Conheça o Bodø/Glimt, o improvável que brilha na Champions

Conheça o Bodø/Glimt, o improvável que brilha na Champions – 10/03/2026 – Esporte

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Começa pelo nome, Bodø/Glimt, que o resto da Europa labareda de Bodo sem muita cerimônia. Para quem não quiser se malparar na sotaque de uma das nove vogais norueguesas, basta fazer uma vez que os locais: use exclusivamente Glimt. Com um irresistível “jogo livre”, camisas amarelas, grama sintético e um tempo inclemente a seu obséquio, o Glimt, no setentrião da Noruega, faz história nesta semana ao disputar as oitavas da Champions, o maior interclubes do planeta.

O vestuário é inédito, adjetivo que se repete na história recente do clube com frequência incomum. Antes do Sporting, contendor desta quarta-feira (11), o Glimt eliminou a Inter de Milão, com um 3 a 1 em mansão, que alguém até tentou imputar ao indiferente, ao gramado sintético etc, e um 2 a 1 fora, em que só restou a globo uma vez que explicação. Se alguém ainda apontava para uma zebra polar no primeiro jogo, na volta, no San Siro, não houve argumentos.

Semanas antes, as primeiras vitórias do time na Champions, sobre Manchester City (3 a 1) e Atlético de Madrid (2 a 1), colocaram a pequena Bodø no planta do futebol europeu. Trajetória surpreendente para um time que, há menos de dez anos, amargava a segunda ramificação de um país que não frequenta as listas de potências do futebol.

“O Monaco foi o único clube que não sofreu gol em Bodø nesta temporada. Nós ganhamos de 1 a 0 na tempo de grupos. Eles têm uma lógica esportiva, o mesmo treinador há muitos anos e basicamente trabalhando o mesmo grupo de jogadores há muito tempo”, diz Thiago Scuro, CEO da equipe do principado.

Ex-Red Bull Bragantino, Scuro vê o Glimt uma vez que “um resultado esportivo que vem sendo construído há pelo menos três anos”. “Não é de agora, de forma alguma. Tem valor, tem trabalho. É uma equipe muito organizada, com jogadores muito talentosos.”

Fora do cenário europeu, a história começa ainda antes, em 2018, quando o Glimt superou o rebaixamento e uma crise que, a despeito do sucesso recente, ainda habita a memória dos torcedores em Bodø. “Passamos por altos e baixos, principalmente baixos. Foram anos difíceis nas divisões inferiores. Agora estamos na Champions. É surreal”, descreve Robin Gundersen, que junto com o irmão gêmeo, Rudi, toca uma galeria de arte na cidade.

Paisagens marítimas e nórdicas abriram espaço, nos últimos meses, para visões sobre o estádio Aspmyra, retratado em cores vivas e com os “elementos naturais” da cidade _além das montanhas e da neve, aviões e helicópteros, integrantes da peculiar paisagem urbana de Bodø. “Não é mais sorte. Somos uma boa equipe e não nos concentramos nos resultados. Nosso foco é progredir e melhorar a cada jogo”, diz Robin, que se autointitula um ultra do Glimt.

Apesar do termo, não há notícia de violência em Bodø. O sucesso da equipe na Champions atrai visitantes, mas o estádio é tão pequeno (8.270 lugares) que os vários hotéis da cidade dão conta do recado. “É improvável que tanta gente decidisse vir a Bodø não fosse pelo futebol. E isso é muito bom. As pessoas estão animadas porque agora há um fado novo e completamente dissemelhante [no calendário da Champions]”, afirma Anke Lange, responsável pelo escritório de informações turísticas da cidade.

Sim, Bodø (pronuncia-se “bodá”), 53.600 habitantes, é pequena, dissemelhante, mas dentro de uma verdade de padrão norueguês. Ônibus e carros elétricos cortam o meio da cidade a despeito de breves caminhadas darem conta da maioria dos deslocamentos. Capital cultural da Europa em 2024, tem bibliotecas modernas, galerias, museus e a principal universidade da região.

“Não é mais exclusivamente graduação para Lofoten”, diz Anke, sobre o principal fado turístico da região, uma ilhota conectada a Bodø por um eficiente serviço de balsas. Uma vez que prova da potencialidade da cidade além do futebol, ela saca o celular para mostrar uma foto da aurora boreal tirada do porto da cidade, a despeito da iluminação. “E eu nem sei tirar foto.”

Glimt, que quer proferir faísca ou cintilação em noruguês, foi chamado de “relâmpago do setentrião” pelo jornalista Luís Aguilar, em um item publicado no periódico português A Globo. Era um alerta para os torcedores do Sporting sobre o tamanho da tarefa do time neste mata-mata. “As equipas pequenas costumam proteger-se. O Bodø ataca.”

“Os jogadores do Glimt nunca dão chutão. O time enfrenta os adversários uma vez que se fossem iguais”, diz Thiago Monteiro, ex-atleta do clube e hoje treinador das categorias de base. Possuinte de uma curso improvável, que começou na MLS americana e terminou no clube nórdico portanto na segunda ramificação, o “paulistano da Mooca” que mistura frases em inglês e português ressalta o trabalho de Kjetil Knutsen, o técnico do time principal.

“Demorou uns anos para ele colocar o sistema em prática, para os jogadores entenderem o sistema em que eles atuam agora. Demorou para crescer.”

Espécie de palavrão no futebol brasílico, ininterrupção foi a chave para o sucesso do Glimt até cá. Knutsen entrou uma vez que assistente em 2017, com o time rebaixado no campeonato pátrio, mas em 2018 já estava de volta à escol. Sob seu comando, o Glimt alcançou quatro títulos e dois vice-campeonatos em seis temporadas a partir de 2020. “Ele não parou de treinar o time nem na pandemia”, conta Monteiro.

O sucesso na Noruega credenciou a equipe aos torneios europeus. A Champions é o último estágio dessa jornada baseada em um “jogo livre”, uma vez que o próprio Knudsen descreveu nesta terça-feira (10). À Folha o técnico afirma não ter um cronograma para o sucesso totalidade do time, um título europeu. A pergunta era se o Glimt, pelo demonstrado na temporada, estava detrás ou avante da programação.

“Acho que não temos esse tipo de cronograma. Acho que estamos vivendo o presente e trabalhando duro com os jogadores, desenvolvendo eles e o time. Não estamos pensando nisso. Mas, se olharmos para o quadro universal, acho que estamos sim um pouco avante do cronograma.”

Bodø e a Champions agradecem.

Folha

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