COP30: quarto leilão do Eco Invest terá foco exclusivo na

COP30: quarto leilão do Eco Invest terá foco exclusivo na Amazônia

Brasil

Programa do governo que pretende mobilizar capital privado para projetos sustentáveis, o Repercussão Invest Brasil terá foco restrito na Amazônia na próxima rodada. O edital do quarto leilão do programa foi lançado nesta sexta-feira (14) em Belém, durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30).

Previsto para o início de 2026, o novo leilão do programa pretende mobilizar até US$ 4 bilhões, combinando recursos públicos e privados por meio de um protótipo de financiamento misto (blended finance). Por meio do capital catalítico, o governo e instituições financeiras privadas aportam recursos de forma filantrópica, com maior tolerância a riscos de mercado.

Nesse sistema, o capital catalítico considera não unicamente o retorno de mercado, mas o retorno social dos projetos. Esse moeda consegue alavancar recursos para investimentos convencionais.

Coordenado pelos ministérios da Quinta e do Meio Envolvente e Mudança do Clima (MMA), com pedestal do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Embaixada do Reino Uno, o programa integra o Projecto de Transformação Ecológica, estratégia que procura posicionar o Brasil porquê líder na economia de grave carbono.

Acompanhe a cobertura completa da EBC na COP30 

Foco na “floresta em pé”

Pela primeira vez, o Repercussão Invest Brasil destinará recursos exclusivamente para a região amazônica. A quarta edição do programa pretende substanciar cadeias produtivas sustentáveis que gerem renda, inclusão social e competitividade diante de atividades associadas ao desmatamento.

A próxima rodada do Repercussão Invest Brasil foi desenhada para obter pequenas empresas, cooperativas, comunidades tradicionais e produtores locais, segmentos que costumam ter dificuldade de acessar financiamentos de maior porte.

Os projetos deverão ser apresentados em três setores prioritários:

  • Bioeconomia: inclui cadeias da sociobiodiversidade, bioindústrias, insumos sustentáveis e restauração ecológica e produtiva;
  • Turismo ecológico sustentável: iniciativas de ecoturismo voltadas à atração internacional de visitantes;
  • Infraestrutura habilitante: investimentos em pujança renovável descentralizada, conectividade do dedo, transporte e logística para estribar cadeias produtivas locais.

Protótipo financeiro e incentivo extra

O Tesouro Vernáculo emprestará recursos às instituições financeiras vencedoras a juros de 1% ao ano. Em contrapartida, essas instituições deverão captar um volume de capital privado quatro vezes maior que o valor recebido, sendo pelo menos 60% de origem estrangeira.

Os recursos poderão ser repassados aos projetos por meio de crédito direto ou via fundos, sempre combinados a instrumentos destinados a reduzir o risco para os financiadores.

Esta edição tem uma inovação: um incentivo suplementar do Tesouro equivalente a 20% do valor levantado. O moeda deverá ser aplicado em finalidades específicas, porquê assistência técnica e capacitação em projetos mais complexos e arriscados, com foco em pequenos produtores.

O programa também contará com um instrumento de hedge (proteção) cambial. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), por meio do Banco Mediano, oferecerá US$ 3,4 bilhões em derivativos (instrumentos no mercado horizonte) para reduzir riscos de variação cambial, porquê subida excessiva do dólar, com operação prevista para debutar no primeiro semestre de 2026.

Metas, cronograma e critérios

A expectativa do governo é mobilizar até US$ 1 bilhão em recursos públicos, incluindo o Fundo Clima e o BID, e até US$ 3 bilhões em capital privado. A documentação do leilão será publicada nos próximos dias. As propostas deverão ser apresentadas no início de 2026, quando também está previsto o proclamação dos vencedores.

Em caso de empate, serão considerados critérios porquê capacidade de alavancagem (capacidade de levantar valores além do montante recebido), potencial de bioindustrialização (indústria que converte material prima renovável em outros produtos) e volume de capital estrangeiro.

Histórico e resultados anteriores

Criado na COP28, em 2023, o Repercussão Invest Brasil integra o Projecto de Transformação Ecológica. 

O programa realizou três leilões, o primeiro em 2024. Juntos, mobilizaram mais de R$ 75 bilhões (tapume de US$ 13,16 bilhões), dos quais R$ 46 bilhões (US$ 8 bilhões) vieram de investidores estrangeiros. Segundo o Tesouro Vernáculo, o programa já gerou US$ 14 bilhões em compromissos de captação internacional.

Repercussão

Representantes do governo e de organismos internacionais destacaram o papel estratégico da novidade rodada. Por meio de participação em vídeo, o ministro da Quinta, Fernando Haddad, afirmou que o leilão mostra que “a floresta em pé gera mais valor e mais oportunidades do que a devastação”.

A ministra do Meio Envolvente, Marina Silva, destacou que a iniciativa fortalece cadeias da sociobiodiversidade e do turismo sustentável, “criando oportunidades que gerem renda, inclusão e conservação da floresta”.

Para o presidente do BID, Ilan Goldfajn, o novo leilão completa a “arquitetura” pensada para o programa, ao reunir financiamento misto, liquidez, preparação de projetos e hedge cambial.

A enviada peculiar para o clima do Reino Uno, Rachel Kyte, afirmou que o Brasil demonstra liderança global ao “transmudar patrimônio proveniente em prosperidade sustentável”.

O governo prevê que, em 2026, o ritmo do programa seja menor, com um ou dois leilões. A prioridade, informou o Ministério da Quinta, será o aprimoramento da governança dos projetos beneficiados, com um portal público de transparência dos resultados.

Fonte EBC

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