Conheça a brasileira entre os cem mais influentes de ia

Conheça a brasileira entre os cem mais influentes de IA – 25/09/2025 – Tec

Tecnologia

No início deste mês, a influente revista americana Time produziu sua primeira lista das centena pessoas mais influentes no mundo da lucidez sintético (IA).

Muitos dos nomes na lista são bastante conhecidos no mundo da tecnologia: Elon Musk (da Tesla e da xAI), Sam Altman (da OpenAI, criadora do ChatGPT), Mark Zuckerberg (da Meta), Jenson Huang (da Nvidia) e Liang Wenfeng (do Deepseek), entre outros.

Na lista também aparece o brasiliano Cristiano Amon, CEO da Qualcomm, empresa americana trabalhador de chips que vem se destacando também por pesquisa no campo da AI.

A lista é repleta de empresários e executivos que estão moldando esse campo que é hoje visto uma vez que o porvir da indústria da tecnologia.

A IA é considerada uma instrumento poderosa para ajudar a resolver diversos problemas crônicos da humanidade.

E é vista também uma vez que uma tremenda oportunidade de negócios para aqueles visionários que conseguirem gerar empresas pioneiras e disruptivas.

A IA catapultou a trabalhador de chips Nvidia ao posto de empresa mais valiosa do mundo hoje, com valor de mercado superior a US$ 4 trilhões. Outro pioneiro no setor, o fundador da OpenAI, Sam Altman, tornou-se bilionário.

Outro nome que aparece na lista é da farmacêutica brasileira Ana Helena Ulbrich, moradora de Capão da Canoa, município do litoral setentrião do Rio Grande do Sul, que foi reconhecida pela Time pela instrumento que ela e seu irmão, o observador de dados Henrique Dias, criaram para resolver um problema do sistema de saúde brasiliano: reduzir o número de erros em prescrições médicas.

Mas ao contrário de alguns outros nomes da lista e no setor de IA, Ulbrich e Dias não se tornaram bilionários —ou sequer milionários.

Ao invés de uma startup, eles criaram um instituto sem fins lucrativos, a NoHarm, que ofídio uma pequena taxa de hospitais privados para poder oferecer sua instrumento gratuitamente aos hospitais públicos do Brasil.

Sua pequena operação de 20 pessoas funciona ainda hoje dentro da Tecnopuc Startup —a incubadora de negócios da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), em Porto Satisfeito.

“O caminho geral é gerar uma empresa para permanecer milionário. Nós nunca quisemos ser milionários. Não tínhamos essa premência ou essa vontade”, disse Ulbrich em entrevista à BBC News Brasil.

TRABALHO EXAUSTIVO

Em 2017, Ana Helena Ulbrich era farmacêutica do Grupo Hospitalar Conceição, a maior rede pública de hospitais da região Sul do país, com atendimento 100% pelo SUS.

Sua função era fazer a avaliação da récipe de remédios receitados aos pacientes.

Quando um médico precisa governar remédios a pacientes internados no hospital, ele envia a récipe ao farmacêutico, que é um profissional especializado em averiguar se os medicamentos são eficazes e seguros.

Há inúmeros problemas que podem intercorrer na gestão de um remédio: por exemplo, a ração e a frequência podem estar erradas ou pode possuir interações indesejadas do remédio indicado com outros medicamentos que o paciente já está tomando.

Alguns pacientes são idosos, possuem comorbidades ou têm problemas específicos, uma vez que renais ou hepáticos —fatores que podem ser complicados com erros de prescrições.

Em um mundo ideal, um farmacêutico precisaria olhar todo o prontuário do paciente —incluindo as anotações dos médicos e enfermeiros e os exames do paciente.

Mas a prática do departamento de farmácia de um grande hospital brasiliano é muito dissemelhante. “O trabalho de olhar prescrições era exaustivo. Eu tinha um minuto ou dois minutos para olhar a récipe e já liberar o medicamento”, conta Ulbrich.

Na equipe em que ela trabalhava, com quatro pessoas, eles chegavam a determinar 800 prescrições por dia.

“Eu sempre me senti insegura se eu estava ou não olhando a récipe de forma completa e com qualidade”, conta.

“A maior secção dos farmacêuticos não têm condições de olhar todas as informações no formato em que o trabalho está hoje.”

Nos almoços familiares de domingo, ela discutiu o problema com seu irmão, Henrique Dias, que estava fazendo doutorado em informática na PUC-RS.

As conversas resultaram em um projeto de pesquisa para detecção de eventos adversos em prontuários de hospitais.

E desse projeto surgiu o algoritmo que serviu uma vez que embrião do trabalho que eles desenvolvem até hoje. O algoritmo detecta prescrições de medicamentos fora do padrão e alerta farmacêuticos para erros.

O trabalho foi publicado em uma revista científica, mas Ulbrich e Dias tinham ambições maiores: eles queriam desenvolver uma solução que facilitasse a vida de farmacêuticos nos hospitais.

Em 2019, eles montaram um instituto sem fins lucrativos chamado NoHarm —nome em inglês que significa “sem danos”, contando com um quantia que ganharam do prêmio Lara, do gigante de tecnologia do Google.

O trabalho começou no Hospital Santa Mansão de Porto Satisfeito e envolveu não só o desenvolvimento do algoritmo, uma vez que também um sistema integrado ao banco de dados.

A primeira récipe médica da NoHarm foi analisada em março de 2020.

O programa da NoHarm oferece soluções para diversos problemas comuns aos farmacêuticos. O sistema tem aproximação a todas as informações do prontuário do paciente, uma vez que exames e comorbidades.

O programa consegue identificar problemas de ração e frequência de medicamentos, analisa as interações com outros remédios que o paciente esteja tomando e consegue até mesmo averiguar as anotações feitas por profissionais uma vez que médicos, enfermeiros, nutricionistas e fisioterapeutas.

A NoHarm sugere planos de ação aos farmacêuticos sobre uma vez que mourejar com eventuais problemas que surgem com a récipe.

Ulbrich ressalta que a NoHarm não substitui um farmacêutico. É sempre importante possuir um olhar humano e treinado para tomada de decisões. Mas a instrumento auxilia os profissionais a mourejar com a quantidade enorme de informações que é necessária para averiguar com qualidade uma récipe médica.

“A NoHarm é para suporte à decisão. Nós entendemos que a lucidez sintético, de forma moral, tem que ser assim. É uma forma de agilizar o processo de avaliação, e não de fazer o papel do profissional. Porque é muito aventuroso botar no lugar do profissional uma instrumento que faz tudo maquinalmente.”

A realização do sonho de levar esse projeto adiante exigiu muito de ambos. Ulbrich e Dias seguiram com seus empregos —se dedicando unicamente parcialmente ao projeto.

A farmacêutica ainda precisou conciliar o desenvolvimento da NoHarm com o trabalho intenso no hospital nos meses da pandemia —e com sua rotina familiar, uma vez que mãe de dois filhos.

100% GRATUITO AO SUS

A experiência na Santa Mansão de Porto Satisfeito foi um sucesso. Ao usar a instrumento da NoHarm, o hospital conseguiu —com a mesma equipe— aumentar em quatro vezes a quantidade de prescrições analisadas.

Sem nenhuma verba para marketing, a teoria foi sendo difundida em conferências de hospitais da qual Ulbrich participou.

A NoHarm hoje é usada por 200 hospitais no Brasil. Pelo seu sistema, passam mais de 5 milhões de prescrições por mês. A NoHarm afirma que mais de 2,5 milhões de pacientes foram beneficiados pelo sistema. O instituto segue aperfeiçoando o sistema com mais pesquisas.

Em 2023, Ulbrich e Dias passaram a se destinar integralmente à NoHarm. Tudo que a associação arrecada é usado para remunerar salários e custos, e para reinvestir na sua tecnologia.

A NoHarm segue captando recursos de editais de fundações privadas ou bancos uma vez que BNDES. Segmento de sua receita vem de hospitais privados, que pagam para usar o sistema. Já hospitais do SUS têm aproximação ao sistema de forma 100% gratuita.

A gratuidade da instrumento aos hospitais públicos brasileiros sempre foi um dos pontos fundamentais do projeto de Ulbrich e Dias. E é um dos motivos pelos quais eles montaram um instituto sem fins lucrativos, em vez de uma startup convencional.

Os irmãos chegaram a conversar com investidores privados quando montaram a NoHarm —quando ainda estudavam uma vez que seria seu padrão de negócios.





Nós tivemos experiências ruins em relação a investidores. Antes de eles decidirem se investiriam, tivemos uma reunião e a conversa foi péssima. Nosso propósito era entregar a instrumento gratuitamente ao SUS e isso não é interessante para nenhum investidor

“Nós tivemos experiências ruins em relação a investidores. Antes de eles decidirem se investiriam, tivemos uma reunião e a conversa foi péssima. Nosso propósito era entregar a instrumento gratuitamente ao SUS e isso não é interessante para nenhum investidor”, conta Ulbrich.

Outro ponto importante para os irmãos é que a instrumento que eles desenvolverem é oferecida com código acessível —para que outras pessoas possam gerar outras plataformas semelhantes.

“O investidor está orientado para o lucro. E não tem zero de inverídico nisso. Mas nós não estamos orientados para o lucro. É preciso ter um ‘fit’ com o investidor. Se não tiver, não faz sentido. Nós não íamos transpor do nosso ofício para gerar um negócio que não nos faz muito.”

Ulbrich diz que a decisão de não receber aportes de investidores —que acabariam pressionando a startup para dar retornos financeiros— permitiu que a NoHarm crescesse organicamente no ritmo estabelecido pelos seus próprios criadores.

O quantia obtido com prêmios e editais —que inclui fontes uma vez que o Google e a Amazon— deu a eles um proporção de independência para seguirem seus próprios rumos, e eles não se arrependem dessa decisão.

“Nós temos muito orgulho de ter disposto isso. Só se comprovou que a nossa decisão foi a melhor. Temos parceiros que apoiam e divulgam a NoHarm por motivo dessa decisão. Eles veem que nós temos o propósito de melhorar o sistema de saúde, não o propósito do lucro.”

Um dos editais que a NoHarm venceu foi para receber recursos da Instalação Gates, dos bilionários Bill e Melinda Gates.

Ulbrich acredita que essa eminência internacional contribuiu para que seu nome aparecesse na lista da Time de 100 pessoas mais influentes no mundo da lucidez sintético publicada neste mês.

A inclusão da NoHarm na lista da Time trouxe ainda mais trabalho para Ulbrich.

“Agitou bastante né?”, ri a farmacêutica. Ela e o irmão vêm recebendo convites para palestras em países uma vez que EUA, Egito e Emirados Árabes.

Ela conta que uma de suas maiores preocupações no uso da lucidez sintético é com moral.

“A lucidez sintético precisa ser usada sempre para suporte a decisões [humanas] e ela precisa sempre ser explicando quais são as suas referências. Isso é o mais importante.

Texto originalmente publicado cá.

Folha

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