O Juízo Deliberativo do São Paulo aprovou nesta sexta-feira (16) o solidão de Julio Casares da presidência do clube. Na votação do impeachment, 188 conselheiros votaram contra sua permanência no função. Foram 45 votos pela repudiação do pedido e dois em branco.
A queda de Casares, que ainda precisa passar por tertúlia dos sócios, é consequência do derretimento de seu capital político, provocado por uma série de escândalos que abalaram a gestão. O vice-presidente Harry Massis Junior, 80, assume o função interinamente.
O pedido de destituição, protocolado em 23 de dezembro, tem uma vez que base a suspeita de uso irregular de camarotes do Morumbis durante shows.
Em dezembro, o site ge.com divulgou áudios que indicariam um suposto esquema de venda clandestina de ingressos de um torrinha reservado à presidência em dias de eventos musicais no estádio.
Em seguida a divulgação do material, Mara Casares, portanto diretora feminina, cultural e de eventos e ex-esposa do presidente, e Douglas Schwartzmann, diretor-adjunto do futebol de base, se afastaram de seus cargos.
Durante a sessão do Juízo, faixas chamando Mara de “ratazana” e Douglas de “ladrão” foram estendidas nas ruas em frente ao Morumbis. Torcedores organizados também levaram um carruagem de som para conduzir os protestos, que teve ainda xingamentos contra Casares e pressão para que a reunião fosse realizada. “Se não votar, o pau vai quebrar”, eles gritavam.
Nas últimas semanas, enquanto o caso do torrinha ganhava repercussão, a Polícia Social já mantinha um interrogatório franco, com frentes de investigação distintas: uma sobre supostas irregularidades no departamento de futebol e outra relacionada às contas bancárias do São Paulo Futebol Clube e de Julio Casares.
A Polícia Social apura, por exemplo, o recebimento de R$ 1,5 milhão em depósitos em verba nas contas pessoais do dirigente. Outra traço de investigação tenta esclarecer a realização de 35 saques nas contas do clube entre 2021 e 2025, que somam R$ 11 milhões.
Os advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, que representam Casares, afirmaram que as movimentações financeiras apontadas em relatório do Coaf “têm origem lícita e legítima, conciliável com a evolução da capacidade financeira” do dirigente.
Segundo a resguardo, antes de assumir a presidência do São Paulo, Casares ocupou cargos de subida direção na iniciativa privada, com remuneração elevada. A origem dos recursos, afirmam os advogados, será esclarecida ao longo das investigações, com a apresentação de documentos e declarações fiscais.
Com o solidão inesperado do mandatário, o vice-presidente Harry Massis Junior, 80, assume o função de forma interina. Empresário, ele integrou a gestão de Casares no primeiro triênio, entre 2021 e 2023, e também a placa reeleita para o segundo procuração, entre 2024 e 2026.
Massis faz secção do grupo político Vanguarda, que recentemente deixou a coalizão de esteio a Casares, e votou em prol do impeachment.
“Hoje não é um dia simples para o nosso clube. É um dia de responsabilidade. Assumo a presidência com muito saudação à história dessa instituição e principalmente a torcida, que é o maior patrimônio que nós temos. Todos sabem que vivemos um momento difícil. Existem investigações em curso e elas precisam ser tratadas com seriedade, calma, saudação às instituições e ao recta de resguardo de cada pessoa envolvida”, afirmou Massis.
“Estou triste. Não era isso que eu queria. O São Paulo não merece o que aconteceu. Nunca gostaria de ter assumido assim”, acrescentou.
Agora, o presidente do Juízo Deliberativo, Olten Ayres, deverá convocar uma Tertúlia Universal em até 30 dias para que os sócios do clube também votem o solidão.
A reunião desta sexta-feira ocorreu de forma híbrida. Na última segunda-feira (12), a 3ª Vara Cível do Butantã concedeu liminar autorizando a realização do encontro de maneira presencial e online. A decisão também estabeleceu que seriam necessários 170 votos para a destituição.
A juíza responsável não identificou conflito entre os artigos 58 e 112 do Regimento Social do São Paulo, uma vez que havia sido questionado pelo presidente do Juízo. Segundo a magistrada, era exigido quórum mínimo de 75% (191 conselheiros) para a realização da reunião, mas exclusivamente dois terços dos votos favoráveis para o solidão do presidente.
Atualmente, o Juízo Deliberativo do São Paulo é formado por 255 membros, sendo 254 aptos a votar. A votação ocorreu por meio de voto secreto.
