Continuidade de políticas de Estado impulsionou bom momento do cinema

Continuidade de políticas de Estado impulsionou bom momento do cinema

Brasil

O cinema brasílico atravessa um de seus períodos mais visíveis e simbólicos no cenário internacional, impulsionado por uma combinação de políticas públicas, ininterrupção institucional e reconhecimento em grandes festivais. Para especialistas do setor, o atual momento, marcado por prêmios, presença em vitrines globais e renovação de talentos, não é fruto do casualidade, mas resultado de décadas de investimento e construção de uma política de Estado para o audiovisual.

A avaliação é do presidente da RioFilme, Leonardo Edde, que destaca a valimento de transformar o bom momento em um ciclo perenal.

“O momento do cinema brasílico é realmente fantástico. É um momentum, uma vez que outros que já tivemos ao longo das décadas, sempre com altos e baixos. O que a gente tenta agora é que esse momentum seja o mais extenso verosímil”, afirmou.

Segundo ele, a recente sequência de destaques ─ que vai de produções consagradas no Oscar e no Orbe de Ouro a filmes selecionados em Cannes e, agora, no Festival de Berlim ─ revela a variedade regional e criativa do país.

“Você tem o Rio, com Ainda Estou Cá, Pernambuco, com O Agente Secreto, e agora o Brasil chegando a Berlim com projetos de jovens cineastas. É São Paulo, é variedade, é o Brasil aparecendo”, disse.

 


Brasília (DF), 23/01/2025 - Cena do filme Ainda estou aqui. Foto: Alile Dara Onawale/Sony Picutres
Brasília (DF), 23/01/2025 - Cena do filme Ainda estou aqui. Foto: Alile Dara Onawale/Sony Picutres

 Cena do filme Ainda estou cá. Foto: Alile Dara Onawale/Sony Picutres

Para Leonardo Edde, a chave para sustentar esse incremento está na ininterrupção das políticas públicas.

“O que a gente está estruturando é uma política pública perene, com ciclos longos, sem interrupções uma vez que vimos em outros momentos da história”.

“Se não houver interrupção, o cinema brasílico vai estar sempre em subida, porque a gente tem realizadores, artistas, produtores e empresas incríveis”, afirmou.

Ele lembra que o reconhecimento internacional dialoga diretamente com a economia criativa e outros setores. “Isso anda junto com turismo, PIB, indústria. O audiovisual é indústria.”

Na avaliação do presidente da RioFilme, o Brasil avança no caminho de uma indústria audiovisual mais sólida, mas ainda enfrenta desafios estruturais.

“A gente está numa crescente. O Brasil é a globo da vez, mas precisa ser a globo da vez com mais recorrência. Temos um mercado interno potente, mas precisamos nos internacionalizar mais”, disse.

Leonardo Edde reforça também que o papel do poder público vai além do financiamento da produção. “Não é só fomento. É distribuição, promoção e salas de cinema. A sala ainda é o envolvente mais transcendente para o filme, e é nossa responsabilidade cuidar desse ecossistema.”

Políticas de incentivo

Nesse sentido, políticas públicas uma vez que o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e a Lei Federalista de Incentivo à Cultura, conhecida uma vez que Lei Rouanet, cumprem papéis complementares: a Rouanet estabelece segmentos específicos que podem receber base por meio de incentivo fiscal, uma vez que produções audiovisuais de curta e média-metragem e a construção e manutenção de salas de cinema, enquanto os longas-metragens recorrem majoritariamente ao FSA.

No caso de O Agente Secreto e Ainda Estou Cá, as obras premiadas não utilizaram recursos da Rouanet, já que a lei não financia longas.

Em declarações recentes, em janeiro de 2026, Wagner Moura defendeu enfaticamente a Lei Rouanet e outros mecanismos de fomento, reagindo a críticas e desinformação sobre o tema, ao declarar:

“Eu não posso explicar a Lei Rouanet para quem ainda não assimilou a Lei Áurea”, sugerindo que a resistência às políticas culturais reflete uma incompreensão histórica sobre o papel do Estado.

Já o FSA, governado pela ANCINE, é hoje um dos principais instrumentos do setor, investindo em todas as etapas da masmorra produtiva: que vai do desenvolvimento à distribuição e sendo amplamente utilizado por grande secção dos longas-metragens brasileiros de maior repercussão.

 


São Paulo (SP), 28/10/2025 - Ator Wagner Moura e o diretor Kleber Mendoça Filho durante entrevista coletiva do elenco do filme O Agente Secreto, no hotel Renaissance. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
São Paulo (SP), 28/10/2025 - Ator Wagner Moura e o diretor Kleber Mendoça Filho durante entrevista coletiva do elenco do filme O Agente Secreto, no hotel Renaissance. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Ator Wagner Moura e o diretor Kleber Mendoça Rebento durante entrevista coletiva do elenco do filme O Agente Secreto, no hotel Renaissance. Foto: Paulo Pinto/Escritório Brasil

Duelo de atrair o público

Para a sátira de cinema Flávia Guerra, o atual reconhecimento do cinema brasílico, impulsionado por títulos uma vez que O Agente Secreto, tem um impacto que vai além da bilheteria imediata.

“Toda vez que a gente vive uma boa tempo uma vez que essa, iniciada no ano pretérito e que continua agora, é importante lembrar que isso é fruto de décadas de trabalho e de política pública de Estado para o audiovisual”, afirmou.

Flávia pondera que o prestígio internacional não se converte maquinalmente em público nas salas, um repto ampliado pela pandemia e pelo progressão do streaming.

“Ainda enfrentamos dificuldades para levar os filmes brasileiros ao cinema, para invadir o público e para se manter em edital. Mas há um proveito imenso de prestígio. O público começa a ver o filme brasílico uma vez que alguma coisa procedente no multiplex.”

Nesse contexto, ela destaca a fala de Kleber Mendonça Rebento no Orbe de Ouro, dirigida principalmente aos jovens.

“Esse clima de ‘Despensa do Mundo’ da cultura é muito importante. Assim uma vez que no esporte ou na música, ver nossos artistas lá fora inspira jovens a enxergar o audiovisual uma vez que profissão, uma vez que curso verosímil”, disse o diretor.

Para a sátira, a mensagem de Kleber dialoga com um momento global de crise, mas também de oportunidade. “Não desistam do audiovisual. Ele emprega uma masmorra inteira, do motorista da van ao catering, da pousada ao mercadinho. É indústria. A Coreia do Sul está dando lição nesse sentido há anos.”

Berlim e a novidade geração

A presença brasileira no Festival de Berlim 2026 se consolida com produções selecionadas em diferentes vestígios: Feito Pipa (Gugu’s World), de Allan Deberton, integra a Generation Kplus; Papaya, de Priscilla Kellen, primeiro longa brasílico de animação selecionado na história do festival, também está na Generation Kplus; A Fabulosa Máquina do Tempo, documentário de Eliza Capai, completa a presença brasileira na mesma mostra; e Se Eu Fosse Vivo… Vivia, de André Novais Oliveira, foi escolhido para a mostra Quadro, uma das vitrines centrais da Berlinale.

Para Flávia Guerra, o destaque de filmes de jovens cineastas em Berlim exemplifica o efeito positivo da atual tempo. “Ver filmes brasileiros ocupando esses espaços é fundamental para prometer ininterrupção. Não é ser o país de um filme só, mas de uma cinematografia.”

Ela cita ainda a força de obras que dialogam com o público jovem e com temas históricos sob novas abordagens.

“São filmes de gênero, filmes de idade, que falam de assuntos muito atuais. Isso cria diálogo com o público e amplia o alcance do nosso cinema.”

Para os especialistas, o repto agora é transformar reconhecimento em política duradoura e presença uniforme nas salas e nos festivais. “Quando um filme uma vez que O Agente Secreto abre a cabeça do público internacional, ele leva todo o cinema brasílico junto”, resume Flávia Guerra.

“As indicações e prêmios dependem de muitos fatores, mas o mais importante é prometer que o Brasil seja reconhecido não por um título só, e sim por uma cinematografia diversa, contínua e viva.”

Fonte EBC

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