomão), “Iansã” (Gil / Caetano), “Estácio Holly Estácio”, do novato Luiz Melodia, e a melancólica “O Circo”, de Batatinha.

Pássaro Proibido (1976)

O disco inova ao incorporar, desde a capote, a temática e a sonoridade do universo afro-baiano do candomblé, com “As Ayabás” (Caetano/Gil) e “A Bahia te Espera” (Herivelto Martins/ Chianca de Garcia), celebrando “a Bahia que tem tanta igreja e tem tanto candomblé” (em seu disco ao vivo de 1969, ela incluíra um “Ponto de Iansã”). A gravação de “Olhos nos Olhos” (Chico Buarque) invade as rádios FM e AM do país, numa prévia do sucesso de seus discos românticos. Incorpora um duo com Caetano na bela música homônima ao disco, “Pássaro Proibido”, e “Sarau”, de Gonzaguinha: “Belo é o Recife pegando lume/ Na pisada do maracatu”.

Álibi (1978)

Redimensiona a cantora no mercado fonográfico. É o salto mercantil de Bethânia —a produção da cantora estima a venda de 1 milhão de cópias—, além de ser uma inflexão romântica em sua trajetória. Algumas de suas músicas mais executadas no país estão neste álbum: “Álibi” (Djavan), “Ronda” (Paulo Vanzolini), “Explode Coração” (Gonzaguinha), “Negue” (Adelino Moreira / Enzo de Almeida Passos), “Sonho Meu” (Dona Ivone Lara /Délcio Roble), em duo com Gal Costa, e “O Meu Paixão” (participação de Alcione) e “De Todas as Maneiras” (Chico Buarque). Retira “Cálice”, de Gil e Chico, do limbo da increpação.

Mel (1979)

Consolidou a popularização de Bethânia. Fontes não oficiais estimam a venda de mais de 1 milhão de cópias. Com os hits românticos “Mel” (Caetano/ Waly Salomão), “Grito de Alerta” (Gonzaguinha), “Cheiro de Paixão” (Paulo Sérgio Valle /Jota Morais /Ribeiro /Duda Mendonça) —originalmente um jingle de motel baiano—, “Da Cor Brasileira” (Ana Terreno / Joyce) e “Loucura” (Lupicínio Rodrigues). De Angela Ro Ro, jovem compositora, “Pinga de Sangue”. “Mel” a batiza uma vez que “Zangão Rainha”. Os arranjos de Perinho Albuquerque são essenciais nessa período ultrapopular da artista, que abrange também os discos “Álibi” (1978), “Talismã” (1980) e “Príncipe” (1981).

Ciclo (1983)

Franco com “Motriz”, de Caetano, o disco marca uma viradela estilística de Bethânia, que vinha de uma sequência de discos de odor romântico. Agora, ela amplia o time de arranjadores —Guto Perdão Mello, Roberto Mendes, Dori Caymmi, Toninho Quintal, Lincoln Olivetti— e procura uma novidade linguagem poética, sem olvidar o mina da tradição com “Ela Disse-me Assim” (Lupicínio Rodrigues) e “Isto é o Meu Brasil” (Ary Barroso). Grava “Fogueira”, de Angela Ro Ro, e faz um duo com Gal em “Filosofia Pura” (Roberto Mendes/Jorge Portugal). É um dos discos favoritos da própria Bethânia.

As Canções que Você Fez pra Mim (1993)

Com mais de 1 milhão de cópias vendidas, outro sucesso popular, o álbum mergulha no repertório de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, com arranjos de Jaime Alem e Graham Preskett, em um roteiro de músicas definido por Bethânia. “As Canções que Você fez pra Mim”, “Olha” e “Fera Ferida” demonstram a plenitude da tradutor. Origina a gravação de uma versão do álbum em espanhol.

Brasileirinho (2003)

Um dos discos preferidos da sátira. Bethânia abre um ciclo de álbuns e shows com uma narrativa sobre o Brasil rústico e urbano, além de mestiço, preto e indígena. Entre outras, grava “Cabocla Jurema” (Nei Lopes/Efson), “Melodia Sentimental” (Heitor Villa-Lobos/ Dora Vasconcelos) e duas canções do repertório clássico de Luiz Gonzaga, “Cigarro de Paia” e “Boiadeiro” (Armando Cavalcanti/Klécius Caldas). “Brasileirinho” aprofunda a autoralidade de Bethânia na colagem de canções e textos (Guimarães Rosa, Mário de Andrade e Vinicius de Moraes), além de dimensioná-la uma vez que pensadora do país nas artes. Destaca-se a música “Yáyá Massemba”, de Capinan e Roberto Mendes, releitura da história brasileira a partir da experiência da escravidão. Um disco enamorado pela vida brasileira e pela lírica popular.

Folha

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