Copa do mundo: quarteto brasileiro deixa de ser fantástico

Copa do Mundo: quarteto brasileiro deixa de ser fantástico – 26/06/2025 – O Mundo É uma Bola

Esporte

“Não se pode elogiar.” Eis uma frase da qual me lembrei ao me decepcionar com o futebol apresentado pelos clubes brasileiros na terceira rodada, a derradeira, da temporada de grupos da Despensa do Mundo de Clubes (Supermundial), disputada nos EUA.

No texto anterior a levante no blog, intitulado “Quarteto Fantástico”, mostrei-me entusiasmado com o desempenho até portanto de Flamengo, Botafogo (duas vitórias cada um), Palmeiras e Fluminense (um empate seguido de uma vitória cada um).

A expectativa para os jogos seguintes do quarteto era a melhor verosímil.

Em Pasadena, o Botafogo enfrentaria um Atlético de Madrid que levara de 4 a 0 do PSG, a quem a equipe da estrela solitária derrotara por 1 a 0.

Mas, mesmo com força máxima, o Fogão foi muito subalterno ao time espanhol. Atacou muito pouco e, merecidamente, levou um gol perto do final. Resultado: perdeu o jogo e a liderança do grupo para o PSG, e se deu mal para as oitavas de final. Explico adiante o porquê.

O Palmeiras teria diante de si o Inter Miami. Que tem Messi (supercraque, mas já veterano), Suárez (craque, mas já veterano), Busquets (de grande curso, mas já veterano) e um punhado de jogadores medíocres.

Em Miami Gardens, Abel Ferreira mudou o time que tinha ganhado com certa facilidade do Al Ahly (2 a 0), escalando Marcos Rocha, Lucas Evangelista e Flaco López, e não deu notório. Messi e Suárez (que marcou um golaço) sobraram, e a equipe da Flórida teve dois de vantagem no placar.

Sem inspiração ou técnica, e com risco de perder a vaga para o Porto e ser eliminado caso fosse derrotado, o alviverde buscou o empate na base do abafa, com os substitutos Paulinho e Maurício.

O 2 a 2 fez com que o time paulista escapasse de um intercepção indigesto com o PSG, o atual vencedor europeu, vencedor do grupo do Botafogo, que, eis razão do “se dar mal”, fará duelo supressivo com o Palmeiras, que tem muito mais time que o valoroso porém restringido Inter Miami.

Em Orlando, esperava-se do já classificado Flamengo –que foi a campo com a primeira posição do grupo garantida– um triunfo fácil, o terceiro na Despensa, e uma atuação suasivo diante do eliminado Los Angeles FC (duas derrotas).

Filipe Luís poupou meio time, e quem jogou ficou devendo. Não foi uma atuação péssima do rubro-negro, tanto que acertou a trave do goleiro Lloris quatro vezes, mas essas oportunidades unicamente mascararam a exiguidade de conjunto e competitividade do mistão, além de expor a falta de mira –trave é finalização errada.

O LA FC marcou já perto do término, em seu único pontapé notório, e o Flamengo achou o empate logo em seguida em jogada individual de Wallace Yan, 20, dois gols em dois jogos, sendo o garoto a única boa notícia para a maior torcida do Brasil, que certamente não se satisfez com o que viu no universal.

Os retornos de Gerson, Léo Pereira, Pulgar, Ayrton Lucas, Wesley e Plata, todos titulares no 3 a 1 no Chelsea, são esperança da volta do futebol produtivo e eficiente, necessário para sobreviver ao Bayern de Munique, o rival nas oitavas.

Em Miami Gardens, onde o Palmeiras tropeçou, o Fluminense, que lutava pelo primeiro lugar do grupo e simultaneamente contra a eliminação, detinha o nepotismo diante do Mamelodi, da África do Sul.

Achei muito preocupante o 0 a 0, pela falta de poderio ofensivo do tricolor (só seis finalizações, zero certas) e porque foi nítido o domínio do rival, que obrigou o goleiro Fábio a trabalhar. No término, foi sofrido, e o Flu deve agradecer muito a João de Deus por seguir vivo no Supermundial. Próximo jogo: Inter de Milão, paragem indigesta. Caso tivesse ganhado o grupo, o oponente seria o Monterrey, do México.

O futebol tem disso, a capacidade de transformar em pouquíssimo tempo um cenário de “firmamento ingénuo, azul” em outro de “firmamento nebuloso, cinza”. E vice-versa.

Que a queda de rendimento possa ter um efeito positivo em cada integrante do quarteto, de resgate do futebol que me fez qualificá-lo de fantástico.

Elogios engavetados, de notório só posso pregar que daqui a alguns dias esse quarteto será dissoluto. No sumo, três brasucas continuarão na disputa. No mínimo, um. (Mais que os argentinos: Boca e River, insossos, já deram “adiós” aos EUA.)


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Folha

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