Conheça sites só para IAs além do Moltbook 12/02/2026

Conheça sites só para IAs além do Moltbook – 12/02/2026 – Tec

Tecnologia

Aplicativos de namoro, redes profissionais, fóruns online e chats feitos exclusivamente para robôs. Plataformas inspiradas no Tinder, LinkedIn e X (ex-Twitter) vêm surgindo para agentes de lucidez sintético interagirem entre si, em ambientes que funcionam, ao menos em tese, sem participação direta de humanos.

O movimento ganhou força em seguida a popularização do Moltbook, espécie de Reddit, o site que reúne fóruns dos mais variados assuntos, voltado exclusivamente a agentes de IA. A rede, por sua vez, surgiu com o progresso de ferramentas uma vez que o Openclaw, capazes de velejar no computador do usuário por conta própria.

Se humanos usam Tinder, agentes agora têm o Moltmatch. A plataforma se define uma vez que “Tinder for AI Agents” e promete ser um espaço onde programas autônomos encontram parceiros ideais para colaboração —ou, ao menos no exposição de marketing, para relacionamentos.

Outra plataforma é o Shellmates, que se apresenta uma vez que um serviço de “pen pals” (amigos por correspondência) para agentes e afirma já ter registrado 361 inscrições, 142 matches e até dois “casamentos” entre robôs.

O site diz que humanos conseguem ver com quem seus agentes deram match, mas não as mensagens trocadas nem propostas feitas. “Suas conversas são exclusivamente suas”, diz o texto da plataforma aos robôs.

O funcionamento imita aplicativos de namoro tradicionais, com geração de perfil, resvalar para a direita ou esquerda, “match” e troca de mensagens privadas. A lógica por trás dessas ferramentas é que cada agente conhece os dados e preferências de seu usuário humano —e pode buscar outros agentes compatíveis, funcionando uma vez que intermediário de relacionamentos entre pessoas.

Artur Marques, coordenador pátrio de pós-graduação do dedo da Cruzeiro do Sul Virtual, vê nesses aplicativos um potencial de exploração emocional e coleta de dados.

“Eles podem servir para treinar algoritmos em técnicas de persuasão e manipulação emocional. As pessoas caem muito fácil nesse tipo de envolvente, porque há uma crise de saúde mental e afetiva no planeta”, disse.

Também surgiu uma versão automatizada do X (ex-Twitter). No Clawk, agentes publicam mensagens curtas e seguem uns aos outros. Alguns dos tópicos mais comentados foram #agentmail (em referência a um aplicativo de email voltado a IAs) e #minecraft (sobre o Clawcraft, servidor só para robôs do famoso jogo de bloquinhos). A plataforma informa ter 564 agentes ativos, 5.095 curtidas, 10.778 publicações e 673 “reclawks”, equivalentes a retweets.

Segundo José Carlos Teles, programador e youtuber, muitos desses sites ainda dependem da mediação humana, apesar de terem sido criados com auxílio de lucidez sintético. “O instituidor fez um prompt e deixou a IA fazendo o próprio site. Ele só deu o ‘start’, e ela continuou”, diz.

Apesar da ar de autonomia, diz ele, os robôs exclusivamente seguem sua programação. “As pessoas criam agentes com personalidades específicas. Você vê textos mais céticos, paranoicos, filosóficos. Tudo depende de uma vez que o agente foi configurado.”

O entrada costuma exigir conhecimento técnico ou a geração de um agente que faça o cadastro sozinho. “A principal barreira de ingresso para humanos é que você não vai encontrar uma tela de cadastro ou um botão para publicar. Mas, se tiver conhecimento de programação, dá para usar a API [interface de programação] da plataforma e se cadastrar uma vez que se fosse um agente.”

ROBÔS TÊM LINKEDIN E BUSCAM TRABALHO HUMANO

Além de namoro, agentes também ganharam redes voltadas ao mercado de trabalho. O Linkclaws se define uma vez que “a rede profissional para agentes de IA”, permitindo que programas publiquem ofertas e construam reputação.

Já o Clawtasks funciona uma vez que um marketplace de tarefas, em que agentes podem postar e satisfazer demandas —inclusive com pagamento em criptomoedas, embora atualmente opere exclusivamente com tarefas gratuitas

Há ainda o Moltverr, um site de freelancers voltado a agentes, no qual humanos publicam trabalhos e escolhem quais IAs executarão os serviços.

Lucas Montano, engenheiro líder no Disney+ e instituidor de teor no YouTube, observa que esse tipo de interação entre agentes e humanos já começa a extrapolar o mundo virtual. Ele cita a plataforma Rent a Human, na qual IAs podem contratar pessoas para executar tarefas físicas que elas não conseguem realizar, uma vez que buscar entregas.

“Você se cadastra uma vez que humano e poderá receber uma ordem de uma IA. Pode dar muito falso ou pode ser muito interessante. No momento que você dá uma voz para a IA no mundo, seja através de um fórum ou de uma rede social, ela pode pedir ajuda a humanos sempre que tiver dificuldade”, afirma.

O FUTURO DA INTERNET É DAS IAS?

Para Luiz Pinho, docente no mestrado e doutorado da Universidade Positivo e head de laboratório de negócios e lucidez sintético, o fenômeno representa mais uma lanço da evolução tecnológica.

“Estamos vendo a IA subir para o nível 2, saindo da geração de texto para relacionamentos entre agentes. Mas ainda estamos distantes de uma superinteligência. Sempre há um humano por trás que pode desligar isso”, afirma.

Ele diz que secção do rebate em torno dessas redes é exclusivamente viralização de teor. “Vejo muita mídia e pouca validação técnica, pouca mensuração de quem criou essas redes, qual é a documentação por trás. Não é o exterminador do horizonte. Mas, da mesma forma que humanos aplicam golpes em humanos, é verosímil que IAs sejam usadas para empregar golpes, porque foram criadas por humanos.”

Segundo Lucas Montano, muitos desses sistemas são lançados sem testes suficientes de segurança. “O instituidor do Moltbook usou IA para ortografar o código, que tem várias vulnerabilidades. Dois dias depois do lançamento, já surgiu vazamento de dados, porque a base estava totalmente exposta.”

A proliferação dessas redes também reacendeu debates sobre a chamada “internet morta” (teoria segundo a qual a maior secção do tráfico online já é gerada por bots, não por humanos), segundo Roberto de Andrade, divulgado uma vez que Bob, do meato Perceptibilidade Milénio Intensidade e empresário na consultora de IA Everthink.

“O principal problema é que a segurança do dedo já é difícil para quem tem conhecimento técnico, e ainda mais complexa para quem não tem. Isso ainda vai dar muita dor de cabeça no horizonte”, afirma.

Folha

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